Número de pessoas vivendo sozinhas cresce com o envelhecimento no Brasil
Segundo a PNAD Contínua, número de lares unipessoais mais que dobrou desde 2012 e avanço é associado a envelhecimento, mudanças familiares e deslocamentos por trabalho
17/04/2026 às 10:23por Redação Plox
17/04/2026 às 10:23
— por Redação Plox
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Viver sozinho deixou de ser um arranjo raro no Brasil e tem avançado de forma consistente. Em 2025, quase um em cada cinco domicílios do país (19,7%) tinha apenas um morador, segundo dados da PNAD Contínua, divulgados pelo IBGE nesta sexta-feira (17).
A mudança se torna ainda mais evidente quando observada ao longo da última década. Em 2012, os domicílios unipessoais representavam 12,2% das residências brasileiras. Em números absolutos, passaram de 7,5 milhões para 15,6 milhões — um crescimento de 109,8% no período.
Número de pessoas vivendo sozinhas cresce com o envelhecimento no Brasil.
Foto: Freepik.
Envelhecimento da população impulsiona domicílios unipessoais
Para o analista do IBGE William Kratochwill, a expansão acompanha transformações demográficas e familiares que vêm se consolidando no país, com destaque para o envelhecimento da população.
À medida que a expectativa de vida aumenta e as famílias passam por reconfigurações, cresce o número de pessoas que passam a viver sozinhas em etapas mais avançadas da vida
William Kratochwill
Além disso, a saída dos filhos de casa e a viuvez tornam-se mais frequentes em uma sociedade que envelhece, ampliando esse tipo de arranjo residencial.
Diferenças entre homens e mulheres
Entre as pessoas que vivem sozinhas, os homens ainda são maioria. Em 2025, eles representavam 54,9% dos moradores de domicílios unipessoais.
De acordo com Kratochwill, entre os homens esse tipo de arranjo costuma estar associado a separações — quando os filhos permanecem com a mãe — ou a deslocamentos motivados pelo trabalho, especialmente em centros urbanos mais dinâmicos.
Entre as mulheres, o perfil é diferente: mais da metade das que viviam sozinhas em 2025 (56,5%) tinha 60 anos ou mais. Segundo o analista, o padrão se relaciona sobretudo à maior longevidade feminina, à viuvez e a separações em idade mais avançada, além da escolha de muitas mulheres por manter autonomia residencial.
Os dados também indicam diferenças nos demais arranjos familiares. Nos domicílios nucleares, formados por casais com ou sem filhos, a participação entre homens e mulheres é mais equilibrada. Já nos domicílios estendidos, que incluem parentes além do núcleo familiar, as mulheres são maioria entre os responsáveis.
Apesar do avanço das moradias individuais, o arranjo nuclear segue predominante no país. Em 2025, esse formato ainda representava 65,6% dos domicílios brasileiros, embora sua participação venha diminuindo ao longo do tempo.
Sudeste concentra mais lares de uma pessoa; capitais elevam a proporção
A presença de domicílios unipessoais é mais elevada nas regiões mais envelhecidas e urbanizadas do país. Em 2025, o Sudeste registrava 20,9% dos lares formados por apenas uma pessoa, seguido pelo Centro-Oeste, com 20%. No outro extremo, o Norte tinha 15,1%.
Nas capitais, a proporção é ainda maior. Em Florianópolis, por exemplo, 30,5% dos domicílios tinham apenas um morador — a maior participação entre as capitais analisadas.
Segundo Kratochwill, os resultados refletem uma combinação de envelhecimento populacional, maior urbanização e o papel de grandes cidades como polos de trabalho e estudo. Ainda assim, o crescimento mais acelerado desde 2012 ocorreu no Norte e no Nordeste, onde o número de domicílios unipessoais aumentou 131% no período.
País envelhece e desacelera o crescimento populacional
As mudanças nos arranjos familiares ocorrem em paralelo a uma transformação mais ampla na estrutura demográfica brasileira. Em 2025, a população chegou a 212,7 milhões de pessoas. No mesmo intervalo, a participação de idosos cresceu: a parcela de brasileiros com 60 anos ou mais passou de 11,3% em 2012 para 16,6%.
Já o grupo com 65 anos ou mais representa atualmente 11,6% da população.
No sentido oposto, o número de brasileiros com menos de 30 anos diminuiu 10,4% em termos absolutos desde 2012, refletindo a queda da fecundidade e a redução do número de nascimentos ao longo dos últimos anos.
De acordo com Kratochwill, a pirâmide etária revela um país em transição demográfica: a base, formada por crianças e jovens, está mais estreita, enquanto as faixas adultas e idosas passam a ter peso proporcionalmente maior.
Os dados indicam que os grupos até cerca de 20 anos perderam participação na população, enquanto as faixas acima dos 40 anos ganharam peso relativo ao longo do período. O analista destaca ainda que o grupo de 30 a 39 anos, que apresentava crescimento no início da série histórica, passou a registrar retração a partir de 2017.
Além do envelhecimento, o país também registra desaceleração do crescimento populacional. A taxa anual de expansão, que era de 0,78% em 2013, passou a girar em torno de 0,40% nos últimos quatro anos, indicando um processo gradual de estabilização demográfica.
Outro reflexo aparece na distribuição por sexo nas idades mais avançadas. A partir dos 60 anos, há 78,9 homens para cada 100 mulheres, resultado da mortalidade masculina historicamente mais elevada no país.