STF: 2ª Turma decide hoje sobre possível liberação da prisão preventiva de Daniel Vorcaro
Em sessão virtual iniciada em 13/03/2026, colegiado avalia se referenda ou revisa decisão individual do ministro André Mendonça no caso ligado ao Banco Master
O dólar abriu a sessão desta quarta-feira (18) praticamente estável, em meio a um cenário de incerteza que combina decisões de juros no Brasil e nos Estados Unidos com a escalada da guerra no Oriente Médio. Por volta das 9h24, a moeda americana subia 0,25%, cotada a R$ 5,2123. O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, inicia as negociações às 10h.
Os investidores acompanham a chamada “Superquarta”, quando serão anunciadas as novas decisões de política monetária do Banco Central do Brasil e do Federal Reserve (Fed), o banco central americano, ao mesmo tempo em que monitoram o avanço do conflito que mantém o Estreito de Ormuz no centro das tensões globais e pressiona o preço do petróleo.
Dólar, moeda norte-americana
Foto: Free Pik
No Brasil, a maior parte do mercado projeta um corte de 0,25 ponto percentual na taxa Selic, o que levaria os juros básicos a 14,75% ao ano. Se confirmada, será a primeira redução desde maio de 2024, após quase dois anos de estabilidade. A decisão é vista como um teste importante para o equilíbrio entre controle da inflação e estímulo à atividade econômica.
Nos Estados Unidos, a expectativa predominante é de manutenção das taxas pelo Fed, em meio à avaliação dos efeitos da inflação, do mercado de trabalho e dos riscos geopolíticos recentes. Qualquer sinalização sobre o ritmo futuro de ajustes tende a repercutir diretamente no apetite por risco e na cotação do dólar frente às moedas emergentes, incluindo o real.
Na prática, a combinação de juros em patamares elevados e tensão externa tem ampliado a volatilidade do câmbio e das commodities, com impactos sobre a inflação, o custo do crédito e a formação de preços no Brasil.
Sem perspectiva clara de trégua nos ataques envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, economistas avaliam que os impactos do conflito, tanto locais quanto globais, dependerão da duração da guerra. Até agora, porém, não há sinais de arrefecimento, e o Estreito de Ormuz segue como ponto nevrálgico.
Os Estados Unidos informaram ter usado bombas de penetração profunda contra sistemas antiembarcação do Irã ao longo da principal rota global de petróleo, com o objetivo de reabrir o estreito, fechado por Teerã desde o início da guerra. Enquanto isso, o petróleo permanece pressionado, com cotações acima de US$ 100 o barril, elevando os riscos para a inflação mundial.
Por volta das 8h51, o barril do tipo Brent subia 0,72%, negociado a US$ 104,16, enquanto o WTI avançava 1,15%, a US$ 94,43.
A tensão diplomática também cresceu. Ontem, a França se alinhou a outros países da Otan e rejeitou o pedido dos Estados Unidos para ajudar na liberação do Estreito de Ormuz. A decisão contraria declaração anterior de Donald Trump de que Paris apoiaria a iniciativa. O presidente americano classificou a recusa dos aliados como “erro muito tolo”.
Após uma breve trégua, os preços do petróleo voltaram a disparar na terça-feira. O apelo de Trump pela reabertura do tráfego no estreito e a liberação de reservas estratégicas por outros países chegaram a aliviar a pressão sobre a commodity, mas o efeito foi curto. Pelo menos três países europeus recusaram o pedido para envio de navios militares à região, incluindo a Alemanha, que rejeitou a participação da Otan na crise.
Na terça, o assessor econômico da Casa Branca, Kevin Hassett, afirmou à emissora “CNBC” que petroleiros estão “começando a passar aos poucos” pelo Estreito de Ormuz e reiterou a avaliação de que a guerra com o Irã deve durar semanas, e não meses.
Ao mesmo tempo, ataques recentes à infraestrutura energética de outros países vêm comprometendo o escoamento global de petróleo. Segundo a Reuters, o carregamento no porto de Fujairah, nos Emirados Árabes Unidos, foi parcialmente interrompido após um terceiro ataque em quatro dias provocar incêndio no terminal de exportação, enquanto o campo de gás Shah segue com operações suspensas.
Com isso, a produção do terceiro maior produtor da Opep caiu mais da metade, intensificando a pressão sobre os preços de energia e agravando a crise no mercado internacional.
