STF: 2ª Turma decide hoje sobre possível liberação da prisão preventiva de Daniel Vorcaro
Em sessão virtual iniciada em 13/03/2026, colegiado avalia se referenda ou revisa decisão individual do ministro André Mendonça no caso ligado ao Banco Master
Em depoimento à Polícia Civil na segunda-feira (16), Marcelo Rodrigues Miranda, de 44 anos, detalhou como teria sido o dia anterior ao assassinato da ex-companheira Ranielly Raissa Aparecida Silva, de 32, em Uberlândia (MG). Ele relatou que, na manhã de domingo (15), foi a um culto religioso acompanhado do filho do casal e, em seguida, consumiu bebida alcoólica na casa de uma prima. O crime, segundo a investigação, aconteceu horas depois, na residência de Ranielly, na presença da criança.
Segundo testemunhas, o homem já havia ameaçado matar Ranielly
Foto: Redes sociais/reprodução
De acordo com o conteúdo apresentado à Polícia Civil, Marcelo afirmou que ficou abalado ao descobrir que Ranielly mantinha um relacionamento com outra pessoa. Ainda conforme o depoimento, ele disse que decidiu matá-la quando fosse devolver o filho, alegando que a ex-companheira teria enviado mensagens que o “inferiorizavam”.
A versão do suspeito foi parcialmente confirmada por uma prima, que também prestou depoimento. Ela relatou que aconselhou o primo a superar o término do relacionamento, mas que ele dizia não aguentar mais a situação e reclamava que Ranielly fazia chacota dele.
Segundo a investigação, no domingo (15), Marcelo foi até a casa da vítima com o filho e, após uma discussão, atacou Ranielly com uma faca na frente da criança. Ele não soube informar quantos golpes desferiu, mas afirmou que foram vários. Depois do ataque, fugiu com o menino e passou por casas de familiares antes de ser localizado pela polícia.
Sejusp confirmou que Marcelo teve 5 passagens pelo sistema prisional em Uberlândia
Foto: Redes Sociais/Reprodução
A prima do investigado relatou que Marcelo retornou à casa dela no fim da tarde de domingo, já dirigindo o carro do irmão, e confessou o crime. Ela disse ainda que orientou o primo a se entregar às autoridades, mas saiu em seguida do local em um carro por aplicativo, levando o filho do casal.
A testemunha afirmou que a criança aparentava estar abalada e sem entender o que havia acontecido. Informações de pessoas próximas indicam que Marcelo já havia ameaçado matar Ranielly antes do feminicídio.
Em nota, a Defensoria Pública de Minas Gerais, responsável pela defesa de Marcelo no procedimento criminal, informou que não se manifesta sobre casos criminais concretos.
Marcelo foi preso em flagrante na tarde de segunda-feira (16), após tentar fugir pulando o muro da casa onde estava, no bairro Tocantins. A Polícia Militar divulgou nas redes sociais um vídeo do momento da prisão.
No depoimento prestado no mesmo dia, Marcelo contou que, na sexta-feira (13), buscou o filho na casa de Ranielly depois que ela disse que teria uma entrevista de emprego. Segundo ele, posteriormente descobriu que não havia entrevista e que a ex-companheira estaria se relacionando com outro homem, o que o deixou “abalado” e o levou a considerar matá-la.
Registros policiais indicam que Marcelo acumulava pelo menos nove Boletins de Ocorrência por violência doméstica, incluindo o feminicídio. A maior parte das ocorrências foi registrada no mesmo endereço onde Ranielly foi morta.
Ele já havia sido condenado por um dos casos de violência doméstica e estava preso desde 2025. A Vara de Violência Doméstica e Família da Comarca de Uberlândia concedeu ao réu o direito de recorrer em liberdade, com início do cumprimento da pena em regime aberto. Marcelo deixou o sistema prisional nove dias antes de cometer o feminicídio.
Além das ocorrências por violência doméstica, o investigado tem antecedentes por furto, roubo e porte ilegal de arma de fogo. A Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) confirmou que ele possui cinco passagens pelo sistema prisional desde março de 2016.
A passagem mais recente foi no Presídio Professor Jacy de Assis, em Uberlândia, onde permaneceu entre 18 de outubro de 2025 e março de 2026, quando recebeu o alvará de soltura.
Peritos da Polícia Civil identificaram diversos ferimentos no pescoço, rosto e mãos de Ranielly. O crime deixou quatro filhos órfãos, com idades entre 5 e 12 anos. Apenas o mais novo é filho também de Marcelo.
O caso reforça o alerta sobre o risco extremo em relações marcadas por violência doméstica e reincidência, especialmente quando há ameaças anteriores e a presença de crianças no ambiente das agressões.