Técnicos de enfermagem são presos suspeitos de matar três pacientes em UTI

Trio é investigado por aplicar doses elevadas de medicamento e até desinfetante em idosos e servidor público, após detecção de óbitos atípicos pelo Hospital Anchieta, em Taguatinga (DF)

19/01/2026 às 18:55 por Redação Plox

Três técnicos de enfermagem que trabalhavam no Hospital Anchieta, em Taguatinga, no Distrito Federal, foram presos suspeitos de assassinar três pacientes entre novembro e dezembro de 2025. De acordo com as investigações, eles teriam aplicado doses elevadas de um medicamento, usando a substância como veneno contra os internados.



Além desse remédio, o técnico apontado como principal suspeito utilizou uma seringa para fazer 13 aplicações de desinfetante em uma paciente de 75 anos. Segundo a Polícia Civil, todas as aplicações ocorreram no mesmo dia, após a idosa sofrer seis paradas cardíacas.

Em outra ocasião, o mesmo técnico, de 24 anos, usou a senha de um médico do hospital para emitir uma receita fraudulenta do medicamento. Com o documento, retirou o remédio na farmácia da unidade e o aplicou nas três vítimas, sem consultar a equipe médica, conforme a apuração policial. A Polícia Civil do DF decidiu não divulgar o nome da substância.

Foto: PCDF


Aplicações em série e disfarce do crime

De acordo com a investigação, duas das aplicações foram feitas em 17 de novembro de 2025 e a terceira em 1º de dezembro do mesmo ano. Para tentar ocultar a autoria do crime, o técnico de enfermagem realizava massagem cardíaca nas vítimas, simulando esforço para reanimá-las, segundo a Polícia Civil.

O inquérito tramita sob sigilo, e, por isso, os nomes dos investigados não foram divulgados.

Piora súbita das vítimas acendeu alerta

De acordo com a diretora do Instituto Médico Legal, Márcia Reis, os pacientes tinham quadros clínicos de gravidade diferente, mas um ponto em comum chamou a atenção de médicos e investigadores: a piora súbita de todos eles.

Imagens das câmeras de segurança da Unidade de Terapia Intensiva (UTI), onde as vítimas estavam internadas, mostram que a aplicação dos medicamentos ocorria justamente em momentos de agravamento do estado de saúde dos pacientes, segundo a Polícia Civil.

As vítimas são:

a professora aposentada Miranilde Pereira da Silva, 75 anos, de Taguatinga;

o servidor público João Clemente Pereira, 63 anos, do Riacho Fundo I;

o servidor público Marcos Raymundo Fernandes Moreira, 33 anos, de Brazlândia.

Em nota, a família de João Clemente afirmou que acreditava que a morte dele havia ocorrido por “causas naturais”. A informação sobre a suspeita de crime só chegou à família na sexta-feira (16).

Reação do Hospital Anchieta e demissões

Também por meio de nota, o Hospital Anchieta informou que, ao identificar “circunstâncias atípicas” relacionadas a três óbitos na UTI, instaurou um comitê interno para apurar os fatos e, com base no resultado dessa análise, solicitou a abertura de inquérito policial.

Os ex-técnicos de enfermagem supostamente envolvidos nos crimes foram demitidos. Segundo o hospital, as famílias das vítimas foram comunicadas e receberam esclarecimentos “de forma responsável e acolhedora”.

Foto: PCDF


Operação policial e novas frentes de investigação

A Polícia Civil informou que as prisões dos ex-técnicos ocorreram em 11 de janeiro de 2026. Na mesma data, foram cumpridos três mandados de busca e apreensão em Taguatinga, Brazlândia e Águas Lindas de Goiás.

A segunda fase da operação foi deflagrada em 15 de janeiro, com a apreensão de dispositivos eletrônicos em Ceilândia e Samambaia.

A corporação ainda apura se há outras possíveis vítimas no Hospital Anchieta e em outras unidades de saúde onde o técnico de 24 anos já trabalhou.

Posicionamento do Hospital Anchieta

O Hospital Anchieta S.A., referência em cuidados de saúde em Brasília/DF há 30 anos, vem a público esclarecer as providências adotadas diante de fatos graves envolvendo ex-funcionários da instituição.

Ao identificar circunstâncias atípicas relacionadas a três óbitos ocorridos em sua Unidade de Terapia Intensiva, o Hospital instaurou, por iniciativa própria, em cumprimento ao seu dever civil, ético e ao seu compromisso com a transparência, comitê interno de análise e conduziu investigação célere e rigorosa, que em menos de vinte dias resultou na identificação de evidências envolvendo ex-técnicos de enfermagem, as quais foram formalmente encaminhadas às autoridades competentes.

Com base nessas evidências, fruto da investigação interna realizada pela instituição, o próprio Hospital requereu a instauração de inquérito policial, bem como a adoção das medidas cautelares cabíveis, inclusive a prisão cautelar dos envolvidos os quais já haviam sido desligados da Instituição, prisões as quais foram cumpridas pelas autoridades nos dias 12 e 15 de janeiro de 2026.

Pautado pela transparência de seus processos e pela confiança nos protocolos internos que norteiam sua atuação, o Hospital entrou em contato com as famílias envolvidas, prestando todos os esclarecimentos necessários de forma responsável e acolhedora. Reitera, ainda, que o caso tramita em segredo de justiça, o que impossibilita a divulgação de informações adicionais bem como a identificação das partes envolvidas.

O hospital entende que o segredo de justiça é imprescindível à preservação da apuração, à proteção das partes envolvidas e ao regular exercício das atribuições das autoridades competentes, o qual deve ser estritamente observado de acordo com os limites impostos pela decisão judicial.

O Hospital, enquanto também vítima da ação destes ex-funcionários, solidariza-se com os familiares das vítimas, e informa que está colaborando de forma irrestrita e incondicional com as autoridades públicas, reafirmando seu compromisso permanente com a segurança dos pacientes, com a verdade e a justiça.

Hospital Anchieta

O que diz o Conselho Regional de Enfermagem

Em nota, o Conselho Regional de Enfermagem do Distrito Federal (Coren-DF) informou que tomou conhecimento dos fatos noticiados pela imprensa sobre mortes suspeitas de pacientes em uma unidade hospitalar do DF e que acompanha o caso dentro de sua competência legal.

O conselho afirmou que o episódio também é investigado pelas autoridades e tramita na esfera judicial, o que impede, neste momento, qualquer conclusão definitiva ou juízo de valor, devendo ser respeitados o devido processo legal, o contraditório e a ampla defesa.

Na nota, o Coren-DF reforçou o compromisso com a segurança do paciente, a ética profissional e uma enfermagem qualificada, responsável e comprometida com a vida.

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