Delegados da PF veem 'cenário atípico' e criticam condução de inquérito do caso Master no STF
Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal manifesta alta preocupação com decisões do ministro Dias Toffoli, aponta mitigação de prerrogativas da categoria e pede retomada de atuação harmônica entre PF e Supremo
19/01/2026 às 09:38por Redação Plox
19/01/2026 às 09:38
— por Redação Plox
Compartilhe a notícia:
Delegados da Polícia Federal manifestaram alta preocupação com o andamento do inquérito sobre o caso Master, apontando um cenário considerado “manifestamente atípico” e afirmando haver “indícios” de que prerrogativas da categoria “vêm sendo indevidamente mitigadas”. A investigação está sob relatoria do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), e motivou uma nota pública divulgada neste sábado (17) pela Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal.
Segundo a entidade, o contexto atual da apuração provoca “legítima perplexidade institucional”. A associação afirma esperar que a Polícia Federal e o STF consigam restabelecer uma atuação institucional harmônica, cooperativa e estritamente balizada pelo ordenamento jurídico. Embora não cite Toffoli nominalmente, o texto faz referência a decisões do ministro no âmbito do caso Master.
Prédio da Polícia Federal em Brasília
Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil
Delegados criticam “prazos exíguos” e interferência no planejamento
Na nota, os delegados ressaltam que, no curso da investigação, foram determinadas acareações e fixados “prazos exíguos para buscas e apreensões e inquirições”. De acordo com a categoria, essas medidas estariam ocorrendo “à margem do planejamento investigativo estabelecido pela autoridade policial”, o que, na visão da entidade, impacta diretamente a condução técnica do inquérito.
Em dezembro, Toffoli havia determinado uma acareação entre representantes do Banco Central, o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, e o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa. No entanto, o representante do Banco Central foi dispensado do procedimento. Na mesma época, o ministro externou incômodo com a atuação da Polícia Federal e atribuiu à corporação “inércia” na abertura da segunda etapa da Operação Compliance Zero.
Decisões sobre perícias e envio de materiais geram incômodo
A manifestação dos delegados também cita determinações sobre o encaminhamento de materiais apreendidos para “outros órgãos” e a escolha nominal de peritos para a realização de exames nos objetos recolhidos na Operação Compliance Zero. As referências miram um conjunto de decisões de Toffoli ao longo da segunda etapa da ofensiva.
Inicialmente, o ministro determinou que os objetos apreendidos fossem enviados ao STF. Em seguida, houve recuo, com nova decisão para que o material fosse remetido à Procuradoria-Geral da República. Posteriormente, foram escolhidos peritos para analisar os itens apreendidos, em ato que também entrou no radar da associação.
Associação fala em afronta a prerrogativas da PF
De acordo com a entidade que representa os delegados, nem mesmo dentro da própria Polícia Federal a designação de peritos é feita com base em escolha pessoal ou nominal. Nesse cenário, a associação sustenta haver “afronta às prerrogativas legalmente conferidas” à categoria para “a condução técnica, imparcial e eficiente da investigação criminal”.
A nota frisa que ao STF compete o exercício da jurisdição constitucional, enquanto aos delegados cabe a condução da investigação criminal. A associação reforça a defesa do trabalho técnico da corporação, destacando que as apurações da PF se apoiam em “protocolos técnicos consagrados” e em critérios voltados à imparcialidade e à eficiência.