Flávio Bolsonaro faz ofensiva internacional para se firmar como líder da direita global
Pré-candidato à Presidência inicia ano eleitoral com viagens a Israel, EUA, El Salvador e possíveis agendas no Oriente Médio e Europa para fortalecer seu nome na disputa contra Lula
19/01/2026 às 11:06por Redação Plox
19/01/2026 às 11:06
— por Redação Plox
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O senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) inicia o ano eleitoral com uma ofensiva internacional voltada a reforçar sua imagem junto a lideranças da direita global. Nesta segunda-feira (19/1), ele embarca para Israel, onde deve participar de um evento internacional de combate ao antissemitismo, em Jerusalém, ao lado do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu.
Flávio Bolsonaro também viajou recentemente para El Salvador e Estados Unidos
Foto: Agência Senado/Pedro França
Agenda em Israel e países árabes
A conferência em Jerusalém está marcada para os dias 26 e 27 de janeiro e será o primeiro compromisso oficial da nova etapa da articulação externa do senador. Após o encontro em Israel, Flávio pretende ampliar o giro por países árabes, com agendas previstas no Bahrein e nos Emirados Árabes Unidos. Também está em estudo a inclusão de países europeus no roteiro.
Rede internacional da direita
A atual investida no exterior é a continuidade de uma estratégia iniciada ainda no ano passado. Na virada do ano, Flávio Bolsonaro esteve nos Estados Unidos, a convite do irmão, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP). Embora negue ter buscado encontros com integrantes da Casa Branca, o senador afirma ter participado de “reuniões estratégicas” para se apresentar como herdeiro político do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Em novembro, o parlamentar também viajou a El Salvador, onde se encontrou com o presidente Nayib Bukele, um dos principais expoentes da direita latino-americana. Entre apoiadores do bolsonarismo, Bukele é frequentemente citado como referência na política de enfrentamento ao crime organizado.
Possíveis paradas na América Latina
Nas próximas semanas, Flávio Bolsonaro avalia incluir em sua agenda internacional a Argentina, governada por Javier Milei, e o Chile, onde o direitista José Antonio Kast assumirá o comando após quatro anos de governo de esquerda sob a gestão do atual presidente, Gabriel Boric.
Disputa interna e fortalecimento do nome para 2026
No cenário doméstico, a movimentação diplomática é parte da estratégia para fortalecer sua posição na disputa presidencial. Pesquisas recentes apontam avanço do desempenho de Flávio em relação ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), indicando o senador como um dos nomes mais competitivos da direita nas simulações de possíveis candidaturas.
Ao mesmo tempo, o pré-candidato precisa lidar com turbulências internas no campo conservador. Na última semana, um episódio gerou mal-estar após a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) endossar uma publicação do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) em que a primeira-dama paulista, Cristiane de Freitas, se refere ao marido como “novo CEO” do país.
No sábado (17/1), Flávio divulgou um vídeo em que faz um apelo pela união da direita contra o PT, em tentativa de conter desgastes e disputas internas. Na gravação, ele menciona Tarcísio e Michelle como figuras centrais do projeto político e sustenta que divergências pontuais são naturais em um processo mais amplo de construção de alianças.
Enquanto busca se firmar como principal nome presidencial do campo bolsonarista no exterior e tenta administrar atritos internos na direita brasileira, a corrida eleitoral se aproxima. Em outubro, cerca de 150 milhões de brasileiros estarão aptos a escolher o próximo presidente nas urnas.