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Em uma nova decisão que agita o cenário político e jurídico, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, determinou que o Google informe quem foi o responsável por publicar, em domínio público, uma suposta minuta de golpe de Estado. A ordem atende a um pedido feito pela defesa de Anderson Torres, ex-ministro da Justiça no governo de Jair Bolsonaro.
Foto: STF Esse documento, cuja versão é similar àquela localizada pela Polícia Federal durante buscas na residência de Torres em Brasília no início de 2023, teria sido pauta de reuniões conduzidas pelo ex-presidente após a derrota eleitoral em 2022. A investigação busca esclarecer se o conteúdo divulgado digitalmente é o mesmo citado nos autos e discutido por aliados do então presidente.
Segundo a decisão do ministro, os novos passos investigativos têm fundamento na continuidade da instrução processual. Moraes destaca que a questão envolvendo as minutas de golpe tem sido levantada tanto por testemunhas quanto pelos próprios acusados, justificando a relevância do novo requerimento.
A defesa de Torres argumenta que é essencial realizar uma perícia técnica no conteúdo digital atribuído ao Google, com o objetivo de demonstrar que esse material “não possui qualquer semelhança” com os outros documentos considerados antidemocráticos que foram mencionados ao longo da investigação.
“Constata-se que as diligências complementares decorrem de instrução processual, considerando que as minutas de Golpe de Estado descritas na acusação foram objeto de indagação de testemunhas e dos réus, o que demonstram a pertinência do requerimento”, destacou Moraes em seu despacho
Torres responde como réu no inquérito que investiga uma tentativa de golpe de Estado após o pleito de 2022. A Polícia Federal o classifica como parte de um “núcleo crucial” da articulação golpista, que incluiria ainda Bolsonaro e outros seis aliados.
Em outro ponto relevante da mesma decisão, Moraes também autorizou a realização de uma acareação entre Anderson Torres e o general Marco Antônio Freire Gomes, ex-comandante do Exército. Esse encontro, marcado para ocorrer na sede do STF em Brasília, está previsto para a próxima terça-feira.
Ambos fazem parte do grupo de oito investigados que já prestaram depoimentos no processo conduzido pela Primeira Turma do STF. Essa composição inclui os ministros Cristiano Zanin (presidente do colegiado), Luiz Fux, Flávio Dino, Cármen Lúcia, além de Moraes.
A decisão ocorre logo após o fim do prazo dado para que as defesas dos réus apresentassem pedidos de novas diligências — o que marca a aproximação da etapa final antes do julgamento do caso, envolvendo a trama golpista que abala o núcleo político do país.