STF: 2ª Turma decide hoje sobre possível liberação da prisão preventiva de Daniel Vorcaro
Em sessão virtual iniciada em 13/03/2026, colegiado avalia se referenda ou revisa decisão individual do ministro André Mendonça no caso ligado ao Banco Master
Um levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI) mostra que mais de cinco mil produtos brasileiros terão imposto de importação zerado na União Europeia assim que o acordo entre Mercosul e União Europeia entrar em vigor. Segundo a entidade, 54,3% dos produtos negociados no âmbito do tratado passarão a entrar no mercado europeu sem tarifa de importação já no primeiro momento de vigência. Do lado do Mercosul, o Brasil terá prazos mais longos para promover sua própria redução tarifária.
De acordo com a CNI, o acordo amplia de forma significativa o acesso do Brasil ao comércio global e estabelece um novo patamar de inserção internacional para a indústria nacional.
Contêineres em porto no RJ
Foto: Reprodução/TV Globo
Atualmente, os acordos preferenciais e de livre comércio dos quais o Brasil participa cobrem cerca de 8% das importações mundiais de bens, segundo a CNI. Com a entrada em vigor do tratado com a União Europeia, esse percentual deve subir para 36%, considerando que o bloco europeu respondeu por 28% do comércio global em 2024.
Já do lado do Mercosul, o Brasil terá prazos mais longos, entre 10 e 15 anos, para reduzir tarifas de 44,1% dos produtos (4,4 mil itens), assegurando uma transição gradual e previsível CNI
Na avaliação da confederação, esse desenho de prazos garante uma transição considerada previsível para a indústria brasileira, permitindo ajustes produtivos e tecnológicos antes da abertura total de alguns setores.
Os dados reunidos pela CNI indicam que a indústria responde pela maior parte do comércio bilateral entre Brasil e União Europeia. Nas exportações brasileiras para o bloco, 46,3% foram de bens industriais.
Ao se considerar apenas os insumos industriais, a participação foi de 56,6% nas importações brasileiras provenientes da União Europeia e de 34,2% nas exportações do Brasil ao bloco em 2024. Para a CNI, esses números reforçam a complementaridade entre as economias e o papel do acordo na modernização da indústria nacional.
Em 2024, a União Europeia foi destino de US$ 48,2 bilhões das exportações brasileiras, o equivalente a 14,3% do total vendido pelo país ao exterior, mantendo-se como o segundo principal mercado externo do Brasil. No mesmo período, o bloco respondeu por US$ 47,2 bilhões das importações brasileiras, o que representou 17,9% do total. Do lado das compras externas, 98,4% dos produtos vindos da União Europeia eram bens da indústria de transformação.
As negociações entre Mercosul e União Europeia começaram em 1999 e, desde então, passaram por fases de paralisação, retomadas e revisões técnicas e políticas.
O tratado prevê a redução ou eliminação gradual de tarifas sobre mais de 90% do comércio entre os dois blocos, com prazos diferenciados para setores considerados sensíveis. A expectativa é de que os efeitos econômicos se materializem de forma progressiva, à medida que as etapas de implementação forem concluídas e o acordo seja ratificado pelos países envolvidos.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva não participou da cerimônia de assinatura do acordo em Assunção, no Paraguai. O Brasil foi representado pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, enquanto Lula permaneceu em Brasília cumprindo agenda oficial.
Antes da assinatura no Paraguai, Lula reuniu-se, no Rio de Janeiro, com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen. O encontro foi interpretado pelo Planalto como um sinal político de apoio ao fechamento do acordo, mesmo sem a presença do presidente brasileiro no ato formal em Assunção.