Hospital do DF se pronuncia após denúncia de assassinatos em série em UTI

Comitê interno do Hospital Anchieta, em Taguatinga (DF), identificou evidências contra ex-técnicos de enfermagem suspeitos de usar composto químico para provocar três mortes na UTI, o que levou à abertura de inquérito e à prisão dos investigados

19/01/2026 às 10:31 por Redação Plox

O Hospital Anchieta se manifestou sobre as investigações que apuram três homicídios supostamente cometidos por técnicos de enfermagem na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) da instituição, em Taguatinga, no Distrito Federal.

A unidade confirmou que identificou situações atípicas relacionadas às mortes e que, a partir disso, acionou a Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), que deu andamento às investigações. Os nomes dos suspeitos não foram divulgados.

Os casos são tratados como homicídios e integram a Operação Anúbis, conduzida pela Coordenação de Repressão a Homicídios e de Proteção à Pessoa (CHPP). Segundo a polícia, a operação investiga a atuação de técnicos de enfermagem e possíveis comparsas suspeitos de provocar a morte de pacientes por meio da aplicação indevida de um composto químico diretamente na veia.


Hospital do DF se pronuncia após denúncia de assassinatos em série em UTI

Hospital do DF se pronuncia após denúncia de assassinatos em série em UTI

Foto: Divulgação/PCDF


Hospital instaurou comitê interno e pediu abertura de inquérito

De acordo com o hospital, ao notar circunstâncias incomuns nos três óbitos ocorridos na UTI, foi instaurado um comitê interno para análise do caso. A instituição afirma ter conduzido uma apuração interna rápida, em menos de 20 dias, que apontou evidências envolvendo ex-técnicos de enfermagem. O material foi encaminhado às autoridades responsáveis.

Ao identificar circunstâncias atípicas relacionadas a três óbitos ocorridos em sua Unidade de Terapia Intensiva, o hospital instaurou, por iniciativa própria, em cumprimento ao seu dever civil, ético e ao seu compromisso com a transparência, comitê interno de análise e conduziu investigação célere e rigorosa, que em menos de vinte dias resultou na identificação de evidências envolvendo ex-técnicos de enfermagem, as quais foram formalmente encaminhadas às autoridades competentes. Hospital Anchieta

Com base nessas evidências, o hospital solicitou formalmente a instauração de inquérito policial e a adoção de medidas cautelares, incluindo a prisão dos suspeitos, que já haviam sido desligados da instituição. As prisões foram cumpridas nos dias 12 e 15 de janeiro de 2026, segundo a nota.

Contato com famílias e segredo de justiça

A unidade particular informou que fez contato com as famílias dos pacientes envolvidos e prestou esclarecimentos sobre o caso, afirmando ter atuado de forma responsável e acolhedora.

O hospital ressaltou que o processo corre em segredo de justiça, o que impede a divulgação de detalhes adicionais e a identificação das partes. A instituição afirma que o sigilo é necessário para preservar as investigações, proteger os envolvidos e garantir a atuação das autoridades nos limites estabelecidos pela decisão judicial.

Na manifestação pública, o hospital se apresenta também como vítima da conduta dos ex-funcionários, declara solidariedade aos familiares dos pacientes e reforça que vem colaborando de forma irrestrita com as autoridades, reiterando o compromisso com a segurança dos pacientes, com a verdade e com a Justiça.

Fases da Operação Anúbis

A primeira fase da Operação Anúbis foi deflagrada na manhã de 11 de janeiro, com apoio do Departamento de Polícia Especializada (DPE). Na ocasião, dois investigados foram presos temporariamente por ordem judicial.

Também foram cumpridos mandados de busca e apreensão em endereços de Taguatinga, Brazlândia e Águas Lindas, no Entorno do Distrito Federal. Durante as diligências, os policiais recolheram materiais considerados relevantes para a apuração, que passaram a ser analisados pelos investigadores.

Nesta etapa inicial, a polícia busca esclarecer a dinâmica das mortes, o papel de cada suspeito e a possível participação de outras pessoas nos crimes.

As investigações avançaram em 15 de janeiro, quando foi deflagrada a segunda fase da Operação Anúbis. Nessa etapa, a Polícia Civil cumpriu mais um mandado de prisão temporária contra uma investigada e realizou novas apreensões de dispositivos eletrônicos em endereços de Ceilândia e Samambaia.

Investigações continuam em andamento

A Polícia Civil informou que as apurações seguem em curso para esclarecer completamente os fatos, identificar todos os envolvidos e verificar se os homicídios ocorreram de forma isolada ou sistemática dentro da unidade hospitalar.

Segundo a corporação, o objetivo é reunir elementos que permitam detalhar as circunstâncias das mortes, a atuação de cada suspeito e a eventual existência de outros casos relacionados na UTI do hospital.

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