Lixeiro que corre atrás do caminhão vira destaque nas pistas e sonha com seleção brasileira

Trabalhador de 29 anos de Nova Granada (SP) saiu dos mais de 40 km diários atrás do caminhão de lixo para vencer provas de rua com mais de 2 mil inscritos e buscar vaga na equipe nacional

17/01/2026 às 08:53 por Redação Plox

Jeovany Pyettro, de 29 anos, trabalha como coletor de lixo em Nova Granada (SP) e encontrou na corrida de rua uma forma de transformar a própria história. Em pouco mais de um ano nas competições, ele já venceu provas com milhares de participantes e se tornou exemplo de dedicação e superação.

Há sete anos, a rotina é intensa: ele corre, recolhe o lixo, joga no caminhão e recomeça o percurso. De segunda a sábado, chega a percorrer mais de 40 quilômetros por dia apenas no trabalho, em meio a subidas, descidas e calor.


Atleta em Rio Preto (SP), Jeovany Pyettro, de 29 anos, trabalha como coletor de lixo em Nova Granada (SP)

Atleta em Rio Preto (SP), Jeovany Pyettro, de 29 anos, trabalha como coletor de lixo em Nova Granada (SP)

Foto: Reprodução/TV TEM


É resistência. Todo dia nessa correria. Faço dois treinos: um aqui e outro em Rio Preto. De um lado são 42 km, do outro 52 km. É como correr uma maratona por dia Jeovany Pyettro

Enquanto Jeovany corre atrás do caminhão, o motorista, Rodrigo Oliveira, acompanha tudo da boleia e admite que não conseguiria acompanhar o ritmo do colega.

Melhor ficar na boleia. Hoje não dá mais, a idade pesa. Quem sabe se eu fosse mais novo, mas agora não tem como Rodrigo Oliveira

Da caçamba às pistas de corrida

Incentivado por amigos que o viam correndo atrás do caminhão de lixo, Jeovany decidiu, há pouco mais de um ano, se inscrever na primeira prova de rua. O desempenho surpreendeu. Aos 29 anos, ele já é capaz de completar 5 km em 15 minutos, marca que supera a de muitos atletas experientes e o levou ao topo do pódio em corridas com mais de 2 mil inscritos.

Foi em uma competição em Nova Granada que tudo começou. Um amigo insistia para que ele participasse das corridas, até que Jeovany aceitou o convite. Com a inscrição feita, terminou a prova em 16min40s, gostou da experiência e decidiu continuar. Depois, conheceu a equipe APA, em São José do Rio Preto (SP), e passou a treinar com o grupo, ampliando o volume e a qualidade dos treinos.


Jeovany Pyettro, de 29 anos, é corredor em Rio Preto (SP)

Jeovany Pyettro, de 29 anos, é corredor em Rio Preto (SP)

Foto: Reprodução/TV TEM


Em pouco tempo, o coletor de lixo passou de anônimo nas ruas do trabalho a protagonista nas ruas das competições.

Treinos, projeto social e salto de desempenho

O responsável por lapidar o talento de Jeovany é o treinador Peter Camargo, que mantém um projeto social voltado ao atletismo. Ele começou a acompanhar o atleta logo após a decisão de competir de forma mais estruturada.

Conheci o Jeovany em novembro do ano passado, em uma corrida em Bálsamo. Ele pediu uma chance para treinar com o grupo de elite e aceitei. Em menos de um ano, já se destacava não só na região, mas também em provas nacionais. Hoje sonha em chegar à seleção brasileira Peter Camargo

Com o apoio da equipe e o aumento da carga de treinos, os resultados apareceram rapidamente. Jeovany acumula bons tempos e pódios e, agora, mira desafios maiores, conciliando a rotina pesada de trabalho com os objetivos esportivos.

Sonho de seleção e futuro promissor

O corredor alimenta o desejo de competir ao lado dos grandes nomes do país e transformar o talento em carreira. Para ele, a fé e o esforço diário são determinantes nesse caminho.

O objetivo é correr entre os profissionais e representar o Brasil, sem abrir mão da disciplina que o acompanha nas ruas desde o caminhão de lixo.

Na visão do treinador, o potencial é claro. Em quase duas décadas dedicadas ao atletismo, ele observa que atletas capazes de correr 5 km em 15 minutos em tão pouco tempo de treino costumam alcançar níveis elevados, inclusive vagas em seleções nacionais.

Entre sacos de lixo, quilômetros percorridos no asfalto e treinos em Rio Preto, Jeovany segue acumulando marcas consistentes e multiplicando expectativas. Para ele e para quem o acompanha, o futuro nas pistas parece pavimentado por muito esforço e grandes possibilidades.

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