OpenAI passa a testar anúncios personalizados no ChatGPT gratuito e lança assinatura Go com publicidade
Empresa inicia exibição de anúncios para adultos logados nos EUA, lança plano Go de US$ 8 ao mês e acelera monetização para sustentar investimento de US$ 1,4 trilhão em infraestrutura de IA até 2032
19/01/2026 às 08:08por Redação Plox
19/01/2026 às 08:08
— por Redação Plox
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O ChatGPT passará a exibir anúncios personalizados com base nas conversas dos usuários, em uma mudança que marca a entrada da OpenAI no mercado de publicidade digital dentro de assistentes de inteligência artificial.
A empresa anunciou na sexta-feira (16) que iniciará testes de anúncios na versão gratuita do chatbot para usuários adultos dos Estados Unidos que estiverem logados. Ao mesmo tempo, lançou o plano de assinatura “Go”, por US$ 8 mensais, que oferece maior capacidade de armazenamento e mais opções para criação de imagens, com preço abaixo dos planos “Plus” (US$ 20 por mês) e “Pro” (US$ 200 por mês). Assinantes do “Go” também verão anúncios, enquanto clientes dos planos “Plus”, “Pro” e corporativos seguirão com a experiência sem publicidade.
O ChatGPT poderá em breve exibir anúncios de produtos que ele acredita que você gostaria de comprar.
Foto: Reprodução / OpenAI.
Pressão por receita e investimentos bilionários
A decisão ocorre em um momento em que a OpenAI busca formas urgentes de ampliar a receita gerada por seus cerca de 800 milhões de usuários mensais. A companhia se comprometeu a investir US$ 1,4 trilhão em infraestrutura de IA ao longo dos próximos oito anos e trabalha para sustentar esse plano de expansão. Em novembro, a empresa projetou encerrar 2025 com receita anual na casa de US$ 20 bilhões.
O CEO da OpenAI, Sam Altman, já havia manifestado reservas quanto à presença de anúncios no ChatGPT. Apesar disso, a empresa vem ampliando suas fontes de monetização. No ano passado, lançou o recurso “Instant Checkout”, que permite comprar produtos de varejistas como Walmart e Etsy diretamente na interface do chatbot. Também desenvolveu ferramentas voltadas a saúde e aprendizado, entre outras funcionalidades, numa estratégia para tornar o ChatGPT mais presente no dia a dia dos usuários e estimular a migração para versões pagas.
Anúncios dentro das respostas do chatbot
A aposta é que a publicidade em um assistente de IA conversacional possa ser especialmente lucrativa, já que as informações trocadas nos chats permitem segmentar anúncios com alto grau de precisão. Em um cenário descrito pela própria empresa, um usuário que peça ajuda para planejar uma viagem poderia receber, logo abaixo da resposta, anúncios de hotéis ou opções de entretenimento no destino escolhido.
Nessa fase de teste, os anúncios aparecerão na parte inferior da resposta do ChatGPT à consulta do usuário e serão identificados como conteúdos “patrocinados”. Segundo a OpenAI, a presença de publicidade não irá determinar o conteúdo das respostas do sistema, que deverão continuar baseadas no que considera mais útil ao usuário.
Privacidade, dados e limites temáticos
A OpenAI afirma que não venderá dados de usuários ou o conteúdo das conversas a anunciantes e que será possível desativar a personalização de anúncios baseada nos chats. A empresa também delimita áreas sensíveis nas quais não pretende veicular publicidade, como “tópicos regulamentados”, incluindo saúde, saúde mental e política.
Considerando o que a IA pode fazer, estamos entusiasmados em desenvolver novas experiências ao longo do tempo que as pessoas considerem mais úteis e relevantes do que qualquer outro anúncio. Em breve, você poderá ver um anúncio e ser capaz de fazer diretamente as perguntas necessárias para tomar uma decisão de compra.
OpenAI, em postagem no blog
A companhia diz ainda que não exibirá anúncios para usuários que se identificarem como menores de 18 anos ou que sejam classificados como tal por seus sistemas internos. Para isso, utiliza ferramentas de IA que estimam a idade com base em hábitos de uso e no teor das conversas.
Riscos, controvérsias e o histórico de Altman
A inserção de publicidade em diálogos com chatbots eleva o potencial de controvérsia, dada a natureza muitas vezes pessoal e íntima dessas interações. A mudança também aumenta a pressão sobre a OpenAI para evitar a promoção de produtos perigosos ou prejudiciais, especialmente após processos judiciais em que o ChatGPT foi acusado de incentivar o suicídio de usuários.
Em uma entrevista concedida em 2024, Altman declarou que “odeia” anúncios e classificou a combinação entre publicidade e IA como “singularmente perturbadora”, embora tenha admitido que não descartaria completamente essa via de monetização. No ano anterior, já havia dito que não era “totalmente contra” a inclusão de anúncios no ChatGPT, mas ressaltou que a iniciativa “exigiria muito cuidado para ser feita corretamente”.
Publicidade em IA ganha tração no setor
A aposta da OpenAI ocorre em um contexto em que grandes empresas de tecnologia começam a integrar anúncios às experiências de IA. Em dezembro, a Meta passou a usar dados das interações dos usuários com seu próprio chatbot para direcionar campanhas publicitárias mais personalizadas, movimento que reforça a tendência de que anúncios se tornem parte crescente do uso cotidiano de sistemas de inteligência artificial em diferentes plataformas.