STF: 2ª Turma decide hoje sobre possível liberação da prisão preventiva de Daniel Vorcaro
Em sessão virtual iniciada em 13/03/2026, colegiado avalia se referenda ou revisa decisão individual do ministro André Mendonça no caso ligado ao Banco Master
O avanço do sarampo nas Américas acendeu um alerta máximo nas autoridades de saúde brasileiras. O país acompanha de perto surtos em diversos vizinhos do continente e reforça ações para manter o status de área livre da doença, condição reconquistada em 2024 e ainda preservada por não haver transmissão sustentada em território nacional.
Dados recentes mostram a dimensão do problema na região. Em 2025, foram registrados 14.891 casos de sarampo em 14 países das Américas, com 29 mortes. Só nos dois primeiros meses de 2026, até 5 de março, já haviam sido confirmadas 7.145 infecções, o equivalente à metade do total do ano anterior.
No Brasil, a primeira infecção de 2026 foi confirmada na semana passada, em uma bebê de 6 meses, em São Paulo. A criança contraiu a doença durante uma viagem à Bolívia, país que enfrenta um surto de sarampo. Em 2025, o Brasil somou 38 casos confirmados.
Em dois meses de 2026, continente teve metade dos casos de 2025.
Foto: Reprodução / Agência Brasil.
Vacinação é pilar da estratégia
Segundo o diretor do Programa Nacional de Imunizações (PNI), ações de prevenção e controle vêm sendo mantidas de forma contínua para conter riscos de reintrodução do vírus no país. A prioridade é ampliar a cobertura vacinal e proteger principalmente crianças pequenas.
O calendário básico do Sistema Único de Saúde prevê duas doses contra o sarampo. A primeira é aplicada aos 12 meses, na forma da vacina tríplice viral, que também protege contra caxumba e rubéola. A segunda dose é dada aos 15 meses, com a tetraviral, que inclui ainda a proteção contra varicela.
Em 2025, 92,5% dos bebês receberam a primeira dose, mas apenas 77,9% completaram o esquema na idade recomendada. Todas as pessoas com até 59 anos que não tenham comprovante das duas doses devem se vacinar.
De acordo com o PNI, o Ministério da Saúde também realiza campanhas específicas de vacinação em áreas de fronteira, consideradas estratégicas para impedir a entrada de novos casos pela circulação internacional de pessoas.
Além da vacinação de rotina, as autoridades de saúde adotam um esquema rigoroso de vigilância para todos os casos suspeitos, mesmo quando a maior parte acaba descartada após exames laboratoriais.
Em 2025, foram notificadas 3.818 suspeitas de infecção por sarampo no país. Em 2026, até 26 de janeiro, data da última atualização do painel do Ministério da Saúde, havia 27 suspeitas registradas.
Quando uma suspeita é identificada no município, inicia-se imediatamente o chamado bloqueio vacinal. As equipes locais levantam todas as pessoas que tiveram contato com o possível doente, identificam sintomáticos e eventuais fontes da infecção e vacinam esse grupo para interromper possíveis cadeias de transmissão.
Uma força-tarefa passa então a fazer busca ativa de outros casos suspeitos na região onde vive a pessoa possivelmente infectada, com visitas domiciliares e vacinação preventiva de vizinhos. Profissionais de saúde também percorrem laboratórios e unidades de atendimento em busca de pessoas com sintomas compatíveis que ainda não tenham sido notificadas.
Quando os exames laboratoriais descartam a suspeita, as ações são encerradas. Mas, se a infecção for confirmada, o paciente e a comunidade ao seu redor passam a ser monitorados por três meses, prazo necessário para comprovar que não houve novas transmissões e, só então, declarar oficialmente o fim daquela ocorrência.
Nas situações de resposta a casos suspeitos, as autoridades flexibilizam temporariamente as normas de vacinação. Bebês de 6 meses a 1 ano que tiveram contato com o possível doente ou vivem em áreas próximas recebem uma dose adicional, conhecida como “dose zero”. Essa aplicação não substitui o esquema regular: a criança deve, posteriormente, tomar as duas doses previstas na idade recomendada.
O PNI avalia que o Brasil dispõe hoje de instrumentos para evitar que o cenário observado em outros países do continente se repita em território nacional, desde que a vacinação seja mantida em níveis elevados e a vigilância se mantenha ativa.
Uma preocupação específica está ligada ao aumento de viagens internacionais. Em junho e julho, Estados Unidos, México e Canadá, países que vivem situação mais grave em relação ao sarampo, receberão a Copa do Mundo de futebol e, com ela, grande fluxo de turistas, incluindo brasileiros. Esse movimento tende a ampliar o risco de disseminação do vírus entre continentes.
Para reduzir esse risco, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária passou a divulgar mensagens em aeroportos e portos sobre a importância da vacinação contra o sarampo antes de viagens, destacando a necessidade de checar o cartão vacinal.
Além do cenário internacional, o Brasil enfrenta desafios internos relevantes. O país abriga diversas áreas turísticas que recebem grande número de estrangeiros, como o litoral, a Amazônia, o Pantanal e Foz do Iguaçu, além de uma ampla fronteira terrestre com múltiplas cidades-gêmeas e intensa circulação de pessoas.
Nesse contexto, manter o país como área livre de sarampo depende de forma decisiva de altas coberturas vacinais, sobretudo nas regiões com maior fluxo de turistas e moradores em deslocamento constante. As autoridades reforçam que não se pode interromper campanhas, nem deixar de falar em prevenção e vacinação contra a doença.