Bancos revisam projeções e já veem PIB do Brasil perto de 2% em 2026

Enquanto a mediana do Focus segue em 1,8%, Itaú e XP elevaram estimativas com base em cenário externo, câmbio, juros e estímulos via renda e crédito; Fazenda projeta 2,3%

19/02/2026 às 18:35 por Redação Plox

As principais instituições financeiras do país iniciaram um processo de revisão das projeções de crescimento da economia brasileira em 2026. Embora a mediana das expectativas de mercado ainda aponte para uma alta de 1,8% do PIB no próximo ano, de acordo com o relatório Focus do Banco Central, grandes bancos já trabalham com um cenário de avanço em torno de 2%. Entre economistas, há quem avalie que o resultado pode ser ainda mais robusto, caso o governo adote novas medidas de estímulo fiscal.

‘Saco de bondades’ de Lula e dólar fraco levam mercado a revisar alta do PIB para 2%

‘Saco de bondades’ de Lula e dólar fraco levam mercado a revisar alta do PIB para 2%

Foto: Agência Brasil



Revisão nas projeções do Itaú Unibanco

O Itaú Unibanco revisou sua projeção de crescimento do PIB em 2026 de 1,7% para 1,9%. Segundo a instituição, a mudança decorre principalmente de uma visão mais favorável sobre o desempenho da economia global, o que tende a beneficiar o Brasil.

Esse ambiente externo mais benigno inclui um dólar mais fraco, o que costuma favorecer países emergentes, e o patamar elevado de juros domésticos, que continua atraindo capital estrangeiro. Na avaliação do banco, o viés para o desempenho da atividade econômica neste momento é de alta, especialmente diante da possibilidade de novas medidas de estímulo em ano eleitoral. Na prática, o PIB pode superar as projeções atuais caso o presidente Luiz Inácio Lula da Silva decida ampliar o conjunto de medidas de incentivo, o chamado “saco de bondades”.

XP vê aceleração com renda, crédito e gasto público

Na XP, a previsão de crescimento para 2026 foi elevada de 1,7% para 2%. De acordo com o economista Rodolfo Margato, a atividade econômica deve ganhar fôlego, puxada por estímulos de renda e de crédito ao longo do ano.

A expectativa é de que a renda real disponível das famílias registre expansão significativa, apoiada por um mercado de trabalho mais apertado, pelo aumento das transferências fiscais e pelos efeitos da reforma do IRPF (Imposto de Renda da Pessoa Física).

Além disso, esperamos forte expansão dos gastos de governos estaduais, aumento do crédito direcionado às empresas – liderado por bancos públicos – e aceleração do crédito consignado para trabalhadores do setor privado. Em nossa avaliação, esses fatores devem mais do que compensar os efeitos da política monetária contracionistaRodolfo Margato

Governo mantém cenário ainda mais otimista

Apesar da cautela de parte do mercado, o Ministério da Fazenda trabalha com uma projeção mais otimista para 2026. A pasta estima uma expansão de 2,3% da geração de riquezas no país no próximo ano, acima tanto da mediana do Focus quanto das previsões atualizadas por grandes instituições financeiras.

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