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Uma empresária de Jundiaí (SP) decidiu transformar o luto pela morte do filho em um alerta sobre os riscos das apostas online. Em entrevista ao g1, Daysi Donola relatou que percebeu mudanças profundas no comportamento de Lucas Donola da Silva após ele passar a apostar pela internet, em 2023.
Lucas, de Jundiaí (SP), era apaixonado por animais e tinha um jeito muito calmo
Foto: Arquivo Pessoal
De acordo com o relato da mãe, o jovem, que trabalhava como operador de empilhadeira, passou a ter dificuldades para dormir, se alimentar e manter a rotina profissional. Ela afirmou que Lucas acumulou dívidas, pediu dinheiro emprestado a familiares, amigos e colegas e se afastou da convivência familiar à medida que a situação se agravava.
Após a morte do filho, mãe montou uma caixa de lembranças em Jundiaí (SP)
Foto: Arquivo Pessoal
Daysi contou ao g1 que a família tentou buscar tratamento psiquiátrico e limitar o acesso do filho às plataformas de apostas, utilizadas pelo celular. Segundo ela, porém, Lucas tinha resistência em manter o acompanhamento recomendado e apresentava períodos de forte agitação e agressividade verbal quando perdia dinheiro.
A mãe associa a dependência em apostas ao sofrimento vivido pelo filho antes de sua morte, mas não há, no relato publicado, uma conclusão oficial que estabeleça relação direta de causa entre os fatos. Ela afirmou que pretende usar a própria experiência para conversar com famílias, jovens, escolas e empresas sobre prevenção e acolhimento a pessoas em situação semelhante.
Neurologista Ana Paula Gomes comenta os riscos do vício em apostas online
Foto: Divulgação
O Ministério da Saúde classifica o jogo patológico, também chamado de transtorno do jogo, como uma condição marcada pela dificuldade de controlar o impulso de apostar mesmo diante de prejuízos financeiros, emocionais, familiares e profissionais. A pasta informa que o problema pode estar associado a ansiedade, depressão, culpa e isolamento social.
Em janeiro de 2026, o Ministério lançou um guia para orientar o acolhimento e o tratamento, pelo SUS, de pessoas com problemas relacionados a jogos de apostas. A rede pública de saúde pode oferecer atendimento inicial em Unidades Básicas de Saúde (UBSs), CAPS, serviços de urgência e outros pontos da Rede de Atenção Psicossocial.
O Ministério da Fazenda também mantém uma plataforma centralizada de autoexclusão, que permite ao usuário pedir o bloqueio de acesso às casas de apostas autorizadas no país. A ferramenta integra as ações federais de proteção ao apostador e de estímulo ao jogo responsável.
Jundiaí (SP): Mãe relaciona morte do filho a apostas online e diz que transformará a dor em combate ao vício para apoiar outras pessoas
Foto: Arquivo Pessoal
Pessoas em sofrimento emocional ou com pensamentos de tirar a própria vida podem procurar atendimento em uma UBS, CAPS, UPA ou pronto-socorro. Em situação de urgência, o Samu pode ser acionado pelo telefone 192. O Centro de Valorização da Vida oferece apoio emocional gratuito e sigiloso, 24 horas por dia, pelo número 188.