Psiquiatra alerta: uso de álcool e drogas pode virar doença e afetar saúde mental e rotina
No Dia Nacional de Combate ao Alcoolismo e às Drogas, médico do Hospital Márcio Cunha explica sinais de alerta, impactos psicológicos e riscos físicos do consumo abusivo, além da importância do tratamento precoce
19/02/2026 às 16:19por Redação Plox
19/02/2026 às 16:19
— por Redação Plox
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O consumo de bebidas alcoólicas e outras substâncias psicoativas ainda é, muitas vezes, associado a momentos de lazer e socialização. Porém, quando o uso deixa de ser eventual e passa a interferir na saúde, nos relacionamentos e na rotina, aquilo que parecia uma escolha pode se transformar em doença. O alerta ganha força com o Dia Nacional de Combate ao Alcoolismo e às Drogas, celebrado em 20 de fevereiro, data que reforça a importância da conscientização, da prevenção e da busca por tratamento.
Foto: Divulgação
Impactos na saúde mental e no comportamento
Segundo o médico psiquiatra do Hospital Márcio Cunha, Dr. Rafael Procópio, o consumo abusivo de álcool vai muito além dos danos físicos e atinge diretamente a saúde mental, com aumento de quadros de ansiedade, depressão, crises de pânico, alterações de humor, insônia e até episódios psicóticos, além de potencializar doenças psiquiátricas já existentes.
Em muitos casos, as pessoas recorrem ao álcool e a outras drogas para tentar aliviar o sofrimento emocional, mas acabam presas em um ciclo ainda mais prejudicial. Reconhecer esse processo nem sempre é simples. A dependência costuma se instalar de maneira silenciosa e progressiva, o que exige atenção redobrada de familiares e amigos.
Entre os principais sinais de alerta estão a dificuldade de reduzir ou interromper o consumo, o aumento da quantidade utilizada e a necessidade de usar a substância para se sentir bem. Irritabilidade na ausência do uso, mentiras sobre a frequência ou a quantidade consumida, isolamento social e queda no desempenho profissional ou escolar também são indicativos frequentes. