Técnicos de enfermagem são investigados por mortes na UTI de hospital em Taguatinga
Operação Anúbis apura uso de substância aplicada na veia para provocar parada cardíaca e mascarar causa de óbitos em pacientes do Hospital Anchieta
19/01/2026 às 11:50por Redação Plox
19/01/2026 às 11:50
— por Redação Plox
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Uma professora aposentada de 75 anos, um servidor da Caesb de 63 e um funcionário dos Correios de 33 anos estão entre as vítimas dos homicídios atribuídos a três técnicos de enfermagem do Hospital Anchieta, em Taguatinga (DF). Os nomes dos pacientes não foram divulgados pelas autoridades ou pelo hospital.
Foto: Divulgação/PCDF
Os suspeitos são duas técnicas de enfermagem, de 22 e 28 anos, e um técnico de 24 anos. A identidade do trio não foi revelada, e a motivação do crime ainda não é conhecida. Os casos ocorreram na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do hospital e são investigados como homicídios.
De acordo com as investigações, o técnico de 24 anos era o responsável por aplicar as medicações e já havia trabalhado em vários hospitais, além de cursar fisioterapia. A técnica de 28 anos também tinha passagem por outras unidades de saúde. Já a profissional de 22 anos estava em seu primeiro emprego.
Investigação aponta uso de substância letal na UTI
Os crimes teriam ocorrido entre novembro e dezembro de 2025. As apurações integram a Operação Anúbis, conduzida pela Coordenação de Repressão a Homicídios e de Proteção à Pessoa (CHPP), e indicam que os investigados teriam usado uma substância aplicada diretamente na veia das vítimas.
Quando administrado fora dos protocolos médicos, o composto é capaz de provocar parada cardíaca em poucos minutos. Fontes ligadas à investigação relatam que a substância chama atenção por poder causar a morte sem deixar sinais evidentes de imediato, o que dificulta a identificação da causa real do óbito e pode simular morte natural ou complicações clínicas.
Hospital pediu abertura de inquérito e prisões
O Hospital Anchieta solicitou a instauração de inquérito policial e a adoção de medidas cautelares, incluindo a prisão dos envolvidos, que já haviam sido desligados da instituição. As ordens de prisão foram cumpridas nos dias 12 e 15 de janeiro de 2026.
A unidade particular informou ter procurado as famílias dos pacientes para prestar esclarecimentos e apoio. O hospital também destacou que o caso tramita em segredo de justiça, o que impede a divulgação de mais detalhes e a identificação das partes envolvidas.
O Hospital, enquanto também vítima da ação destes ex-funcionários, solidariza-se com os familiares das vítimas, e informa que está colaborando de forma irrestrita e incondicional com as autoridades públicas, reafirmando seu compromisso permanente com a segurança dos pacientes, com a verdade e a Justiça
Hospital Anchieta, em nota
Operação Anúbis tem duas fases e novas apreensões
A primeira fase da Operação Anúbis foi deflagrada em 11 de janeiro, com apoio do Departamento de Polícia Especializada (DPE). Na ação inicial, dois investigados foram presos temporariamente por determinação judicial, e foram cumpridos mandados de busca e apreensão em endereços de Taguatinga, Brazlândia e Águas Lindas, no Entorno do Distrito Federal.
Durante as diligências, policiais recolheram materiais considerados relevantes, que passaram a ser analisados pelos investigadores. A Polícia Civil busca esclarecer a dinâmica das mortes, o papel de cada suspeito e se houve participação de outras pessoas.
A segunda fase da operação foi deflagrada em 15 de janeiro, quando foi cumprido mais um mandado de prisão temporária contra uma investigada. Nessa etapa, também houve novas apreensões de dispositivos eletrônicos em endereços de Ceilândia e Samambaia.
A Polícia Civil informou que as investigações continuam para esclarecer completamente os fatos, identificar todos os envolvidos e apurar se os homicídios foram episódios isolados ou se ocorreram de forma sistemática dentro da unidade hospitalar.
Nota do Hospital Anchieta na íntegra
Na manifestação oficial, o Hospital Anchieta afirma que, ao identificar circunstâncias atípicas relacionadas a três óbitos na UTI, instaurou por conta própria um comitê interno de análise e conduziu investigação considerada célere e rigorosa. Em menos de 20 dias, segundo a instituição, foram identificadas evidências envolvendo ex-técnicos de enfermagem, posteriormente encaminhadas às autoridades competentes.
Com base nessas evidências, o hospital diz ter requerido formalmente a abertura de inquérito e as medidas cautelares, inclusive as prisões. A instituição também ressalta que entrou em contato com as famílias dos pacientes e reforça a importância do segredo de justiça para a preservação da apuração e proteção dos envolvidos.