Em artigo no NYT, Lula critica ação militar dos EUA na Venezuela e prisão de Maduro
Presidente afirma que operação dos Estados Unidos viola o direito internacional, ameaça a paz global e marca ataque militar inédito na América Latina em mais de dois séculos, defendendo que destino da Venezuela cabe apenas ao seu povo
19/01/2026 às 08:59por Redação Plox
19/01/2026 às 08:59
— por Redação Plox
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou a ação militar dos Estados Unidos na Venezuela e classificou a prisão do presidente Nicolás Maduro como uma violação do direito internacional, com potencial de ameaçar a paz e a estabilidade globais.
Presidente Lula defende solução política liderada por venezuelanos e rejeita ações unilaterais
Foto: Ricardo Stuckert/PR
As declarações constam em artigo assinado por Lula e publicado neste domingo (18/1) no jornal americano The New York Times, um dos veículos de comunicação mais influentes do mundo.
Lula vê erosão do direito internacional e da ordem multilateral
No texto, o presidente brasileiro descreve a operação conduzida pelos EUA como “mais um capítulo lamentável na erosão contínua do direito internacional e da ordem multilateral” construída após a Segunda Guerra Mundial.
Ele argumenta que o uso recorrente da força por grandes potências enfraquece a Organização das Nações Unidas (ONU) e o próprio Conselho de Segurança, ao deslocar a excepcionalidade do emprego da força para uma situação de quase regra. Segundo Lula, quando essa lógica prevalece, a paz, a segurança e a estabilidade globais ficam sob risco.
Crítica ao respeito seletivo das normas internacionais
Lula sustenta que a aplicação seletiva das normas internacionais produz desordem e fragiliza o sistema multilateral. Para ele, sem regras definidas e respeitadas de forma coletiva, não é possível sustentar sociedades livres, inclusivas e democráticas.
O presidente afirma considerar “particularmente preocupante” que esse tipo de ação esteja sendo dirigida à América Latina e ao Caribe. De acordo com o artigo, trata-se da primeira vez, em mais de dois séculos de história independente, que a América do Sul sofre um ataque militar direto dos Estados Unidos.
Ao abordar o peso geopolítico da região, Lula lembra que a América Latina e o Caribe concentram mais de 660 milhões de pessoas, com seus próprios interesses e projetos de futuro a defender. Em um cenário multipolar, reforça, nenhum país deveria ser submetido a projetos hegemônicos impostos de fora.
Defesa de solução política liderada pelos venezuelanos
No artigo, o presidente brasileiro reforça que o destino da Venezuela “deve permanecer nas mãos de seu povo” e que somente um processo político inclusivo, conduzido pelos próprios venezuelanos, pode resultar em uma saída democrática e sustentável para a crise.
Lula defende, assim, uma solução negociada e política, rechaçando ações unilaterais e o uso da força como instrumento de intervenção na região.
Relação com os EUA e apelo por cooperação no hemisfério
Ao concluir o texto, Lula ressalta que o Brasil mantém um diálogo considerado construtivo com os Estados Unidos e destaca que os dois países são as duas democracias mais populosas do continente.
Nessa linha, o presidente afirma que somente em conjunto Brasil e EUA poderão enfrentar os desafios comuns que afetam um hemisfério que, nas suas palavras, pertence a todos, em referência à necessidade de cooperação e respeito mútuo na condução dos assuntos regionais.