PF pede ao STF inquérito sobre uso de influenciadores em ofensiva contra o Banco Central no caso Banco Master

Polícia Federal quer investigar suposta campanha digital coordenada em defesa do Banco Master durante liquidação extrajudicial, após bloqueio da venda ao BRB; suspeitas de gestão fraudulenta somam até R$ 5,7 bilhões

17/01/2026 às 14:06 por Redação Plox

BRASÍLIA – A Polícia Federal (PF) pediu ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli a abertura de um inquérito para apurar o uso de influenciadores digitais em uma suposta campanha coordenada contra o Banco Central (BC) durante o processo de liquidação do Banco Master.

Nos documentos enviados ao STF, a PF aponta indícios de que publicações em redes sociais tinham como objetivo colocar em dúvida a credibilidade da autarquia e defender o Banco Master após a decisão que decretou a liquidação extrajudicial da instituição financeira ligada ao banqueiro Daniel Vorcaro, em novembro do ano passado.

A liquidação extrajudicial do Master foi assinada pelo presidente do BC, Gabriel Galípolo

A liquidação extrajudicial do Master foi assinada pelo presidente do BC, Gabriel Galípolo

Foto: Alexandre Boiczar / Banco Central


Campanha digital após bloqueio de venda ao BRB

De acordo com a investigação, a ofensiva digital se intensificou depois que o Banco Central barrou a venda do Master ao Banco de Brasília (BRB) e avançou nas apurações que resultaram no fechamento do banco. O pedido encaminhado ao Supremo aponta suspeita de que a ação tenha sido articulada por Vorcaro.

Relatórios mencionados pela PF indicam que diversas contas de influenciadores, sem histórico de atuação no setor financeiro, passaram a publicar conteúdos semelhantes em um curto espaço de tempo, questionando a atuação da autoridade monetária. Um levantamento da Federação Brasileira de Bancos (Febraban) identificou um pico concentrado dessas publicações em cerca de 36 horas, no fim de 2025.

Vereador relata proposta de “projeto DV”

O caso ganhou maior visibilidade após a divulgação de um vídeo do vereador Rony Gabriel (PL-RS), de Erechim. Ele relatou ter recebido uma proposta intitulada “projeto DV” – em referência às iniciais de Daniel Vorcaro – para produzir conteúdos em defesa do Banco Master e apresentar a instituição como vítima do Banco Central.

Suspeitas sobre gestão e perdas bilionárias

Segundo a PF, a campanha nas redes ocorreu em paralelo às investigações sobre a gestão do Banco Master. As apurações apontam um crescimento acelerado da instituição, sustentado pela captação de recursos com juros muito acima da média de mercado e pela aquisição de ativos de baixa liquidez. Há suspeitas de gestão fraudulenta e de desvios que podem chegar a R$ 5,7 bilhões.

A liquidação extrajudicial do Banco Master foi decretada em 18 de novembro e assinada pelo presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo. A medida encerrou as atividades da instituição e aprofundou o conflito entre o banco, seus controladores e os órgãos de controle.

Defesa nega irregularidades e campanha coordenada

A defesa de Daniel Vorcaro nega irregularidades na condução do Banco Master, afirma que não houve campanha coordenada contra o Banco Central e sustenta que o empresário tem colaborado com as autoridades para o esclarecimento dos fatos.

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