Transferência de Bolsonaro para 'Papudinha' é vista como passo rumo à prisão domiciliar

Decisão de Alexandre de Moraes é interpretada por aliados e ala do STF como melhora gradativa do regime, em meio a pressão da família, queda com traumatismo craniano e articulação política por solução menos rígida

19/01/2026 às 10:18 por Redação Plox

Aliados de Jair Bolsonaro (PL) e uma ala do Supremo Tribunal Federal (STF) passaram a ver a decisão do ministro Alexandre de Moraes de transferir o ex-presidente de unidade prisional como um movimento inicial rumo à concessão de prisão domiciliar, ainda que o magistrado não tenha dado qualquer sinal público nesse sentido.

Ala do STF passa a defender domiciliar para Bolsonaro e vê ida à Papudinha como passo inicial

Ala do STF passa a defender domiciliar para Bolsonaro e vê ida à Papudinha como passo inicial

Foto: STF


Avaliação interna no STF sobre mudança de regime

Integrantes do tribunal, de grupos distintos, interpretaram a ida de Bolsonaro para a chamada Papudinha, em Brasília, como um gesto que o coloca em condições mais favoráveis e que pode abrir caminho, em curto prazo, para que ele volte a cumprir pena em casa. Para esses ministros, a melhoria na estrutura e no conforto do novo local funciona como etapa intermediária antes de eventual domiciliar.

A leitura é feita mesmo sem indicação explícita de Moraes de que pretende conceder o benefício. Na decisão que determinou a transferência para a Papudinha, o ministro frisou que o cumprimento de pena não equivale a uma "estadia hoteleira" ou a uma "colônia de férias" e rebateu críticas dos filhos de Bolsonaro sobre as condições da sala de Estado-Maior da Polícia Federal (PF).

Condenação, tornozeleira e transferência

Condenado por tentativa de golpe de Estado, Bolsonaro havia deixado o regime domiciliar em novembro, quando foi enviado para a Superintendência da PF em Brasília após tentar violar a tornozeleira eletrônica, gesto que ele atribuiu à "curiosidade". Seus médicos associaram o episódio a confusão mental provocada por medicamentos. Especialistas, no entanto, afirmam que os remédios utilizados pelo ex-presidente são considerados seguros e que, apenas em casos raros, podem provocar delírios.

Pressão da defesa e da família por prisão domiciliar

Desde que Bolsonaro passou ao regime fechado, a defesa tem apresentado uma série de pedidos a Moraes — de instalação de Smart TV a ajustes para reduzir o ruído do ar-condicionado — enquanto a família insiste em apontar supostos riscos à saúde fora de casa. A ofensiva se intensificou após o ex-presidente sofrer uma queda, seguida de diagnóstico de traumatismo craniano leve.

Um integrante do Supremo, alinhado ao grupo considerado próximo a Moraes, afirmou ao jornal que passou a defender que Bolsonaro cumpra a pena em casa por receio de que o STF seja responsabilizado por eventuais complicações em seu quadro de saúde. Para esse ministro, seria questão de tempo até que o próprio Moraes seja convencido de que a domiciliar é a alternativa mais prudente.

Movimentos políticos e expectativa de mudança

Pessoas próximas a Bolsonaro partilham dessa percepção e avaliam que outros ministros tendem a se convencer da necessidade de mudar o regime prisional do ex-presidente, aumentando a pressão interna sobre Moraes para uma decisão favorável à domiciliar. A leitura nesse grupo é que o ambiente político e institucional se move gradualmente para uma solução menos rigorosa do que o cárcere em unidade da PF.

A estratégia ganhou força após a atuação direta da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, junto ao tribunal. Michelle conversou separadamente com Moraes e com o ministro Gilmar Mendes, enquanto Tarcísio procurou quatro ministros para pedir que Bolsonaro volte ao regime de prisão domiciliar.

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