Médicos são mortos a tiros por colega após discussão em restaurante de Alphaville
Luís Roberto Pellegrini Gomes, de 43 anos, e Vinicius dos Santos Oliveira, de 35, foram assassinados em frente a restaurante em Barueri; autor, médico com registro de CAC e histórico de racismo e agressão, é preso e polícia apura disputa por contratos na gestão hospitalar
19/01/2026 às 08:17por Redação Plox
19/01/2026 às 08:17
— por Redação Plox
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A Polícia Civil investiga o assassinato de dois médicos baleados por outro médico na frente de um restaurante em Alphaville, em Barueri, na Grande São Paulo. O crime foi registrado por câmeras de segurança, e o atirador foi preso em flagrante.
O caso é apurado em inquérito na Delegacia de Barueri. A principal linha de investigação aponta que as mortes podem ter sido motivadas por disputas de contratos na área da saúde. Os disparos foram feitos por Carlos Alberto Azevedo Filho, de 44 anos, que já havia sido preso por racismo e agressão em outra ocasião.
Câmera de segurança registrou briga entre médicos momentos antes do homicídio em Barueri.
Foto: Reprodução / TV Globo.
A polícia informa que ele tem registro de Colecionador, Atirador e Caçador (CAC), mas não possuía licença para circular armado. A defesa do médico afirmou que não irá se pronunciar.
A Secretaria de Segurança Pública de São Paulo comunicou que a autoridade policial segue com diligências para esclarecer o caso e que outros detalhes serão preservados para garantir a autonomia da investigação.
As vítimas são os médicos Luís Roberto Pellegrini Gomes, de 43 anos, e Vinicius dos Santos Oliveira, de 35 anos. Ambos chegaram a ser socorridos, mas morreram no pronto-socorro.
Luís Roberto foi velado e sepultado em Rafard, no interior paulista, a cerca de 140 km da capital. Vinicius foi velado em Osasco e deixa esposa e um filho de 1 ano e meio.
Como foi o crime
De acordo com a polícia, Carlos Alberto estava com amigos em um restaurante uruguaio quando viu os dois médicos em outra área do local. Ele se levantou, foi até a mesa onde estavam Luís Roberto e Vinicius e iniciou uma discussão.
Imagens de câmeras de segurança mostram as vítimas sentadas quando Carlos se aproxima e as cumprimenta. Em seguida, ele passa a conversar com Luís Roberto, que se levanta por alguns instantes. Logo depois de se sentar novamente, Carlos o agride. Vinicius então se levanta e troca socos com o atirador, enquanto funcionários do restaurante tentam separar os três.
Em outro vídeo, já do lado de fora do restaurante, Luís e Vinicius aparecem após a briga. Quando começam a caminhar para deixar o local, Carlos surge armado e dispara dezenas de vezes contra os dois.
Médico Carlos Alberto Azevedo Filho é preso por matar a tiros outros dois médicos.
Foto: Reprodução / Redes sociais.
Atuação da Guarda Municipal
A Guarda Municipal foi acionada para atender a uma ocorrência envolvendo uma pessoa armada. Ao chegar ao restaurante, os agentes revistaram os envolvidos, mas não encontraram nenhuma arma.
Os guardas orientaram que os três médicos deixassem o local. Já na área externa, segundo testemunhas, Carlos pegou uma arma de dentro de uma bolsa que teria sido entregue por uma mulher e, na sequência, fez os disparos.
[Os agentes] conseguiram apaziguar um pouquinho os ânimos, pediram para que eles se retirassem e, quando se retiraram, o atirador conseguiu acesso a essa bolsa com essa arma e saiu já do restaurante atirando nas vítimas
delegado Andreas Schiffmann
Os guardas correram, conseguiram render o médico e o algemaram. Carlos Alberto foi preso em flagrante e, após audiência de custódia, teve a prisão convertida em preventiva.
Segundo o delegado, toda a ação, entre os disparos e a rendição, durou cerca de 15 a 20 segundos. Luís Roberto foi atingido por oito tiros, e Vinicius, por dois.
Origem da arma usada no ataque
Testemunhas relataram que uma bolsa contendo a arma foi entregue ao atirador por uma mulher, que não teve o nome divulgado. Esse ponto ainda é investigado pela Polícia Civil.
De acordo com o delegado responsável, ainda não está claro se essa mulher levou a bolsa até o restaurante ou se a buscou em outro lugar para entregar a Carlos Alberto. A mala, descrita como masculina e com o nome de uma empresa, será analisada, e novas testemunhas devem ser ouvidas para esclarecer o trajeto do armamento.
Possível motivação do crime
Em entrevista, o delegado informou que Carlos Alberto e Luís Roberto eram sócios de empresas do setor de gestão hospitalar e vinham se desentendendo havia algum tempo por causa de contratos de licitação. Vinicius trabalhava como funcionário de Luís.
Parentes relataram à polícia que a relação entre eles era marcada por atritos e que já havia uma rixa, com ameaças de ambos os lados. O encontro dos três no restaurante teria acirrado os ânimos e resultado na briga que antecedeu o homicídio.
Quem é o médico atirador
Carlos Alberto Azevedo Filho já havia sido preso em 2025 pelos crimes de racismo e agressão em Aracaju, Sergipe. A reportagem não conseguiu contato com a defesa dele.
Segundo a polícia, ele possui registro como CAC, mas não tinha autorização para portar arma para defesa pessoal. Pela legislação federal, esse tipo de registro não permite o porte, que exige autorização específica. A arma usada no crime era uma pistola 9 mm.
Quem eram os médicos mortos
Luís Roberto Pellegrini Gomes, de 43 anos, atuava como cardiologista em um hospital municipal de Barueri. Ele foi velado e enterrado em Rafard, no interior de São Paulo.
A outra vítima, Vinicius dos Santos Oliveira, de 35 anos, trabalhava em unidades de saúde de Cotia desde 2019, com passagem por Unidades Básicas de Saúde do Atalaia, Caucaia do Alto e Portão, além do Pronto Atendimento de Caucaia do Alto.
Segundo a prefeitura, ele também atuou no hospital de campanha durante a pandemia de Covid-19 e era reconhecido pelo comprometimento com o serviço público, pela relação com os pacientes e pelo bom convívio com as equipes de trabalho. Vinicius deixa esposa e um filho de 1 ano e meio.
Próximos passos da investigação
O atirador foi encaminhado para a cadeia pública de Carapicuíba. A polícia deve colher novos depoimentos e aprofundar a análise das imagens e dos relatos das testemunhas.
A arma de fogo, as cápsulas deflagradas, a bolsa, diversos documentos e R$ 16 mil foram apreendidos e serão periciados. A polícia avalia Carlos Alberto como uma pessoa perigosa, com antecedentes de agressão e racismo, e defende a manutenção da prisão enquanto o caso é investigado.