Filiação partidária de jovens cai 56% em uma década, apesar de aumento no número de eleitores
Entre 2014 e 2024, total de filiados de 16 a 24 anos despencou de 415 mil para 180 mil, enquanto engajamento juvenil migra da militância tradicional para o ativismo digital sob influência de redes sociais
19/01/2026 às 09:32por Redação Plox
19/01/2026 às 09:32
— por Redação Plox
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Símbolo de grandes transformações políticas do país – das Diretas Já ao impeachment de Fernando Collor e às jornadas de 2013 –, a juventude brasileira se afasta cada vez mais da política partidária tradicional e mergulha no ativismo digital. Mesmo as mobilizações que hoje tomam as ruas, como as que culminaram no impeachment de Dilma Rousseff (PT), em 2014, ou que levaram o Congresso a recuar da chamada ‘PEC da Blindagem’, no ano passado, nascem primeiro no ambiente online.
Militância política migrou para as telas do celular e redes sociais
Foto: IMAGEM ILUSTRATIVA
Foto: Tânia Rêgo / Agência Brasil
Segundo dados mais recentes do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), entre 2014 e 2024 o número de jovens de 16 a 24 anos filiados a partidos políticos no país despencou 56%, passando de 415.471 para 180.717. O contingente representa cerca de apenas 1% do total de eleitores nessa mesma faixa etária.
Juventude segue interessada em política, mas por outros caminhos
A retração nas filiações não significa que os jovens tenham abandonado o interesse por política. No mesmo período, o número de cidadãos de 16 anos que tiraram o título de eleitor e votaram pela primeira vez cresceu de 480.044, em 2014, para 724.324, em 2024, indicando um engajamento que se expressa de forma distinta da lógica partidária clássica.
Os dados sugerem que a arena do debate político mudou de lugar. A militância que, em gerações anteriores, se concentrava em movimentos estudantis, passeatas, sindicatos, associações comunitárias e partidos, hoje se desloca para as telas do celular e para as redes sociais, onde influenciadores e criadores de conteúdo pautam discussões e mobilizações.
Não é verdade que o jovem não se interessa por política. O que mudou foi a arena e a forma como esse conteúdo chega, por meio de influenciadores e misturado a outros temas da vida cotidiana. Há uma descrença nas instituições tradicionais e isso faz com que a política ganhe uma prevalência na digitalização da esfera pública. Isso muda o modo como interagimos e lidamos com o contraditório, provocando como efeito um aumento da tribalização
Camilo Aggio, professor do Departamento de Comunicação Social da UFMG e pesquisador do INCT.DD
Partidos tentam reagir com campanhas de filiação
Diante da crise de confiança nas instituições, os partidos políticos se mobilizam para tentar reverter o esvaziamento de suas bases, especialmente entre os mais jovens. O PT, que em 2024 aparecia como o segundo partido com maior número de filiados em todas as faixas etárias – atrás apenas do MDB –, divulgou o balanço de sua campanha nacional de filiação, iniciada em dezembro de 2024: foram 341 mil novos integrantes.
O PL, legenda do ex-presidente Jair Bolsonaro, também registrou um salto nas adesões após a prisão do ex-mandatário. De acordo com o partido, a média diária de cerca de cem filiações disparou para 20 mil no sábado seguinte à detenção. A partir da segunda-feira subsequente, a média estabilizou em torno de 10 mil filiações por dia.
Adesões crescem mais entre adultos que entre jovens
Apesar do impacto dessas campanhas em números absolutos, elas são mais efetivas entre a população adulta, de 25 a 59 anos. Considerando apenas os dados de 2024, essa faixa etária concentra pouco mais de 10 milhões de filiados a partidos, o que corresponde a 61% do total de 16,3 milhões de filiados no Brasil.
Enquanto a militância formal se fortalece sobretudo entre adultos, o engajamento político da juventude se reorganiza em torno de novas linguagens e plataformas, consolidando as redes sociais como principal palco da disputa de ideias e da mobilização pública.