PF apreende carros de luxo, armas e dinheiro em operação contra MCs e influenciadores por lavagem de R$ 1,6 bi
Operação Narco Fluxo cumpriu 39 mandados de prisão temporária e 45 de busca e apreensão em oito estados e no DF, com apreensão de carros de luxo, armas, joias e dinheiro
17/04/2026 às 09:44por Redação Plox
17/04/2026 às 09:44
— por Redação Plox
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A Polícia Federal (PF) deflagrou na quarta-feira (15) a Operação Narco Fluxo para desarticular uma organização criminosa suspeita de lavar mais de R$ 1,6 bilhão provenientes do crime organizado.
Entre os alvos da ação, que resultou na prisão dos funkeiros MC Ryan SP e MC Poze do Rodo, além dos influenciadores Chrys Dias e Raphael Sousa (da página Choquei), a polícia confiscou um patrimônio de luxo apontado como estratégia para ocultar a origem ilícita dos recursos.
Carro de luxo, dinheiro e relógio Rolex apreendido em operação da PF contra funkeiros e influenciadores
Foto: Reprodução
Bens apreendidos incluem carros de luxo, armas e joias
A PF divulgou o balanço consolidado dos bens apreendidos na operação:
55 carros de luxo e motocicletas (avaliados em mais de R$ 20 milhões);
120 armas e munições;
56 itens de joias e relógios (incluindo modelos da marca Rolex);
53 celulares;
56 mídias eletrônicas (computadores, tablets e notebooks);
R$ 300 mil em espécie;
US$ 7,3 mil em espécie (algo em torno de R$ 36 mil);
documentos e registros financeiros.
Entre os itens que mais chamaram atenção, a PF informou a apreensão de uma Mercedes-Benz G63 rosa avaliada em R$ 2 milhões e de uma réplica de um carro de Fórmula 1 da McLaren, encontradas na mansão de Chrys Dias.
Na residência de MC Ryan SP, os agentes apreenderam um colar de ouro com a imagem de Pablo Escobar emoldurada pelo mapa de São Paulo.
Operação Narco Fluxo mobilizou 200 policiais e cumpriu mandados em oito estados
A ofensiva é um desdobramento das operações Narco Vela e Narco Bet, realizadas entre 2023 e 2024, que já investigavam a exportação de drogas e o uso de apostas para ocultar valores.
Ao todo, 200 policiais federais foram mobilizados para cumprir 39 mandados de prisão temporária e 45 de busca e apreensão.
A ação ocorreu de forma simultânea em oito estados — São Paulo, Rio de Janeiro, Pernambuco, Espírito Santo, Maranhão, Santa Catarina, Paraná e Goiás — além do Distrito Federal.
A 5ª Vara Federal de Santos, responsável pelo caso, determinou o sequestro de bens e o bloqueio de ativos dos investigados para evitar a dissipação do patrimônio.
Investigação aponta uso do setor artístico como fachada para lavagem de dinheiro
Segundo a investigação, a organização utilizava o setor artístico e o entretenimento digital como fachada para
limpar
recursos ilícitos.
De acordo com a apuração, o dinheiro teria origem no tráfico internacional de mais de três toneladas de cocaína enviadas ao exterior, além de apostas em bets ilegais e rifas digitais clandestinas.
Para ocultar os valores, o grupo aplicava técnicas como:
Smurfing: realização de centenas de transferências fracionadas em pequenos valores para evitar o radar do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf);
Empresas de fachada e laranjas: uso de produtoras musicais, como a Bololô Records, e estabelecimentos como o Bololô Restaurant & Bar, para misturar receitas legítimas com dinheiro do crime;
Criptoativos: conversão de valores em moedas digitais para dificultar o rastreio pelas autoridades;
Influenciadores de massa: uso de figuras públicas com milhões de seguidores para movimentar quantias sem despertar suspeitas imediatas nos sistemas de conformidade bancária.
Perfis de MC Ryan SP e Chrys Dias saíram do ar após as prisões
Após as prisões, as contas oficiais de MC Ryan SP e do influenciador Chrys Dias no Instagram foram retiradas do ar.
Segundo o texto, MC Ryan SP — apontado como o artista mais ouvido do Brasil no Spotify — reunia mais de 15 milhões de seguidores na rede social, enquanto Chrys Dias somava mais de 14 milhões.
Atualmente, usuários que tentam acessar as páginas veem a mensagem de que o conteúdo não está disponível. Questionada sobre a suspensão dos perfis, a Meta informou que não irá comentar o caso.
Defesas alegam legalidade das transações e pedem acesso ao processo
A defesa de MC Ryan SP afirma que o artista é íntegro, que todas as suas transações são lícitas e que os valores em suas contas possuem origem comprovada.
O advogado de MC Poze do Rodo informou que ainda não teve acesso aos autos, mas que se manifestará na Justiça para restabelecer a liberdade do cantor.
A defesa de Raphael Sousa sustenta que seu vínculo com os investigados é estritamente publicitário, referente à comercialização de espaço de divulgação digital.
A defesa de Chrys Dias não foi localizada até a última atualização desta reportagem.