Gêmeas unidas pela cabeça morrem durante cirurgia final de separação no HC de Ribeirão Preto

Heloísa e Helena, de 2 anos, passavam por tratamento cirúrgico em etapas desde agosto de 2025; o procedimento durou 15 horas.

16/08/2026 às 08:59 por Redação Plox

As gêmeas Heloísa e Helena, de 2 anos, morreram na noite de sábado (15) durante a quinta e última cirurgia prevista para separá-las no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (HCFMRP-USP). As crianças, naturais de São José dos Campos (SP), nasceram unidas pela cabeça e passavam por um tratamento cirúrgico dividido em etapas desde agosto de 2025.

Gêmeas siamesas ligadas pela cabeça são submetidas à última cirurgia em Ribeirão Preto (SP)

Gêmeas siamesas ligadas pela cabeça são submetidas à última cirurgia em Ribeirão Preto (SP)

Foto: Divulgação/ Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto


Em comunicado, o hospital informou que as pacientes não resistiram ao procedimento definitivo, que durou 15 horas e mobilizou mais de 50 profissionais das áreas de saúde e apoio. Até a publicação da nota, a instituição não havia detalhado as circunstâncias médicas que levaram às mortes.

Separação foi planejada em cinco cirurgias

O processo de separação havia sido planejado desde 2024 e foi fracionado para reduzir riscos e permitir a preparação gradual das estruturas compartilhadas pelas irmãs. A primeira intervenção ocorreu em 23 de agosto de 2025, quando a equipe conseguiu avançar cerca de 25% no planejamento de separação.

A segunda etapa foi realizada em novembro de 2025 e teve duração aproximada de dez horas. Após a recuperação, as meninas receberam alta hospitalar 19 dias depois. Em 28 de fevereiro deste ano, na terceira cirurgia, médicos informaram ter alcançado aproximadamente 75% da separação do cérebro e dos vasos sanguíneos que as uniam.

A quarta cirurgia, em 21 de março, teve como principal objetivo preparar a pele da cabeça das crianças para o fechamento dos crânios após a separação. Para isso, foram implantadas bolsas expansoras sob a pele, preenchidas gradualmente com soro fisiológico para ampliar a quantidade de tecido disponível.

Realidade aumentada auxilia médicos do HC de Ribeirão Preto na cirurgia de separação de gêmeas siamesas

Realidade aumentada auxilia médicos do HC de Ribeirão Preto na cirurgia de separação de gêmeas siamesas

Foto: Divulgação/ HC de Ribeirão Preto


Terceiro caso de craniópagas acompanhado pelo HC

Heloísa e Helena eram classificadas como gêmeas craniópagas, termo usado para crianças que nascem unidas pelo crânio. O caso foi o terceiro conduzido pelo Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto. Antes delas, a instituição realizou a separação das irmãs Maria Ysabelle e Maria Ysadora, em 2018, e de Alana e Mariah, cuja cirurgia definitiva ocorreu em 2023.

Nos casos atendidos pela unidade, as equipes utilizaram tomografias, ressonâncias, realidade virtual e modelos impressos em três dimensões para estudar as estruturas compartilhadas e planejar as operações. No tratamento de Heloísa e Helena, esse planejamento durou mais de um ano e envolveu cinco etapas cirúrgicas.

O pai das meninas, Amarildo Batista da Silva, acompanhava o tratamento em Ribeirão Preto desde o início das intervenções. O hospital lamentou as mortes das crianças, ocorridas na etapa final da separação, mas não informou novos detalhes sobre o quadro clínico ou sobre os procedimentos posteriores ao óbito.

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