Pesquisadora da UFRJ diz que Brasil perdeu patente internacional da polilaminina por falta de verba

Tatiana Coelho de Sampaio afirma que cortes de recursos interromperam o pagamento de taxas no exterior, enquanto a patente nacional teria sido mantida

19/02/2026 às 11:20 por Redação Plox

A pesquisadora Tatiana Coelho de Sampaio, doutora e cientista da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), afirmou que o Brasil perdeu a patente internacional da polilaminina por falta de verba na instituição. A declaração foi feita em janeiro de 2026, durante participação no programa Conversas com Hildegard Angel, da TV 247.

Segundo Tatiana, o episódio ocorreu durante as gestões de Dilma Rousseff e Michel Temer, período em que a universidade enfrentou cortes de recursos. A pesquisadora detalhou que a falta de dinheiro impediu a manutenção dos pagamentos necessários para preservar o registro internacional da tecnologia.

Brasil perdeu patente internacional da polilaminina por falta de verba, diz Tatiana Coelho de Sampaio Fotos:

Brasil perdeu patente internacional da polilaminina por falta de verba, diz Tatiana Coelho de Sampaio Fotos:

Foto: Reprodução/TV Globo e Marcelo Camargo/Agência Brasil


Patente nacional mantida, internacional perdida

Ela relatou que o pedido de patente da polilaminina foi feito ainda em 2007, quando o estudo estava na fase inicial e longe de ser testado em humanos. A concessão, no entanto, só aconteceu anos depois.

Nós fizemos um pedido de patente em 2007, quando estava muito longe ainda de ter um efeito, muito longe de testar em humanos. Estava bem no início do projeto. (…) A patente foi concedida em 2025. Foram 18 anos! Nós temos. Só que uma patente só dura 20 anos. (…) Essa patente é nacional. Nós fizemos a nacional, depois fizemos a internacional, tudo dentro do prazo.

Tatiana Coelho de Sampaio

Questionada se a patente internacional chegou a ser concedida, Tatiana explicou que os cortes orçamentários atingiram diretamente a capacidade da UFRJ de manter os pagamentos relativos ao processo.

Ela afirmou que, em 2015 e 2016, os recursos foram especialmente reduzidos, o que resultou na interrupção do pagamento das taxas internacionais e, consequentemente, na perda dessas patentes.

Como a polilaminina ajudou pacientes

A polilaminina é uma rede de proteínas utilizada por Tatiana em pesquisas voltadas à recuperação de movimentos em pacientes paraplégicos e tetraplégicos. O material permitiu restabelecer conexões entre neurônios e o restante do corpo em parte dos casos acompanhados pela cientista.

Em um grupo de oito pacientes que receberam tratamento com polilaminina, seis recuperaram movimentos. Um dos casos destacados pela pesquisadora é o de um paciente que não mexia nenhuma parte do corpo do pescoço para baixo e, após o tratamento, conseguiu voltar a andar sozinho, resultado atribuído aos estudos conduzidos por Tatiana.

Esforço pessoal e perda irreversível

A pesquisadora relatou ainda que a patente nacional foi mantida e que chegou a usar recursos próprios para custear parte dos custos associados à proteção da tecnologia. Mesmo assim, o Brasil perdeu a oportunidade de assegurar a patente internacional da polilaminina, situação que, de acordo com ela, agora é irreversível.

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