Não há documento que comprove afastamento de diretor da Dataprev por ordem de Mendonça em operação sobre fraudes no INSS

Apuração indica que decisões do ministro no STF envolvem o envio e a devolução de dados sigilosos da CPMI do INSS à PF para aprofundar investigações sobre descontos indevidos, mas registros oficiais não confirmam a suposta medida contra um diretor da estatal

18/03/2026 às 09:14 por Redação Plox

O suposto afastamento de um diretor da Dataprev por decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), em operação contra fraudes no INSS ainda não foi confirmado por nenhuma fonte primária identificável até a última checagem desta apuração. Não há, nas fontes oficiais e em documentos acessíveis, registro de decisão do STF ou de nota pública que trate dessa medida específica.

O que está documentado é que Mendonça passou a concentrar decisões relevantes no âmbito das investigações sobre fraudes envolvendo descontos indevidos em benefícios do INSS, com efeitos sobre investigados e sobre o fluxo de informações entre a CPMI do INSS e a Polícia Federal.

Declarações de Mendonça já provocaram atritos com Dino e Moraes no STF nos últimos dias

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Foto: GUSTAVO MORENO/STF


Mendonça assume protagonismo nas decisões

Nos últimos meses, a relatoria do caso das fraudes no INSS no STF ficou sob responsabilidade de André Mendonça, o que o colocou no centro das principais decisões judiciais relacionadas ao tema.

Entre as medidas noticiadas, o ministro determinou a devolução à Polícia Federal de dados sigilosos que estavam sob guarda da CPMI do INSS, em episódio que envolveu a quebra de sigilo do banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. Ele também determinou que esse material fosse encaminhado à PF, que conduz investigações sobre fraudes associadas ao caso.

No Congresso, a CPMI do INSS aprovou requerimentos solicitando ao STF medidas cautelares como prisões preventivas de investigados, encaminhando os pedidos para análise do relator no Supremo.

Papel da Dataprev no caso das fraudes

No contexto das investigações, a Dataprev aparece por ser a estatal responsável pelos sistemas e pelo processamento de informações vinculadas à Previdência e ao INSS. O funcionamento e a segurança dessas plataformas são centrais no debate sobre os descontos indevidos em massa em benefícios previdenciários.

Em entrevista repercutida pela imprensa, o presidente da empresa, Rodrigo Assumpção, relatou que o INSS teria determinado a manutenção de um sistema considerado mais vulnerável para cadastro de descontos associativos, mesmo após a entrega de uma solução mais segura. O contraste entre essas plataformas alimenta questionamentos sobre governança, trilhas de auditoria e controles de acesso.

Apesar do comando recebido com a formulação “Mendonça afasta diretor do Dataprev…”, não foi identificada, até o momento, decisão do STF ou comunicação oficial de Dataprev, Polícia Federal, CGU ou do próprio Supremo que confirme o afastamento de um diretor da estatal por ordem de Mendonça.

O que apontam as fontes oficiais

Registros da Agência Brasil mencionam decisão de André Mendonça sobre o compartilhamento e a devolução de dados sigilosos relacionados à CPMI do INSS, com encaminhamento desse material à Polícia Federal para aprofundamento das investigações.

No Senado, a cobertura institucional descreve os movimentos formais da CPMI do INSS, incluindo pedidos dirigidos ao STF por medidas cautelares contra investigados. Esses requerimentos integram a estratégia da comissão para avançar nas apurações.

Já no STF, decisões de Mendonça em processos ligados às fraudes foram referendadas pela Segunda Turma, em contexto que envolve integrantes da cúpula do INSS sob investigação, conforme reportado por veículo de imprensa.

Consequências para beneficiários, governo e CPMI

Para aposentados e pensionistas, o avanço das investigações e das decisões judiciais tende a influenciar medidas de contenção de fraudes e responsabilização de envolvidos, com pressão adicional por ajustes de governança e segurança em processos que tratam de descontos e autorizações em benefícios. Estados com grande volume de beneficiários, como MG, SP, RJ e PR, sentem de forma mais aguda os efeitos dessas falhas.

Na gestão pública de INSS e Dataprev, o debate sobre o uso de sistemas considerados mais vulneráveis, frente a alternativas avaliadas como mais seguras, reforça a cobrança por mecanismos robustos de auditoria, registros de acesso e validação de autorizações – pontos considerados centrais diante das suspeitas de descontos indevidos em larga escala.

Para a CPMI do INSS, as decisões do STF sobre o acesso e a circulação de dados sigilosos podem alterar o ritmo e o alcance das apurações parlamentares, influenciando a formulação de novos pedidos de diligências e de medidas cautelares.

Pendências e próximos passos da apuração

Entre as frentes ainda em aberto, está a necessidade de confirmar ou descartar, com base em documentos oficiais, a informação de que Mendonça teria afastado um diretor da Dataprev no contexto das investigações. A apuração exige a busca por decisão judicial em inteiro teor (como despachos do STF), notas públicas da Dataprev e eventuais manifestações de PF ou CGU que citem nominalmente o dirigente e o tipo de medida aplicada.

Outra frente é verificar se houve nova fase ou desdobramentos da Operação Sem Desconto, ou de operações correlatas, com foco específico na Dataprev e em seus gestores.

Também segue em observação o andamento da CPMI do INSS, incluindo os requerimentos aprovados e suas remessas ao STF, que podem resultar em novas decisões com impacto imediato sobre o curso das investigações e sobre a gestão dos sistemas ligados à Previdência.

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