No radar da ciência: os vírus que podem provocar novas epidemias em 2026
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17/01/2026 às 07:48por Redação Plox
17/01/2026 às 07:48
— por Redação Plox
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À medida que 2026 se aproxima, especialistas em saúde alertam que um novo ano também pode trazer novas ameaças virais.
Vírus antigos seguem em constante evolução. O aquecimento global e o crescimento populacional ampliam o contato entre seres humanos e uma variedade maior de vírus. Ao mesmo tempo, o aumento da mobilidade faz com que esses agentes infecciosos circulem com rapidez pelo planeta, acompanhando seus hospedeiros humanos.
Como médico e pesquisador de doenças infecciosas, o autor do artigo original aponta uma lista de vírus com potencial para causar infecções em locais inesperados ou em números acima do habitual em 2026.
As infecções virais estão aumentando e se espalhando pelo mundo.
Foto: Divulgação/FVS-RCP
Influenza A mantém o mundo na iminência de nova pandemia
A influenza A continua sendo uma ameaça permanente. O vírus infecta uma ampla gama de animais e tem elevada capacidade de sofrer mutações em pouco tempo. A pandemia mais recente de influenza, provocada pelo subtipo H1N1 em 2009, causou mais de 280 mil mortes em todo o mundo no primeiro ano e o vírus segue em circulação até hoje.
Na época, o H1N1 ficou conhecido como gripe suína por ter se originado em porcos no México antes de se espalhar globalmente. Mais recentemente, a preocupação se voltou para uma gripe aviária altamente patogênica, o subtipo H5N1. Identificado pela primeira vez em humanos no sul da China em 1997, o vírus se disseminou pelo mundo com a ajuda de aves selvagens.
Febre Oropouche é causada pelo mosquito maruim (mosquito-pólvora ou borrachudo)
Foto: Foto: Reprodução/SES
Em 2024, o H5N1 foi detectado pela primeira vez em gado leiteiro nos Estados Unidos e posteriormente se estabeleceu em rebanhos de vários estados. A passagem do vírus de aves para mamíferos acendeu o alerta para a possibilidade de adaptação aos seres humanos. Estudos indicam que já ocorreram múltiplas transmissões de vacas para pessoas.
Em 2026, pesquisadores seguirão monitorando qualquer sinal de que o H5N1 tenha sofrido mudanças suficientes para se transmitir de humano para humano, passo decisivo para o início de uma nova pandemia de gripe. As vacinas de influenza atualmente disponíveis provavelmente não protegem contra esse subtipo, mas há esforços em andamento para desenvolver imunizantes específicos.
Mpox se espalha pelo mundo e tende a se agravar
O vírus mpox, antes conhecido como vírus da varíola dos macacos, foi identificado pela primeira vez na década de 1950. Por muitos anos, os casos foram raros e concentrados principalmente na África Subsaariana. Diferentemente do que o nome original sugeria, o principal reservatório não são macacos, mas roedores, com transmissão ocasional para seres humanos.
Parente próximo do vírus da varíola, o mpox causa febre e erupções cutâneas dolorosas que podem persistir por semanas. Há diferentes variantes, incluindo o clado I, geralmente mais grave, e o clado II, considerado mais brando. Existe vacina contra o mpox, mas ainda não há tratamentos específicos eficazes.
Em 2022, um surto global do clado II atingiu mais de 100 países que nunca haviam registrado o vírus. A expansão foi impulsionada principalmente pela transmissão entre humanos em situações de contato próximo, com destaque para relações sexuais.
Apesar da queda significativa no número de casos desde o auge do surto de 2022, o clado II se estabeleceu em escala mundial. Países da África Central passaram a relatar, a partir de 2024, aumento de casos do clado I. Desde agosto de 2025, foram registrados quatro casos de mpox do clado I nos Estados Unidos, incluindo em pessoas sem histórico de viagem para a África.
A forma como esses surtos, tanto nos EUA quanto em outros países, irão evoluir em 2026 ainda é incerta.
Vírus Oropouche avança com a ajuda de insetos vetores
O vírus Oropouche foi descrito pela primeira vez na década de 1950 na ilha de Trinidad, na costa da América do Sul. A transmissão ocorre por mosquitos e por pequenos insetos picadores conhecidos como maruins.
A infecção costuma provocar febre, dor de cabeça e dores musculares. Em geral, o quadro dura poucos dias, mas parte dos pacientes relata fraqueza prolongada, que pode persistir por semanas, e episódios de recidiva após aparente recuperação.
Ainda há muitas dúvidas sobre o comportamento do vírus Oropouche e a doença associada a ele. Não existem tratamentos específicos nem vacinas. Por décadas, acreditava-se que as infecções humanas se limitavam à região amazônica. A partir do início dos anos 2000, porém, começaram a surgir casos em áreas mais amplas da América do Sul, América Central e Caribe. Nos Estados Unidos, os registros costumam estar ligados a viajantes que retornam do exterior.
A tendência é que, em 2026, surtos de Oropouche continuem a afetar viajantes nas Américas. O mosquito vetor do vírus está presente em toda a América do Norte e do Sul, incluindo o sudeste dos EUA, o que aumenta a possibilidade de expansão da área de circulação do patógeno.
Outros vírus em foco para 2026
Além de influenza A, mpox e Oropouche, diversos outros vírus devem permanecer no radar global em 2026.
Os surtos contínuos de chikungunya em diferentes partes do mundo podem afetar viajantes, que em alguns casos podem avaliar a possibilidade de se vacinar contra a doença.
Os casos de sarampo seguem em alta nos Estados Unidos e em vários países, impulsionados pela queda nas taxas de cobertura vacinal.
O HIV corre o risco de ressurgir com mais força, apesar da disponibilidade de tratamentos eficazes, em razão de interrupções na ajuda internacional.
Além disso, novos vírus ainda desconhecidos podem emergir à medida que a atividade humana perturba ecossistemas e intensifica a circulação de pessoas pelo planeta.
Em um cenário em que pessoas, animais e meio ambiente estão interligados, a vigilância sobre ameaças virais conhecidas e emergentes, aliada ao desenvolvimento de novas vacinas e tratamentos, é fundamental para ajudar a manter populações mais seguras em todo o mundo.