Ricardo Nunes critica desfile que homenageou Lula e vê risco de questionamentos eleitorais
Prefeito de São Paulo afirma que exaltação a liderança política em ano eleitoral fere o espírito do Carnaval; aliados do presidente negam propaganda antecipada e citam homenagem cultural
17/02/2026 às 13:59por Redação Plox
17/02/2026 às 13:59
— por Redação Plox
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O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), criticou o desfile da Acadêmicos de Niterói que homenageou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na Marquês de Sapucaí, no Rio de Janeiro. Para ele, usar o Carnaval para exaltar uma liderança política em ano eleitoral fere o espírito da festa e levanta dúvidas sobre o respeito às normas eleitorais.
Segundo Nunes, o Carnaval é uma manifestação cultural que deve ser preservada de associações político-eleitorais. O prefeito avalia que a utilização de um desfile para enaltecer um político em período de disputa às urnas pode abrir espaço para questionamentos jurídicos e interpretações de que há favorecimento a candidatos.
Prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (
Foto: Wilson Dias/Agência Brasil)
Ele também defende cautela na condução de eventos populares em ano eleitoral, destacando a necessidade de evitar que manifestações culturais sejam interpretadas como promoção indevida de figuras públicas. Na avaliação do prefeito, é fundamental respeitar a legislação vigente e impedir que a festa seja usada como plataforma eleitoral.
Nunes classificou a homenagem da escola de samba como um uso irregular do Carnaval para fins políticos, apontando que o desfile teria ultrapassado o limite entre expressão artística e atuação político-partidária.
Foi uma afronta à legislação eleitoral, com ataque a adversários políticos do homenageado, mas que também atinge grande parcela da população que tem opinião política diferente. Em ano eleitoral, é um evidente abuso eleitoreiro com o aval de um governo sem limites para tentar se perpetuar no poder. Ricardo Nunes
Aliados de Lula rebatem e negam propaganda antecipada
Aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sustentam que o desfile da Acadêmicos de Niterói não configurou propaganda eleitoral antecipada. Para esse grupo, a apresentação teve caráter cultural e de homenagem, sem pedido explícito de votos nem indicação formal de candidatura.
Esses defensores entendem que o enredo se manteve no campo artístico, sem infringir as regras eleitorais. Já críticos de Lula consideram que alguns elementos da apresentação podem ser interpretados como mensagem política, o que justificaria análise da Justiça Eleitoral.
Entre os pontos citados por setores contrários ao presidente está a referência ao número 13 no samba-enredo, associado historicamente ao petista em disputas eleitorais. Para esses grupos, menções simbólicas e alusões indiretas também podem ser examinadas à luz de entendimentos do Tribunal Superior Eleitoral.
Desfile encena troca de poder e faz crítica a Bolsonaro
O desfile da Acadêmicos de Niterói montou uma encenação política em um dos carros alegóricos, com representações de ex-presidentes em uma sequência que remetia à troca de faixas presidenciais. A apresentação começou com um personagem que lembrava Luiz Inácio Lula da Silva entregando a faixa a uma figura alusiva a Dilma Rousseff.
Na coreografia, a faixa era então retirada da personagem que simbolizava Dilma por uma representação de Michel Temer, em alusão ao processo de impeachment que levou à mudança de governo. Em seguida, a cena mostrava a faixa sendo passada para um boneco caracterizado como palhaço, numa crítica ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
O encerramento do desfile apresentou outro elemento alegórico com um palhaço vestindo roupa de presidiário atrás de grades. A imagem reforçou o tom satírico e crítico da escola ao retratar episódios recentes da política brasileira, em uma narrativa que mesclou fantasia e comentário político.
Michel Temer se diz incomodado com caricatura
O ex-presidente Michel Temer manifestou incômodo com a forma como foi retratado em uma das alegorias da escola de samba. Filiado ao MDB, ele criticou a caricatura de sua trajetória pública exibida no desfile na Marquês de Sapucaí.
Em nota, Temer ponderou que o Carnaval é marcado pela liberdade artística e pela fantasia, o que, na visão dele, afasta a obrigação de rigor histórico nos enredos. Ao mesmo tempo, avaliou que o samba comporta tanto críticas sociais quanto homenagens, sem que isso necessariamente signifique distorção dos fatos.
Temer já havia sido alvo de sátiras carnavalescas anteriormente. Em 2018, a Acadêmicos do Tuiuti apresentou uma representação alegórica do ex-presidente em um desfile que ganhou grande repercussão nacional.
Ex-presidente fala em “ilusionismo” na política
Na nota em que comenta o desfile, Temer afirma que a sátira política faz parte da tradição carnavalesca e defende a liberdade de expressão e a liberdade artística na avenida. Ele argumenta que o ambiente do samba é um espaço de criatividade, fantasia e crítica social.
Ao traçar um paralelo entre as alegorias e a condução da política no país, Temer diz que o problema não está na licença poética do Carnaval, mas em práticas que, segundo ele, promovem irresponsabilidade fiscal, juros altos e aumento do endividamento público. Para o ex-presidente, isso representaria a negação de conquistas como reformas trabalhista, do ensino médio e da previdência, e simbolizaria uma “volta ao passado” em vez da continuidade de um projeto de futuro.