STF: 2ª Turma decide hoje sobre possível liberação da prisão preventiva de Daniel Vorcaro
Em sessão virtual iniciada em 13/03/2026, colegiado avalia se referenda ou revisa decisão individual do ministro André Mendonça no caso ligado ao Banco Master
A Polícia Civil prendeu, nesta quarta-feira (18), o tenente-coronel da Polícia Militar Geraldo Leite Rosa Neto, indiciado por feminicídio e fraude processual pela morte da esposa, a policial militar Gisele Alves Santana. Ela foi encontrada morta com um tiro na cabeça no mês passado, no apartamento do casal, em São Paulo.
Por volta das 8h12, um comboio com agentes da Polícia Civil e da corregedoria da PM chegou ao apartamento do oficial, na rua Roma, no Jardim Paulista, região central de São José dos Campos, para cumprir o mandado de prisão. O tenente-coronel foi localizado e preso no imóvel.
A soldado da PM Gisele Alves Santana era casada com o tenente-coronel da PM Geraldo Leite Rosa Neto
Foto: Reprodução/Instagram
A Polícia Civil confirmou a prisão e informou que o oficial foi detido em sua residência, em São José dos Campos. Ele deve ser levado ao 8º Distrito Policial, na capital, onde será interrogado e formalmente indiciado.
Após o depoimento e os demais procedimentos, o tenente-coronel deve passar por exame de corpo de delito e, em seguida, ser encaminhado ao Presídio Militar Romão Gomes, em São Paulo. A expectativa da polícia é que o Inquérito Policial Militar (IPM) seja concluído nos próximos dias.
Nesta terça-feira (17), a Justiça recebeu o pedido de prisão do policial, feito pela Polícia Civil com aval do Ministério Público de São Paulo. A Corregedoria da PM também ingressou com o pedido, que foi acolhido pela Justiça Militar.
A soldado da PM Gisele Alves Santana era casada com o tenente-coronel da PM Geraldo Leite Rosa Neto
Foto: Reprodução/Instagram
A decisão pela prisão ocorreu após a Polícia Técnico-Científica anexar ao processo laudos fundamentais para a investigação. Indícios presentes em dois documentos foram considerados determinantes para o pedido de prisão.
Com base nesses elementos, o delegado responsável concluiu que Gisele não cometeu suicídio. Os laudos apontaram ainda que a policial não estava grávida, não foi dopada e que havia mais manchas de sangue espalhadas por outros cômodos do apartamento onde ela morreu.
Mesmo com a conclusão do laudo toxicológico, que não indicou consumo de drogas ou bebidas por Gisele, e da liberação de outros exames, que somam cerca de 70 páginas, a polícia ainda aguarda resultados complementares do Instituto Médico Legal (IML) e do Instituto de Criminalística (IC) para fechar o inquérito. Esses documentos devem esclarecer com mais precisão a dinâmica do disparo ocorrido há cerca de um mês.
O caso ocorreu na manhã de 18 de fevereiro. O corpo de Gisele foi exumado, e o laudo necroscópico identificou lesões no rosto e no pescoço da policial. Inicialmente, a morte foi registrada como suicídio.
Com o avanço das investigações e a produção de novos laudos periciais, o caso passou a ser tratado como possível feminicídio. Exames apontaram lesões no rosto e no pescoço, além de indicarem que o disparo ocorreu à queima-roupa. Também não foram encontrados vestígios de pólvora nas mãos de Gisele, o que enfraquece a hipótese de suicídio.
Gisele Alves Santana era policial militar e deixa uma filha de sete anos.
Foto: Reprodução
A defesa do tenente-coronel sustenta que Gisele tirou a própria vida e afirma aguardar a conclusão dos laudos periciais. Já a família da policial contesta essa versão e afirma que ela foi vítima de feminicídio.
Quase um mês após a morte, o advogado do oficial mantém a tese de suicídio, atribuindo a Gisele o disparo que a atingiu na cabeça dentro do apartamento do casal, em São Paulo.
A defesa do tenente-coronel aguarda serenamente o desenrolar da apuração da Polícia Civil com a juntada de todos os laudos e externa a confiança na palavra do coronel: de que trata-se de suicídio. E isso será comprovado de forma cristalina ao final da investigação.
advogado Eugênio Malavasi, ao g1
Já o advogado que representa a família de Gisele afirma que a morte foi resultado de um crime de feminicídio, cometido, segundo ele, pelo próprio marido da policial.
Gisele Alves Santana era policial militar e deixa uma filha de sete anos.
Foto: Reprodução
Mensagens enviadas por Gisele a uma amiga, divulgadas pela defesa da família, indicam que ela enfrentava problemas no relacionamento com o tenente-coronel. Em uma delas, a policial menciona o ciúme do marido e faz referência ao risco de ser morta por ele.
Em depoimento, a mãe de Gisele relatou que a filha vivia um relacionamento abusivo e descreveu o oficial como controlador e violento.
Nesta terça-feira (17), um dia antes da prisão, o tenente-coronel recebeu a visita de um homem no prédio em que mora, no bairro Jardim Augusta, região central de São José dos Campos, após o pedido de prisão apresentado à Justiça.
De acordo com a apuração da TV Vanguarda, o visitante tem ligação com uma igreja evangélica, mas não quis falar com a imprensa. Imagens feitas na tarde de terça mostram o momento em que o oficial desce até a portaria para encontrar o visitante. Os dois conversam rapidamente e deixam o local sem dar declarações.
Laudos da perícia apontaram lesões no rosto e no pescoço da policial, além de indicarem que o tiro foi disparado à queima-roupa. A ausência de resíduos de pólvora nas mãos de Gisele reforça as dúvidas sobre a versão inicial de suicídio.
Embora parte dos exames já tenha sido concluída, a delegacia ainda aguarda laudos complementares do IML e do IC para detalhar a dinâmica do crime, a trajetória do disparo e o que aconteceu dentro do apartamento na manhã da morte.
A prisão do tenente-coronel, o indiciamento por feminicídio e fraude processual e os laudos que afastam a hipótese de suicídio colocam o caso no centro do debate sobre violência contra a mulher, especialmente quando o suspeito é um oficial de alta patente.