Morre em Brasília o ex-ministro Raul Jungmann, aos 73 anos, vítima de câncer

Ex-ministro dos governos FHC e Michel Temer, Raul Jungmann morreu em Brasília, aos 73 anos, em decorrência de um câncer no pâncreas; ele teve longa trajetória política, presidia o Instituto Brasília Ambiental desde 2022 e foi responsável pela criação do Sistema Único de Segurança Pública

19/01/2026 às 09:41 por Redação Plox

Morreu neste domingo (18), em Brasília, o ex-ministro Raul Jungmann, aos 73 anos. Internado no Hospital DF Star, ele enfrentava há anos um câncer no pâncreas.

Raul Jungmann

Raul Jungmann

Foto: Agência Brasil/Marcelo Camargo


Nascido no Recife (PE), em 3 de abril de 1952, Jungmann construiu uma trajetória marcada por passagem em diferentes cargos nas esferas estadual e federal. Sua primeira função de maior destaque foi como secretário de Estado de Planejamento de Pernambuco, entre 1990 e 1991.

Da militância à construção de novos partidos

Jungmann iniciou a vida política no Partido Comunista Brasileiro (PCB), ainda na clandestinidade. Durante o regime militar, filiou-se ao Movimento Democrático Brasileiro (MDB). Anos depois, participou da fundação do Partido Popular Socialista (PPS), legenda na qual permaneceu, com interrupções, até 2018. O PPS foi posteriormente rebatizado e passou a se chamar Cidadania.

Quatro passagens pelo primeiro escalão

Ao longo da carreira, Raul Jungmann foi ministro em quatro ocasiões, em dois governos distintos. Serviu nas gestões de Fernando Henrique Cardoso (PSDB) e Michel Temer (MDB), à frente das áreas de Política Fundiária (1996-1999), Reforma Agrária (1999-2002), Defesa (2016-2018) e Segurança Pública (2018).

Ele também exerceu três mandatos como deputado federal: 2003-2006 (PMDB), 2007-2010 (PPS) e 2015-2018 (PPS). Além da atuação parlamentar e ministerial, presidiu o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama), fundou e comandou organizações não governamentais e integrou conselhos de administração de diversas entidades.

Desde março de 2022, Jungmann presidia o Instituto Brasília Ambiental (Ibram), entidade privada, sem fins lucrativos, que reúne mais de 300 associados responsáveis por 85% da produção mineral do Brasil.

Influência na política de segurança pública

Na área de segurança pública, um dos principais marcos de sua gestão foi a criação do Sistema Único de Segurança Pública (Susp), quando comandou o Ministério da Segurança Pública. A iniciativa passou a orientar a cooperação entre forças policiais em todo o país e hoje é alvo de proposta de emenda à Constituição (PEC) do governo Lula (PT), que busca incluir o sistema no texto constitucional.

O Susp estabelece que as polícias aprimorem a troca de informações entre os estados e atuem de forma integrada no combate ao crime. Também determinou que o cumprimento de metas definidas pelo governo passasse a contar com recursos do Fundo Nacional de Segurança Pública (FNSP) e do Fundo Penitenciário Nacional (Funpen), além de fundos estaduais, distrital e municipais, com transferências fundo a fundo.

Essa mudança representou um ponto de inflexão na presença da União na área de segurança, tradicionalmente de responsabilidade dos governos estaduais, conforme a Constituição.

Críticas à fragilidade institucional do setor

Em junho, durante um seminário na Universidade de Santo Amaro, em São Paulo, Jungmann alinhou seu discurso ao do então ministro da Justiça Ricardo Lewandowski ao tratar da fragilidade institucional da segurança pública no país e da urgência de reformas estruturais no setor.

A segurança pública não é estruturada em sistema. É o mais frágil comando constitucional. Como é possível confrontar o crime organizado, transnacionalizado, se nós não temos integração de inteligência, se nós não temos integração de coordenação de operações, o que é que os senhores acham que vai acontecer?

Raul Jungmann

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