Quadrilha que roubava remédios de alto custo teria movimentado R$ 22 milhões em um ano, aponta PCDF
Operação Alto Custo investiga esquema de “lavagem de medicamentos” com empresas de fachada e notas fiscais frias em Goiânia e no Entorno do DF; cinco prisões preventivas foram decretadas
17/04/2026 às 08:52por Redação Plox
17/04/2026 às 08:52
— por Redação Plox
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O líder de uma organização criminosa especializada em furto e roubo de medicamentos de altíssimo valor — incluindo remédios usados no tratamento de pacientes com câncer — movimentou cerca de R$ 22 milhões em apenas um ano. O montante, segundo a investigação, foi obtido por meio de um sistema estruturado de “lavagem de medicamentos”, no qual empresas de fachada emitiam notas fiscais frias para dar aparência de legalidade a produtos roubados.
O esquema foi revelado pela 10ª DP durante o cumprimento da operação Alto Custo. Ao todo 17 mandados de busca e apreensão foram cumpridos
Foto: Divulgação/PCDF
Movimentação de dinheiro chegou a Goiânia e cidades do Entorno
De acordo com as investigações da 10ª Delegacia de Polícia (Lago Sul), a movimentação milionária ocorreu em Goiânia (GO). As diligências também indicam que cidades do Entorno do Distrito Federal, como Valparaíso de Goiás (GO) e Novo Gama (GO), receberam movimentações financeiras do grupo.
Operação Alto Custo cumpriu mandados e prendeu suspeitos
O esquema foi revelado pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) durante o cumprimento da operação Alto Custo. Ao todo, foram cumpridos 17 mandados de busca e apreensão e decretadas cinco prisões preventivas, com apoio da Divisão de Operações Especiais (DOE), além da Polícia Civil de Goiás (PCGO) e da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
Remédios para câncer, com caixas acima de R$ 80 mil, estavam entre os alvos
Entre os principais alvos da organização estavam medicamentos usados no tratamento de câncer, com preços que podem ultrapassar R$ 80 mil por caixa. Segundo a apuração, remédios como Imbruvica, Venclexta e Tagrisso eram frequentemente roubados ou desviados devido ao alto valor de mercado e à demanda no sistema de saúde.
Investigação identificou desvios dentro de empresa farmacêutica
As diligências também apontaram um esquema interno: 13 funcionários de uma empresa farmacêutica foram identificados como responsáveis por desviar medicamentos diretamente de dentro da própria companhia. Conforme a investigação, eles usavam artifícios para mascarar os furtos e evitar suspeitas. Todos foram indiciados, assim como os líderes do grupo, capturados durante a operação.
Falhas no armazenamento podem ter comprometido a eficácia dos medicamentos
Outro ponto que chamou atenção durante as investigações foi o pós-roubo: os medicamentos, segundo a polícia, não eram armazenados sob condições adequadas de refrigeração, o que é fundamental para preservar a eficácia dessas substâncias.
Sem esse cuidado, parte dos produtos poderia perder completamente o efeito terapêutico, tornando-se, na prática, placebos. Em alguns casos, ainda haveria risco de danos à saúde dos pacientes.
Impacto vai além do prejuízo financeiro, aponta a polícia
Segundo a polícia, o prejuízo não se limita ao aspecto financeiro. Ao desviar medicamentos essenciais e de altíssimo custo, a organização compromete diretamente o tratamento de pacientes que dependem dessas substâncias, ampliando a gravidade do crime.