PF diz que ex-presidente do INSS recebeu cerca de R$ 4 milhões em esquema de fraudes nos descontos

Investigação da Operação Sem Desconto apura suposta propina em descontos associativos indevidos em benefícios; detalhes sobre período, pagamentos e comprovação ainda dependem de acesso integral a relatórios e decisões

17/03/2026 às 13:01 por Redação Plox

A Polícia Federal atribui ao ex-presidente do INSS Alessandro Stefanutto o recebimento de cerca de R$ 4 milhões em propina no esquema de descontos indevidos em benefícios previdenciários. A suspeita envolve a atuação de entidades e intermediários que teriam se beneficiado de autorizações e da operacionalização de cobranças associativas sobre aposentadorias e pensões.

De acordo com apuração divulgada pelo Portal Tela, a PF sustenta que Stefanutto teria sido o “destino real” de valores repassados por meio dessas entidades e intermediários, com menção à Conafer como um dos canais citados no fluxo investigado. As suspeitas se inserem no conjunto de investigações que, desde 2025, expõem um esquema de descontos associativos não autorizados, com impacto em milhões de beneficiários.

Alessandro Stefanutto, ex-presidente do INSS, foi demitido do cargo em abril, logo após primeira fase da operação Sem Desconto

Alessandro Stefanutto, ex-presidente do INSS, foi demitido do cargo em abril, logo após primeira fase da operação Sem Desconto

Foto: Divulgação/Lula Marques/Agência Brasil


À medida que operações foram deflagradas e desdobramentos se acumularam, o caso ganhou dimensão nacional, provocando afastamentos e demissões no INSS e abrindo espaço para o avanço de apurações no Congresso, incluindo uma CPMI para discutir responsabilidades e possíveis conexões entre entidades, operadores e agentes públicos.

PF mira repasses e entidades em esquema de descontos

No centro das investigações está a suspeita de que o ex-presidente do INSS teria recebido R$ 4 milhões em propina a partir de repasses articulados por entidades e intermediários vinculados a descontos em folha de benefícios. A Conafer aparece entre os canais mencionados no fluxo financeiro sob apuração.

As ações integram a Operação Sem Desconto, conduzida pela PF em conjunto com a Controladoria-Geral da União (CGU), que mira a estrutura de cobranças sobre benefícios previdenciários e o papel de agentes públicos na autorização e manutenção desses convênios.

Congresso trata caso como esquema com ramificações

Em novembro de 2025, a Agência Brasil informou que uma nova fase da Operação Sem Desconto atingiu “pessoas-chave” ligadas aos descontos ilegais, conforme declaração do presidente da CPMI, senador Carlos Viana (Podemos-MG). A reportagem também citava alvos e valores atribuídos a repasses a investigados nesse contexto.

Na Câmara dos Deputados, o portal oficial registrou que o relator da CPMI do INSS, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), acusou um advogado de intermediar propina e mencionou que o pai dele, ex-diretor do INSS, foi preso em uma das fases da operação. Os movimentos reforçam a avaliação, no Congresso, de que se trata de um esquema com ramificações e possível participação de pessoas ligadas à autarquia.

Em abril de 2025, o UOL noticiou que Alessandro Stefanutto pediu demissão após operação da PF e da CGU que apontou um golpe bilionário envolvendo descontos em benefícios. A saída do então presidente do INSS foi interpretada como um marco na escalada da crise dentro do órgão, em meio a medidas administrativas e ao aprofundamento das investigações.

Até o momento, a cifra de R$ 4 milhões aparece como suspeita apontada pela PF em reportagens, com detalhes mais específicos — como período exato, forma de pagamento e comprovação judicial — ainda dependendo de acesso integral a relatórios, inquéritos e decisões judiciais.

Efeitos para aposentados e pensionistas

Na prática, o avanço das apurações aumenta o escrutínio sobre descontos associativos na folha do INSS, tema que afeta diretamente aposentados e pensionistas. A tendência é de maior pressão por bloqueio ou suspensão de convênios, revisão de autorizações de cobranças e ampliação de análises sobre a legalidade desses descontos.

O volume de pedidos de ressarcimento e de contestação de débitos tende a crescer, ao lado de orientações mais enfáticas para que beneficiários acompanhem o extrato de pagamento e identifiquem cobranças não reconhecidas. Em estados com grande número de segurados, como Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro e Paraná, o tema já impacta agências, canais de atendimento e o volume de reclamações, com potencial de aumentar a judicialização.

Próximos passos nas investigações

A expectativa é que PF e CGU avancem na consolidação de provas, com quebras de sigilo, rastreamento de fluxos financeiros e novos depoimentos, mantendo o caso em destaque na CPMI do INSS. No plano administrativo, o instituto pode ser pressionado a reforçar mecanismos de validação de autorizações para descontos e a ampliar a transparência sobre as cobranças lançadas nos benefícios.

Para o público, o acompanhamento deve se concentrar em novas fases da Operação Sem Desconto, em eventuais denúncias do Ministério Público Federal e em decisões judiciais envolvendo bloqueio de bens e responsabilização de investigados. Em meio a esse cenário, a suspeita de que o ex-presidente do INSS teria recebido R$ 4 milhões em propina se firma como um dos pontos mais sensíveis e politicamente explosivos do caso.

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