Aluguel avança no Brasil e já ocupa quase 1 em cada 4 domicílios, aponta IBGE

Pnad Contínua mostra alta da moradia alugada de 18,4% em 2016 para 23,8% em 2025, enquanto a parcela de imóveis próprios caiu de 73% para 67%

17/04/2026 às 10:01 por Redação Plox

O Brasil registrou aumento na proporção de domicílios ocupados por aluguel e redução na participação de moradias ocupadas pelo próprio dono. Em 2016, 18,4% dos imóveis eram utilizados mediante locação; em 2025, esse percentual chegou a 23,8%.

Com isso, quase um em cada quatro imóveis no país foi ocupado por arrendamento no ano passado, de acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua: Características Gerais dos Domicílios e Moradores, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira (17/4).


Índice passou de 18,4% em 2016 para 23,8% em 2025. Pesquisa revela detalhes de moradias e perfil da população residente.

Índice passou de 18,4% em 2016 para 23,8% em 2025. Pesquisa revela detalhes de moradias e perfil da população residente.

Foto: Freepik.


Ocupação por proprietário recua no período

No mesmo intervalo, a participação de imóveis ocupados pelo próprio dono diminuiu. Em 2016, 73% dos domicílios tinham ocupação na condição de próprio de algum morador, somando moradias já pagas (66,8%) e ainda em pagamento (6,2%).

Em 2025, o indicador caiu para 67%, distribuído entre imóveis já pagos (60,2%) e ainda em pagamento (6,8%).

O que a pesquisa do IBGE investiga

A Pnad Características Gerais dos Domicílios e Moradores reúne informações sobre moradores e imóveis. No recorte da população, são observados itens como população residente, sexo, idade, cor ou raça e condição no domicílio. Já sobre as moradias, entram aspectos como condição de ocupação, material predominante em paredes, piso e telhado, além de serviços de saneamento básico, energia elétrica e posse de bens.

Para chegar aos resultados, foram consolidados dados de aproximadamente 168 mil domicílios. Segundo o levantamento, o Brasil tem 79,3 milhões de domicílios, sendo 65,6 milhões de casas (82,7%) e 13,6 milhões de apartamentos (17,1%). O restante é classificado como “habitação em casa de cômodos, cortiço ou cabeça de porco”.

Aluguel cresce mais rápido também em números absolutos

Apesar do aumento proporcional do aluguel, também houve crescimento, em números absolutos, de moradias ocupadas na condição de próprio de algum morador, quitado ou ainda pagando. Ainda assim, a expansão dos imóveis alugados ocorreu em ritmo mais acelerado.

A quantidade de domicílios ocupados mediante pagamento de aluguel passou de 12,3 milhões em 2016 para 18,9 milhões em 2025. No caso dos imóveis ocupados como próprios de algum morador, o número subiu de 48,64 milhões em 2016 para 53,15 milhões em 2025.

Proporção de apartamentos aumenta

Outro destaque do levantamento é o avanço dos apartamentos no total de moradias. Eles passaram de 13,7% (9,1 milhões) em 2016 para 17,1% (13,6 milhões) em 2025.

No sentido oposto, a participação das casas recuou de 86,1% para 82,7%. O restante permanece na categoria “habitação em casa de cômodos, cortiço ou cabeça de porco”.

Especialista aponta fatores e desafios de política habitacional

A coordenadora de Projetos de Construção do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre), Ana Maria Castelo, atribui o crescimento dos imóveis ocupados por aluguel a diferentes fatores, como o aumento de domicílios unipessoais e o fato de que nem todas as pessoas pretendem ter imóvel próprio.

Às vezes pode ser uma opção, dependendo do momento de vida, você prefere alugar do que comprar um imóvel. Isso pode ter a ver com o seu contexto de vida. Você é um jovem, terminou a faculdade, está começando a sua vida profissional agora, ainda não tem ideia de que caminho vai percorrer, se vai ficar em São Paulo, por exemplo, se vai para outra cidade Ana Maria Castelo

Ela também vê espaço para aprimoramento em políticas habitacionais, citando a concessão de aluguel social e o programa Minha Casa Minha Vida, do governo federal.

Ao comentar o déficit habitacional (com dados observados até 2024), Castelo destaca o crescimento do componente relacionado a famílias que ganham até três salários mínimos e comprometem mais de 30% da renda com aluguel.

Diferenças regionais e estaduais na moradia própria

A condição de moradia varia conforme a região. O Nordeste tem a maior proporção de imóveis ocupados por proprietário, considerando tanto o estabelecimento pago (69,8%) quanto ainda em pagamento (2,5%). Na outra ponta está o Centro-Oeste, onde 60% dos domicílios são ocupados por proprietário, somando imóveis já pagos (51,1%) e ainda pagando (8,9%).

Entre os estados, as maiores proporções de domicílios ocupados por proprietário (quitados ou ainda em pagamento) aparecem no Maranhão (80,5%), seguido por Piauí (78,9%), Pará (76,4%), Amapá (76,1%) e Acre (74,3%).

As menores taxas foram registradas no Distrito Federal (55,3%), Goiás (60,5%), Mato Grosso (61,3%), Mato Grosso do Sul (61,3%) e Roraima (62,5%).

Perfil dos moradores: menos pessoas por domicílio e mais residências unipessoais

A pesquisa também traçou um retrato do perfil de quem vive nos domicílios do país. Em nove anos, a média de moradores por residência caiu de 3 para 2,7. O Amazonas tem a maior média, com 3,3 moradores por domicílio, enquanto Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul registram o menor indicador, ambos com 2,7.

O levantamento aponta ainda mudanças na constituição familiar. De 2012 a 2025, cresceu o número de residências ocupadas por apenas um morador (residências unipessoais), ao mesmo tempo em que houve redução das nucleares estendidas — modelo formado pela pessoa responsável com pelo menos um parente que não seja cônjuge, pai, mãe ou filho.

Nas residências unipessoais, os homens são maioria: 54,9%, ante 45,1% de mulheres. A distribuição por idade nesse grupo é de 12% entre 15 e 29 anos, 46,8% entre 30 e 59 anos e 41,2% com 60 anos ou mais.

População: mulheres são maioria e há variação entre estados

No total da população, os homens representam 48,8% e as mulheres, 51,2%. Em 2012, a proporção era de 48,9% para homens e 51,1% para mulheres.

O país tem 95,1 homens para cada 100 mulheres, mas o índice varia entre os estados. Tocantins e Mato Grosso registram 101,5 homens para 100 mulheres, enquanto o Rio de Janeiro tem 91,4 homens para 100 mulheres.

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