Estrutura montada para a Covid vira depósito de ambulâncias e equipamentos abandonados em Nova Iguaçu

Estrutura inaugurada em 2021 para a Covid-19 tem área desativada com veículos parados e materiais expostos ao tempo; secretaria diz que parte das ambulâncias está em baixa e que cidade recebeu 11 novas pelo Samu 100%

17/03/2026 às 11:24 por Redação Plox

Ambulâncias e equipamentos de saúde estão parados e expostos ao tempo nos fundos do antigo hospital de campanha de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, área que funcionou durante a pandemia de Covid-19 e foi inaugurada em 2021. Moradores relatam risco de invasões e furtos de peças, enquanto o Governo do Estado afirma que parte dos veículos passa por baixa patrimonial para descarte e que a cidade recebeu novas ambulâncias por meio de um programa estadual.

O complexo foi montado pelo Governo do Estado com capacidade para até 300 leitos, em uma estrutura que leva o nome do médico Ricardo Cruz, que morreu de Covid-19 em 2020. Hoje, apenas a parte da frente permanece em atividade como hospital modular, recebendo pacientes transferidos de outras unidades. Nos fundos, onde funcionava o hospital de campanha, o cenário é de abandono.


Hospital de campanha de Nova Iguaçu, construído durante a pandemia de Covid-19, hoje tem parte da estrutura desativada

Hospital de campanha de Nova Iguaçu, construído durante a pandemia de Covid-19, hoje tem parte da estrutura desativada

Foto: Reprodução/TV Globo


Ambulâncias paradas e equipamentos expostos

Imagens feitas na área mostram pelo menos sete ambulâncias estacionadas sem uso, além de um caminhão e um reboque que já foram utilizados no transporte de um tomógrafo móvel. Equipamentos estão espalhados e expostos ao tempo, alguns sob tendas improvisadas, em um trecho desativado da unidade montada para a emergência da Covid-19.

Moradores da região relatam a presença de pessoas que invadem o terreno para furtar peças dos veículos e do maquinário. Para quem vive próximo ao antigo hospital de campanha, o abandono representa desperdício de recursos e risco de perda de patrimônio público.

É uma covardia, né? A população depende disso e fica aí à mercê de sol e chuva, com o nosso dinheiro, dinheiro público

Everaldo Reis, caminhoneiro

Legado prometido após a pandemia

Na época da inauguração, a Secretaria Estadual de Saúde informou que, após o pico da pandemia, a estrutura poderia continuar sendo utilizada para atender a população da Baixada Fluminense. A unidade foi apresentada como parte do reforço permanente à rede de saúde na região.

Na prática, porém, somente o hospital modular na área frontal segue operando, recebendo pacientes encaminhados de outras unidades. O setor que abrigava o hospital de campanha, nos fundos, concentra ambulâncias e equipamentos sem uso, além de veículos que aguardam definição sobre descarte ou reaproveitamento.


Ambulâncias paradas nos fundos da unidade

Ambulâncias paradas nos fundos da unidade

Foto: Reprodução/TV Globo


O que diz o governo estadual

A Secretaria de Estado de Saúde informou que cinco ambulâncias estacionadas na unidade estão em processo de baixa patrimonial para descarte, por já terem atingido o fim da vida útil. Segundo a pasta, Nova Iguaçu recebeu 11 novos veículos por meio do programa Samu 100%.

Sobre o caminhão e o reboque que foram utilizados como tomógrafo móvel, a secretaria afirmou que os equipamentos estão vazios, em boas condições, e podem receber um novo aparelho para voltar a operar.

A pasta declarou ainda que a estrutura criada durante a pandemia foi adaptada e hoje integra o atendimento médico à população. A retaguarda da unidade funciona para casos de alta complexidade, incluindo pediatria e atendimento adulto, com leitos de UTI, atendendo pacientes encaminhados pelo sistema estadual de regulação.

Segundo a secretaria, o hospital modular móvel está acondicionado em estruturas retráteis para preservação e pode ser usado de forma estratégica para apoiar os 92 municípios do estado do Rio de Janeiro.

Patrimônio, segurança e confiança da população

Veículos e equipamentos de saúde expostos ao tempo tendem a se deteriorar mais rapidamente, o que pode elevar custos de manutenção e reduzir as chances de reaproveitamento. Em paralelo, os relatos de invasões para retirada de peças indicam fragilidade na vigilância patrimonial da área desativada.

O contraste entre o abandono nos fundos do antigo hospital de campanha e a promessa de legado para a saúde da Baixada Fluminense reforça cobranças por transparência sobre o destino das ambulâncias, dos equipamentos e da estrutura montada durante a emergência sanitária. A situação também alimenta a percepção de sucateamento, mesmo com a entrega de novos veículos anunciada pelo governo estadual.

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