Todas as bebidas adulteradas no Estado de SP saíam da mesma família , diz delegado-geral
Polícia Civil desmantela fábrica clandestina em São Bernardo do Campo responsável por produzir bebidas que resultaram em pelo menos seis mortes por intoxicação
17/10/2025 às 16:04por Redação Plox
17/10/2025 às 16:04
— por Redação Plox
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A Polícia Civil de São Paulo acredita que todas as bebidas adulteradas com metanol apreendidas no Estado tenham sido produzidas em uma fábrica clandestina operada por uma família em São Bernardo do Campo, no ABC Paulista.
O chefe da Polícia Civil de São Paulo, Artur Dian,
Foto: Redes Sociais
Investigação aponta responsável pelo esquema
Segundo as autoridades, Vanessa Maria da Silva é apontada como a principal responsável pelo esquema e foi presa em flagrante na semana passada. Sua defesa não foi localizada até o momento.
A gente consegue estabelecer um vínculo grande que todas as bebidas saíram, em algum momento, desse círculo familiar que envolve a Vanessa. É óbvio que a investigação continua. O primeiro ciclo dessa cadeia criminosa foi fechado com a operação de hoje. – Artur Dian, delegado-geral da Polícia de São Paulo
Cadeia de produção envolvia família e postos de combustíveis
A investigação identificou que o esquema incluía não apenas Vanessa, mas também seu irmão, pai e cunhado, todos detidos. A família recebia etanol adulterado com metanol de dois postos de combustíveis da região. Os policiais chegaram até esses locais a partir de movimentações financeiras ligadas ao núcleo familiar.
As bebidas adulteradas eram distribuídas para bares e restaurantes, principalmente no Estado de São Paulo. Segundo a polícia, parte das mortes e casos graves de intoxicação já foi diretamente relacionada à fábrica clandestina.
Vítimas e operação policial
O caso ganhou força após a investigação das mortes de dois homens, Ricardo Lopes e Marcos Antônio Jorge Júnior, que consumiram bebida contaminada em um bar da Mooca, já interditado pela Vigilância Sanitária. O estabelecimento declarou colaborar com as investigações e afirma adquirir apenas produtos de fornecedores oficiais, com nota fiscal.
Abastecimento irregular e possível abrangência
De acordo com a polícia, o etanol com metanol utilizado nas bebidas saiu de dois postos do ABC e foi comprado para o esquema clandestino. A origem da substância permanece sendo apurada, inclusive pela Polícia Federal, que investiga se o metanol é proveniente de materiais abandonados por criminosos em operações policiais.
As autoridades descartam qualquer envolvimento de facções criminosas com o esquema até o momento, afastando uma possível ligação com a operação Carbono Oculto.
O combustível que estava na casa da Vanessa foi comprado nesses postos de gasolina e foi constatado que essas bombonas continham etanol com metanol. – Artur Dian, delegado-geral da Polícia de São Paulo
Seguem apurações sobre a extensão do caso
A polícia investiga se a fábrica de São Bernardo do Campo teria fornecido bebidas adulteradas a outros municípios ou Estados, mas ainda não há confirmação dessa expansão. O inquérito segue em andamento para verificar a possível abrangência da distribuição irregular.
Até agora, seis mortes em São Paulo são atribuídas ao consumo das bebidas contaminadas, incluindo casos com consequências graves, como perda de visão.