Acordo Mercosul-União Europeia zera imposto de mais de 5 mil produtos brasileiros

Levantamento da CNI aponta que 54,3% dos itens exportados pelo Brasil entrarão sem tarifa na UE já no início da vigência do tratado, que amplia acesso ao comércio global e prevê transição gradual para a indústria nacional

19/01/2026 às 06:36 por Redação Plox

Um levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI) mostra que mais de cinco mil produtos brasileiros terão imposto de importação zerado na União Europeia assim que o acordo entre Mercosul e União Europeia entrar em vigor. Segundo a entidade, 54,3% dos produtos negociados no âmbito do tratado passarão a entrar no mercado europeu sem tarifa de importação já no primeiro momento de vigência. Do lado do Mercosul, o Brasil terá prazos mais longos para promover sua própria redução tarifária.

De acordo com a CNI, o acordo amplia de forma significativa o acesso do Brasil ao comércio global e estabelece um novo patamar de inserção internacional para a indústria nacional.


Contêineres em porto no RJ

Contêineres em porto no RJ

Foto: Reprodução/TV Globo

Acordo amplia alcance do Brasil no comércio mundial

Atualmente, os acordos preferenciais e de livre comércio dos quais o Brasil participa cobrem cerca de 8% das importações mundiais de bens, segundo a CNI. Com a entrada em vigor do tratado com a União Europeia, esse percentual deve subir para 36%, considerando que o bloco europeu respondeu por 28% do comércio global em 2024.

Já do lado do Mercosul, o Brasil terá prazos mais longos, entre 10 e 15 anos, para reduzir tarifas de 44,1% dos produtos (4,4 mil itens), assegurando uma transição gradual e previsível CNI

Na avaliação da confederação, esse desenho de prazos garante uma transição considerada previsível para a indústria brasileira, permitindo ajustes produtivos e tecnológicos antes da abertura total de alguns setores.

Indústria puxa o comércio entre Brasil e União Europeia

Os dados reunidos pela CNI indicam que a indústria responde pela maior parte do comércio bilateral entre Brasil e União Europeia. Nas exportações brasileiras para o bloco, 46,3% foram de bens industriais.

Ao se considerar apenas os insumos industriais, a participação foi de 56,6% nas importações brasileiras provenientes da União Europeia e de 34,2% nas exportações do Brasil ao bloco em 2024. Para a CNI, esses números reforçam a complementaridade entre as economias e o papel do acordo na modernização da indústria nacional.

Em 2024, a União Europeia foi destino de US$ 48,2 bilhões das exportações brasileiras, o equivalente a 14,3% do total vendido pelo país ao exterior, mantendo-se como o segundo principal mercado externo do Brasil. No mesmo período, o bloco respondeu por US$ 47,2 bilhões das importações brasileiras, o que representou 17,9% do total. Do lado das compras externas, 98,4% dos produtos vindos da União Europeia eram bens da indústria de transformação.

Negociação longa e implementação gradual

As negociações entre Mercosul e União Europeia começaram em 1999 e, desde então, passaram por fases de paralisação, retomadas e revisões técnicas e políticas.

O tratado prevê a redução ou eliminação gradual de tarifas sobre mais de 90% do comércio entre os dois blocos, com prazos diferenciados para setores considerados sensíveis. A expectativa é de que os efeitos econômicos se materializem de forma progressiva, à medida que as etapas de implementação forem concluídas e o acordo seja ratificado pelos países envolvidos.

Lula fica em Brasília e envia chanceler à assinatura

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva não participou da cerimônia de assinatura do acordo em Assunção, no Paraguai. O Brasil foi representado pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, enquanto Lula permaneceu em Brasília cumprindo agenda oficial.

Antes da assinatura no Paraguai, Lula reuniu-se, no Rio de Janeiro, com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen. O encontro foi interpretado pelo Planalto como um sinal político de apoio ao fechamento do acordo, mesmo sem a presença do presidente brasileiro no ato formal em Assunção.

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