Anglo American recorre ao TJMG para derrubar nova suspensão de alteamento de barragem do Minas-Rio

Após nova decisão do TCE-MG que interrompe o licenciamento ambiental do segundo alteamento da barragem de rejeitos em Conceição do Mato Dentro, mineradora alega risco de colapso operacional do Sistema Minas-Rio e descumprimento indireto de liminar do Tribunal de Justiça

17/01/2026 às 11:01 por Redação Plox

A Anglo American voltou a acionar o Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) para tentar derrubar a nova suspensão imposta pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE-MG) ao licenciamento ambiental do segundo alteamento da barragem de rejeitos do projeto Minas-Rio, em Conceição do Mato Dentro, na região Central de Minas. A Corte de Contas barrou o processo pela segunda vez, alegando impactos sobre a comunidade local.

Operação da Anglo american em Conceição do Mato Dentro, na região Central de Minas

Operação da Anglo american em Conceição do Mato Dentro, na região Central de Minas

Foto: Anglo american / Divulgação


A primeira interrupção havia ocorrido em agosto de 2025, devido à presença de famílias da comunidade tradicional de São José do Arrudas na Zona de Autossalvamento (ZAS) da estrutura. A situação fere a Lei Estadual 23.291/2019, a “Mar de Lama Nunca Mais”, que veda moradias em áreas de risco de barragens. Na ocasião, o TCE condicionou o prosseguimento do licenciamento ao cumprimento integral das determinações legais e à realocação das famílias.

A mineradora contestou aquela decisão no TJMG e obteve liminar permitindo a continuidade do processo de licenciamento ambiental.

TCE volta a paralisar licenciamento após autodeclaração quilombola

O quadro mudou neste mês, quando a comunidade de São José do Arrudas se autodeclarou quilombola. A novidade levou o presidente do TCE, Durval Ângelo, a determinar uma nova paralisação do licenciamento, sob o argumento de que esse status demanda proteção territorial reforçada e a realização de consultas prévias obrigatórias às famílias afetadas.

As decisões do Tribunal de Contas tiveram como base representações apresentadas pela deputada Bella Gonçalves (PSOL), que acusa a Anglo American de desrespeitar a legislação mineira de segurança de barragens e de não negociar de forma adequada com os moradores atingidos.

Segundo a parlamentar, a empresa teria ignorado as diretrizes da Lei Mar de Lama Nunca Mais e se recusado a tratar de forma efetiva da indenização e do reassentamento das famílias que vivem nas áreas de risco.

Suscitar um conflito de competência entre o Tribunal de Justiça e o Tribunal de Contas é uma postura rasteira da Anglo American, que já foi convocada para se sentar a uma mesa e fazer uma negociação com as comunidades e tem se recusado a fazer isso

Bella Gonçalves

Mineradora fala em “colapso operacional” e questiona decisão

Na nova petição encaminhada ao Órgão Especial do TJMG, a Anglo American classifica a segunda suspensão do TCE como um “descumprimento por via transversa” da decisão judicial que já havia liberado o andamento do licenciamento anteriormente.

A companhia sustenta que o fato novo considerado pelo Tribunal de Contas — a autodeclaração quilombola da comunidade — não seria um elemento “idôneo”, mas um expediente que reproduz o mesmo efeito prático da decisão anterior, que autorizava a continuidade do processo até a manifestação técnica da Fundação Estadual do Meio Ambiente (FEAM) e da Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (SEMAD).

Nos documentos encaminhados ao Judiciário, a mineradora alerta ainda para a gravidade da nova paralisação, mencionando risco de “colapso operacional” no Sistema Minas-Rio. De acordo com os argumentos apresentados, o segundo alteamento da barragem seria indispensável para garantir a continuidade das operações da mina.

A Anglo American foi procurada pela reportagem, mas não respondeu até a publicação desta matéria. O espaço permanece aberto para manifestação da empresa.

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