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Os incêndios que têm atingido as plantações de cana-de-açúcar no Brasil já causam prejuízos bilionários e ameaçam a produção futura. A Organização de Associações de Produtores de Cana do Brasil (Orplana) divulgou que as perdas econômicas já chegam a R$ 1,2 bilhão. Cerca de 181 mil hectares de cana foram destruídos no Estado de São Paulo, e os produtores podem enfrentar altos custos de recuperação, mesmo em áreas já colhidas. Estima-se que o replantio de um único hectare da planta custe aproximadamente R$ 13,5 mil. Além disso, há o impacto na qualidade da cana e despesas com reforço no manejo e nos nutrientes.

Recuperação depende das chuvas
A devastação afeta diretamente a próxima safra, já que a cana só poderá se regenerar caso haja chuvas intensas nos próximos meses. “A taxa de plantio e o cenário de clima seco podem impactar a safra futura, mas ainda dependemos de como se comportarão as chuvas nos próximos meses”, explicou o CEO da Orplana, José Guilherme Nogueira.
Minas Gerais também sofre perdas
Em Minas Gerais, as queimadas resultaram em prejuízos estimados em R$ 180 mil, de acordo com a Associação das Indústrias Sucroenergéticas de Minas Gerais (Siamig Bioenergia). A situação foi mais grave no Triângulo Mineiro, onde cerca de 45 mil hectares foram atingidos, dos quais 30 mil eram áreas de cana ainda por colher.
Aumento nos preços de açúcar e etanol
As queimadas não afetam apenas os produtores, mas também devem pesar no bolso dos consumidores. O Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea-Esalq/USP) alerta que o preço do açúcar cristal já está pressionado pela redução de produção, e o etanol também poderá sofrer alta nos próximos meses. O presidente da Siamig Bioenergia destacou que a cana queimada precisa ser processada rapidamente, o que dificulta a produção de açúcar, aumentando a proporção de etanol no mix de produção.