Maqueiro pinta paredes de ala pediátrica e melhora o astral das crianças

18/06/2019 12:31

“Renato é uma das pessoas mais maravilhosas que a gente pode ter como amigo. Era uma pessoa que tinha tudo para dar errado, mas deu muito certo”

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Um funcionário da ala de Pediatria do Hospital Municipal Miguel Couto, no Rio de Janeiro, teve uma ideia para tornar o ambiente mais agradável para os pacientes. 

O maqueiro Renato Pereira da Silva, 37 anos, o Renatinho, como é chamado pelos colegas, trabalha no hospital há dezesseis anos. Desde que foi admitido no Miguel Couto aos 21 anos, ele tinha vontade de pintar o setor de Pediatria, pois achava o ambiente triste e sem cor.

Segundo o portal Razoesparaacreditar, há cerca de dez anos houve uma mudança de administração do hospital. Renatinho contou ao portal que todos os quadros foram retirados dos corredores, contribuiu para deixar o local ainda mais vazio e sem cor. Ele então pediu permissão à enfermaria e ao diretor do hospital e resolveu agir.

(Foto: reprodução/Instagram razões para acreditar)

(Foto: reprodução/Instagram razões para acreditar)

“A minha intenção é deixar um ambiente mais leve e alegre para as crianças que estão sendo tratadas”, declara. 

Empolgadas com a ideia, as enfermeiras arrecadaram o dinheiro para compra de tintas. O maqueiro fez apenas um pedido: que fosse comprado um produto sem cheiro para não afetar o estado de saúde das crianças.

Sabendo que os quartos do setor pediátrico são divididos de acordo com a idade dos pacientes, Renatinho fez desenhos que melhor representariam a cada faixa. Para os meninos, desenhou super-heróis famosos entre as crianças. Para as crianças em idade de alfabetização, desenhou uma parede inteira com as letras do alfabeto. E para as meninas ele desenhou a princesa Elsa e Tiana, recebendo até encomendas para próximos desenhos: “Agora, eu quero que ele faça a Bela e a Cinderela”, pediu Isabella Barbosa, 6 anos.

A arte em sua vida:
Quando Renatinho tinha 12 anos, ele aprendeu técnicas de desenho observando os irmãos mais velhos pintarem. “Por ter déficit de atenção, em vez de estudar, fazia desenhos em sala de aula”, relembra.

Sem ter boas relações com o pai, que era envolvido com o tráfico, pintar e desenhar era como o jovem conseguia “passar por cima das dificuldades”. Contou que já chegou a dar aula para crianças e a participar de um grupo de grafiteiros no Complexo do Alemão.

“Renato é uma das pessoas mais maravilhosas que a gente pode ter como amigo. Era uma pessoa que tinha tudo para dar errado, mas deu muito certo”, diz a técnica de enfermagem Izonita Mota, 52 anos, que é madrinha do rapaz.

Trabalho nas folgas:
Os desenhos foram feitos por Renato em seus dias de folga:  “Eu chegava ao hospital às 7h e terminava às 22h. Só parava para almoçar”.

Apesar do talento par arte, Renatinho não a vê como profissão. “Não tenho o desenho como forma de ganhar dinheiro, o desenho, para mim, é um tratamento psicológico”, relata. 

Ano passado ele concluiu o ensino médio e atualmente faz curso técnico de enfermagem, custeado pelas enfermeiras do Hospital e por uma senhora para quem trabalha como cuidador.



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