Boletim Focus reduz previsão de inflação para 2026 e projeta queda da Selic

Projeção de inflação cai de 4,05% para 4,02% em 2026, enquanto mercado espera recuo da Selic para 12,25% e dólar estável em torno de R$ 5,50 nos próximos anos

19/01/2026 às 08:58 por Redação Plox

Os economistas do mercado financeiro reduziram de 4,05% para 4,02% a projeção de inflação para 2026.

A estimativa consta no boletim Focus, divulgado nesta segunda-feira (19) pelo Banco Central (BC), a partir de pesquisa feita na última semana com mais de 100 instituições financeiras.

Se o cenário se confirmar, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) ficará abaixo do registrado no último ano, quando somou 4,26%.


Renda cresce, mas inflação reduz o poder de compra dos brasileiros

Renda cresce, mas inflação reduz o poder de compra dos brasileiros

Foto: Reprodução/TV Globo

Projeções de inflação para os próximos anos

As expectativas para os demais anos permaneceram estáveis. Para 2027, a projeção segue em 3,80%. Em 2028, a previsão continua em 3,50%, mesmo nível estimado para 2029.

Desde o início de 2025, com a adoção do sistema de meta contínua, o objetivo do Banco Central é manter a inflação em 3%. O índice é considerado dentro da meta se oscilar entre 1,50% e 4,50%.

Quanto maior a inflação, menor é o poder de compra da população, em especial entre quem recebe salários mais baixos, porque os preços sobem em ritmo mais acelerado do que a renda.

Juros ainda altos, mas com previsão de queda

Depois de encerrar 2025 em 15% ao ano — o maior patamar em quase duas décadas, em meio ao esforço para conter a inflação —, a taxa básica de juros deve recuar ao longo deste ano, segundo o mercado financeiro.

Para o fim de 2026, a projeção para a Selic foi mantida em 12,25% ao ano, o que pressupõe uma redução de 2,25 pontos percentuais ao longo do período. Para o fechamento de 2027, a estimativa segue em 10,50% ao ano. Já para o fim de 2028, a projeção subiu de 9,88% para 10% ao ano.

Crescimento econômico moderado

Para 2026, os analistas mantiveram a expectativa de alta de 1,80% para o Produto Interno Bruto (PIB), abaixo dos cerca de 2,25% estimados para 2025.

O resultado oficial do PIB do ano passado ainda não foi divulgado pelo IBGE.

O PIB é a soma de todos os bens e serviços produzidos no país e é o principal indicador do desempenho da economia.

Para 2027, a projeção de crescimento econômico também permanece em 1,80%.

Câmbio com pouca oscilação

As expectativas para o câmbio indicam relativa estabilidade neste ano, mesmo em um cenário de eleições, período que costuma pressionar a cotação do dólar.

Depois de recuar mais de 11% no ano passado — movimento influenciado, entre outros fatores, pelos juros elevados no Brasil —, a moeda norte-americana encerrou 2025 em R$ 5,4887. Para o fim de 2026, economistas de instituições financeiras projetam o dólar em R$ 5,50.

Para o fechamento de 2027, a estimativa do mercado para a moeda norte-americana também permanece em R$ 5,50.

O desempenho do dólar em 2025 foi o pior em quase uma década, em meio a apostas em novos cortes de juros pelo Federal Reserve, banco central dos Estados Unidos, e a preocupações com o déficit das contas públicas e com a condução da economia pelo presidente Donald Trump.

Compartilhar a notícia

V e j a A g o r a