Irmão de Bolsonaro aciona Justiça Eleitoral contra desfile que homenageou Lula no Carnaval do Rio

Renato Bolsonaro aponta possível propaganda antecipada no desfile da Acadêmicos de Niterói e cita referências ao número 13, jingle associado a Lula e alegada ridicularização de Jair Bolsonaro; TSE já havia negado liminares e liberado a apresentação

17/02/2026 às 22:33 por Redação Plox

Renato Bolsonaro, irmão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), acionou a Justiça contra o desfile da escola de samba Acadêmicos de Niterói que homenageou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no Carnaval do Rio de Janeiro. A iniciativa se soma a movimentos de outros políticos e partidos de oposição e reacende o debate sobre possível “propaganda eleitoral antecipada” em eventos culturais financiados com dinheiro público.

Irmão de Bolsonaro aciona Justiça contra desfile que homenageou Lula no Carnaval

Irmão de Bolsonaro aciona Justiça contra desfile que homenageou Lula no Carnaval

Foto: Reproduçãp


Irmão de Bolsonaro leva desfile da Sapucaí à Justiça

De acordo com apuração divulgada nesta terça-feira (17), Renato Bolsonaro apresentou representação na Justiça Eleitoral em que aponta suposta propaganda eleitoral antecipada no desfile da Acadêmicos de Niterói, realizado no domingo (15/02/2026), na Marquês de Sapucaí.

Entre os elementos citados na peça estão referências ao número 13, uso de jingle associado a Lula e gestos feitos por integrantes durante a transmissão oficial do desfile. Para o autor da ação, esses elementos podem caracterizar promoção político-eleitoral fora do período permitido pela legislação.

A representação também sustenta que o desfile teria ridicularizado Jair Bolsonaro, incluindo a exibição de uma figura do palhaço “Bozo” em alegorias e encenações, além de críticas a grupos conservadores. O pedido não se limita ao campo eleitoral: o documento menciona ainda possível improbidade administrativa, sob o argumento de que parte do evento foi custeada com recursos públicos.

Tentativas anteriores de barrar o enredo no TSE

Antes de a escola entrar na avenida, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) analisou pedidos de liminar apresentados por partidos de oposição, como Novo e Missão, que buscavam impedir o desfile sob a alegação de propaganda antecipada.

Em decisão de 12/02/2026, o tribunal negou as liminares, liberando a apresentação. Na comunicação oficial, o TSE informou que a decisão foi unânime e tratou de questionamentos ligados a suposta promoção eleitoral fora do período de campanha, sem determinar qualquer bloqueio prévio ao desfile.

Na prática, houve tentativa de barrar o enredo antes do Carnaval, mas a Corte optou por não suspender o evento naquele momento. Com a nova representação, o foco tende a se deslocar para o que efetivamente foi mostrado na Sapucaí — conteúdo, símbolos, músicas, encenações e eventuais mensagens de caráter político-eleitoral.

Debate sobre propaganda antecipada e dinheiro público

No campo eleitoral, o caso coloca o Carnaval no centro da disputa entre aliados e opositores de Lula e Bolsonaro, pressionando a Justiça a definir limites mais claros para manifestações políticas em desfiles de escolas de samba, sobretudo em ano pré-eleitoral.

O uso de recursos públicos também entra no radar. Levantamentos jornalísticos apontam que escolas do Grupo Especial recebem verbas de diferentes esferas de governo (União, estado e prefeitura). Esse contexto alimenta a discussão sobre impessoalidade e finalidade pública quando um enredo exalta ou ataca figuras que ocupam cargos eletivos.

Para escolas e organizadores, processos como o aberto por Renato Bolsonaro podem significar maior risco de questionamentos sobre prestação de contas, fiscalização de tribunais de controle e insegurança jurídica para patrocínios e parcerias futuras.

O que pode acontecer a partir de agora

A tendência é que a Justiça Eleitoral avalie a representação com base em provas do que foi levado à avenida: imagens e gravações do desfile, letra do samba-enredo, alegorias, performances e o contexto geral da apresentação.

Paralelamente, parlamentares discutem iniciativas no Congresso para restringir repasses federais a eventos que possam ser interpretados como promoção personalizada de autoridades em exercício. A movimentação pode resultar em projetos de lei e novas ações judiciais.

Do lado da escola de samba e dos órgãos responsáveis pelos repasses, a expectativa é de manifestações formais para sustentar que o apoio financeiro foi destinado ao conjunto do Carnaval e não a um enredo específico — ponto visto como central para tentar afastar a tese de favorecimento político.

Compartilhar a notícia

V e j a A g o r a