No Brasil, os efeitos da guerra já aparecem para os consumidores. O recente reajuste do diesel pela Petrobras, somado à alta do petróleo, elevou os custos de transporte e levou caminhoneiros a ameaçarem uma nova paralisação.
Autoridades federais anunciaram que a Polícia Federal deve investigar eventuais preços abusivos de combustíveis, enquanto órgãos de defesa do consumidor reforçam a fiscalização. Entre eles, o Procon da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) informou que passará a monitorar a evolução dos preços dos combustíveis no mercado local para apurar possível prática abusiva durante o conflito no Oriente Médio.
A maior preocupação é com o repasse rápido da alta do petróleo para diesel e gasolina, o que pressiona o frete, encarece o transporte de cargas e tende a chegar aos preços de alimentos e serviços. Em estados com forte dependência do modal rodoviário, como Minas Gerais, São Paulo, Paraná e Rio de Janeiro, o impacto costuma ser mais imediato.
O ambiente de incerteza também se reflete nas estatísticas recentes do câmbio e da bolsa. No caso do dólar:
Acumulado da semana: -2,17%;
Acumulado do mês: +1,27%;
Acumulado do ano: -5,28%.
Já o Ibovespa apresenta o seguinte desempenho:
Acumulado da semana: +1,55%;
Acumulado do mês: -4,44%;
Acumulado do ano: +11,97%.
Em momentos de estresse geopolítico, a moeda americana costuma ganhar força como “porto seguro”, o que encarece produtos importados e insumos dolarizados. O movimento reforça a pressão sobre a inflação, sobretudo quando ocorre simultaneamente à disparada do petróleo.
No front militar, Israel afirmou ter matado Ali Larijani, chefe do Conselho Supremo de Segurança do Irã e uma das principais figuras do regime, em um bombardeio de precisão em Teerã. A ação teria ocorrido na noite de segunda-feira, segundo autoridades israelenses, mas não foi confirmada pelo governo iraniano.
Aliado próximo à liderança do país, Larijani vinha ganhando influência em meio à guerra contra Estados Unidos e Israel, que seguem realizando ataques frequentes ao território iraniano.
No campo doméstico, o Índice Geral de Preços-10 (IGP-10), calculado pela Fundação Getulio Vargas (FGV), apontou queda de 0,24% em março, marcando mais um mês de recuo. Em 12 meses, a retração chega a 2,53%.
O IGP-10 é usado como referência para reajustes de contratos, como aluguel, energia e alguns serviços, por captar tanto a dinâmica de preços no atacado quanto no varejo. Segundo a FGV, o movimento recente foi puxado principalmente pela redução nos preços de produtos básicos no atacado, como alimentos e matérias-primas.
Para o consumidor, os preços ficaram praticamente estáveis, enquanto os custos da construção ainda subiram, mas de forma mais moderada. O desafio é saber por quanto tempo esse alívio se sustentará diante da pressão do petróleo e de um dólar mais forte.
Na política, pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta terça-feira indica que 56% dos brasileiros já definiram o voto para presidente, enquanto 43% ainda podem mudar de candidato.
O grau de convicção é mais alto entre eleitores de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), com mais de 60% declarando que a escolha é definitiva. Já entre apoiadores de Ratinho Júnior e Romeu Zema, predomina a possibilidade de mudança de voto.
Homens e eleitores mais velhos tendem a ter decisão mais consolidada, enquanto mulheres, jovens e moradores do Sudeste aparecem mais indecisos, desenhando um quadro ainda aberto para rearranjos na disputa.
Em Wall Street, os principais índices encerraram a terça-feira em alta, em um pregão marcado pela expectativa em torno da decisão do Fed e pelo impasse no Estreito de Ormuz. O Dow Jones avançou 0,10%, o S&P 500 subiu 0,25% e o Nasdaq ganhou 0,47%.
Na Ásia, o tom foi de cautela. Em Xangai, o índice local recuou 0,9%, enquanto o CSI300, que reúne empresas listadas em Xangai e Shenzhen, caiu 0,7%. Em Hong Kong, o Hang Seng teve alta de 0,1%, e, em Tóquio, o Nikkei cedeu 0,1%.
No curto prazo, o eixo central dos mercados permanece na combinação entre Superquarta, dólar e petróleo em meio à crise no Estreito de Ormuz, com investidores tentando medir o alcance dos choques sobre a inflação, os juros e o crescimento global.