CPIs do INSS e do Crime Organizado retomam atividades e miram ofensiva sobre Daniel Vorcaro

Após o Carnaval, CPMI do INSS e CPI do Crime Organizado preparam votação de requerimentos e novas oitivas com foco no banqueiro e no Banco Master, em meio a suspeitas de descontos indevidos e fraudes investigadas pela PF.

17/02/2026 às 07:48 por Redação Plox

As investigações parlamentares sobre fraudes no INSS e sobre crime organizado no Senado devem ganhar novo fôlego na semana pós-Carnaval, com o retorno das atividades da CPMI do INSS e da CPI do Crime Organizado. As duas comissões se preparam para uma ofensiva concentrada sobre o banqueiro Daniel Vorcaro e o Banco Master, reunindo suspeitas de irregularidades em consignados de aposentados e pensionistas e apurações sobre fraudes financeiras investigadas pela Polícia Federal (PF).


Foco redobrado em Vorcaro e Banco Master

A CPMI do INSS já vinha tentando ouvir Daniel Vorcaro e outros nomes associados às suspeitas de descontos indevidos em benefícios e a possíveis esquemas financeiros. Em 30 de janeiro, informações da Agência Senado indicavam a intenção de retomar depoimentos com Vorcaro, Maurício Camisotti e o presidente do INSS, Gilberto Waller Júnior.

Ao mesmo tempo, a CPI do Crime Organizado passou a concentrar requerimentos relacionados ao Banco Master e a desdobramentos do caso envolvendo Vorcaro. Reportagem publicada em 13 de fevereiro pela revista Veja apontou que o colegiado deve votar, após o Carnaval, pedidos e convites de depoimentos ligados ao tema, incluindo requerimentos envolvendo ministros do STF, a partir de citações encontradas em aparelhos apreendidos pela PF.

Há margem de variação para a agenda exata da “próxima semana”, a depender de decisões internas das comissões e do calendário do Congresso. O que está confirmado nas fontes é a intenção de retomada das CPIs logo após o Carnaval, com o caso Vorcaro/Banco Master no centro dos requerimentos e oitivas.

Operações da PF e estimativa bilionária de fraudes

De acordo com nota e informações da Agência Brasil, a PF deflagrou em janeiro de 2026 nova operação contra o Banco Master, com objetivo de interromper a atuação de organização criminosa e recuperar ativos. A mesma reportagem registrou que Daniel Vorcaro, preso em novembro de 2025, teve a prisão relaxada e passou a cumprir prisão domiciliar, além de destacar posicionamento da defesa apontando colaboração com as autoridades.

Também segundo a Agência Brasil, o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, levou à CPI do Crime Organizado, em depoimento de 18 de novembro de 2025, uma estimativa de fraudes na casa de R$ 12 bilhões no âmbito da Operação Compliance Zero, em atuação conjunta com Banco Central e Coaf.

Na frente da CPMI do INSS, a Agência Senado registrou que a comissão buscava ouvir Vorcaro, outros investigados e o presidente do INSS para discutir medidas adotadas e responsabilidades administrativas no órgão diante das suspeitas de descontos indevidos.

Efeitos para beneficiários, mercado e política

Para aposentados e pensionistas, a retomada da CPMI tende a intensificar o rastreamento de descontos indevidos, a revisão de contratos e a responsabilização de instituições e intermediários. Mesmo quando o foco recai sobre bancos e operadores, o impacto mais sensível é a proteção do benefício e a contestação de cobranças não reconhecidas.

No sistema financeiro e no mercado de crédito, o caso Banco Master, sob investigação da PF, pode desencadear novos desdobramentos regulatórios e criminais, com reforço do escrutínio sobre originação de crédito, lastros e controles internos.

No ambiente político, a convergência das duas comissões em torno de Vorcaro amplia a pressão por quebras de sigilo, convocações e disputas judiciais sobre acesso a dados. Segundo o InfoMoney, esse embate já se manifestou em decisão do ministro Dias Toffoli que restringiu o acesso da CPI do INSS a materiais relacionados a Vorcaro.

Retomada das CPIs e próximos movimentos

No Congresso, a expectativa é de votação de requerimentos e retomada de oitivas após o Carnaval, com CPMI do INSS e CPI do Crime Organizado alinhadas em torno de Daniel Vorcaro e do Banco Master. As agendas e datas ainda dependem de confirmação formal nas pautas das comissões.

Na esfera judicial e investigativa, novas fases e medidas da PF podem influenciar o ritmo das CPIs, seja por compartilhamento ou restrição de provas, seja por decisões sobre sigilos e acesso a dados.

Entre os próximos passos a acompanhar estão a publicação das pautas oficiais no Senado e na Câmara, eventuais novas convocações e possíveis pedidos de quebra de sigilos e medidas coercitivas, que costumam marcar uma fase mais incisiva de atuação das comissões parlamentares.

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