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A Câmara dos Deputados voltou a discutir a possibilidade de reduzir de 18 para 16 anos a idade mínima para a primeira habilitação no Brasil. O tema aparece em projetos específicos, como o PL 314/2023, e deverá integrar o conjunto de assuntos analisados por uma comissão especial encarregada de propor mudanças no Código de Trânsito Brasileiro (CTB), que prevê iniciar audiências públicas a partir de março.
Pelas regras atuais, a idade mínima para obter a carteira de motorista é de 18 anos
Foto: Agência Brasilia
Nos últimos dias, a comissão especial criada para revisar o CTB aprovou um plano de trabalho que contempla, entre os tópicos em debate, a possibilidade de permitir a obtenção da CNH — ou da permissão para dirigir — a partir dos 16 anos. A programação divulgada indica que a discussão deve ocorrer em audiências públicas a partir de março, com uma sessão prevista para 1º de abril, embora a agenda e o formato ainda possam sofrer ajustes ao longo da tramitação.
Paralelamente, tramitam propostas que tratam diretamente da redução da idade mínima. Uma das principais é o Projeto de Lei 314/2023, que prevê a queda da idade mínima para a Permissão para Dirigir (PPD) de 18 para 16 anos. Pelo texto, jovens de 16 e 17 anos poderiam ter uma permissão com validade de dois anos e, somente depois de cumpridas as exigências legais, teriam acesso à CNH definitiva.
De acordo com informações da Agência Câmara, o PL 314/2023 modifica o CTB para autorizar a emissão da PPD a partir dos 16 anos. O autor da proposta sustenta que existe incoerência em se permitir o voto facultativo nessa faixa etária e, ao mesmo tempo, impedir a condução de veículos.
O texto também estabelece que adolescentes com PPD ficariam submetidos às regras do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) em situações que envolvam condutas equivalentes a crimes de trânsito, tratadas como atos infracionais.
A própria notícia da Câmara registra que a proposta ainda dependia de despacho e de análise nas comissões permanentes, ou seja, não se trata de uma mudança já aprovada no ordenamento, mas de um debate em curso.
Se a redução da idade mínima para a primeira habilitação avançar no Congresso e for transformada em lei, o impacto inicial tende a atingir diferentes frentes:
Famílias e adolescentes: a possibilidade de começar a dirigir legalmente aos 16 anos pode influenciar a rotina de estudo, trabalho e deslocamento, sobretudo em cidades médias e em regiões com transporte público limitado.
Autoescolas e formação de condutores: a medida pode significar aumento de demanda e adaptação de procedimentos para um público mais jovem, inclusive no que diz respeito à responsabilidade civil e a eventuais regras específicas de acompanhamento.
Fiscalização e segurança viária: o debate deve se concentrar em como equilibrar acesso e segurança nas ruas, já que a entrada de condutores mais jovens tende a exigir critérios mais rígidos de formação, monitoramento e punições administrativas.
Especialistas e entidades do setor de trânsito costumam defender que qualquer flexibilização seja acompanhada de salvaguardas, como exigências adicionais de formação, regras diferenciadas para a permissão e mecanismos mais robustos de fiscalização. A expectativa é de que esse ponto esteja no centro das audiências públicas.
No plano legislativo, a comissão especial deve realizar as audiências públicas previstas, consolidar um relatório e apresentar um parecer com propostas de alteração no CTB, que podem incluir — ou não — a redução da idade mínima para a primeira habilitação.
Para se tornar regra, qualquer mudança terá de ser aprovada pelas comissões temáticas e pelo plenário da Câmara, e, se for o caso, também pelo Senado, além de depender de sanção presidencial.
Como existem diferentes projetos e possibilidade de apensamentos, o desenho final da medida — incluindo idade mínima, tipo de permissão, prazos de validade e exigências específicas — pode ser modificado ao longo da negociação política em torno da ideia de permitir a CNH a partir dos 16 anos.