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Pequenos pontinhos de cor cinza em quase todo o fundo do copo de açaí examinado pela perícia confirmam a presença de veneno na bebida consumida por um jovem de 27 anos em Ribeirão Preto (SP). Segundo a apuração, o caso é tratado como suspeita de envenenamento e a Polícia Civil busca definir em que momento a substância foi adicionada ao alimento.
A EPTV, afiliada da TV Globo, apurou que o material encontrado no copo é terbufós, um dos principais princípios ativos do chamado chumbinho, usado como agrotóxico. Em seres humanos, a substância é considerada altamente tóxica.
A vítima, Adenilson Ferreira Parente, passou mal após consumir o açaí e precisou ser internada em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Durante a internação, surgiram as primeiras suspeitas de que ele poderia ter sido envenenado. Após alguns dias, ele recebeu alta e já se recuperou.
Substância encontrada em copo de açaí consumido por jovem que passou mal em Ribeirão Preto, SP, é terfubós
Foto: Reprodução/EPTV
O caso aconteceu em 5 de fevereiro, quando Adenilson e a então namorada, Larissa de Souza, foram até uma loja na Avenida Barão do Bananal, na Zona Leste de Ribeirão Preto, para retirar dois copos de açaí.
Imagens de câmeras de segurança analisadas pela polícia mostram o momento em que o casal chega de carro em casa. Larissa aparece carregando uma sacola com os dois copos e entrega um deles ao namorado antes de entrar na residência.
Nas gravações, é possível ver que Adenilson deixa o copo no chão e sai com o carro. Minutos depois, Larissa volta, recolhe o açaí e entra novamente na casa. Em seguida, o jovem retorna ao imóvel e permanece no local por cerca de 20 minutos.
A Polícia Civil informou que vai investigar se o copo foi envenenado dentro da casa da vítima. A possibilidade de contaminação no estabelecimento de açaí foi descartada pelas autoridades desde o início das apurações.
Segundo a investigação, o preparo do produto foi filmado e, em nenhum momento, as gravações indicaram atitude suspeita por parte dos funcionários da loja.
Imagens de câmera de segurança mostram jovens na porta de casa antes de homem passar mal após tomar açaí em Ribeirão Preto, SP
Foto: Reprodução/Câmera de segurança
Larissa de Souza é investigada como uma das suspeitas de envolvimento no caso. Em depoimento à polícia, prestado em 19 de fevereiro, Larissa negou ter envenenado o alimento consumido por Adenilson. O inquérito segue em andamento, classificado como tentativa de homicídio.
O delegado responsável pelo caso, José Carvalho de Araújo Júnior, destacou o período em que o copo ficou sob manuseio antes de Adenilson passar mal, com base nas imagens das câmeras de segurança.
Em algum momento, alguém colocou veneno no copo. Então este momento nos leva a entender de que ali ela estava manuseando este copo de alguma forma. Então, estamos agora investigando a respeito deste fato.
delegado José Carvalho de Araújo Júnior
De acordo com o toxicologista Danilo Dorta, da Universidade de São Paulo (USP), o terbufós é usado principalmente para controle de pragas de solo em plantações. Em humanos, trata-se de uma substância de alta toxicidade, capaz de provocar uma série de sintomas.
Entre os efeitos descritos pelo especialista estão náuseas, sudorese intensa, aumento da salivação e miose — quando a pupila fica extremamente contraída, dando a impressão de estar em formato pontiforme. Em concentrações mais elevadas, a intoxicação pode ser letal.
O caso reforça o alerta para sinais de intoxicação após a ingestão de alimentos ou bebidas e a importância de preservar recipientes e amostras para viabilizar a perícia, além de procurar atendimento médico imediato diante de sintomas graves.
Polícia investiga a mulher de jovem envenenado após comer açaí em Ribeirão Preto, SP
Foto: Reprodução/Câmeras de segurança
Além do laudo que apontou a presença de veneno, a polícia se apoia nas imagens de câmeras para reconstituir o trajeto do copo de açaí e o modo como ele foi manuseado após a compra.
Por volta das 20h do mesmo dia, a câmera de segurança da loja registrou o retorno do casal ao estabelecimento para reclamar da compra. Ainda assim, as autoridades descartaram a hipótese de envenenamento dentro do local, com base nas filmagens internas do preparo do produto.
As investigações seguem com foco na cadeia de custódia do copo — do momento em que ele foi retirado na loja até a ingestão por Adenilson — para esclarecer onde e por quem o veneno foi colocado.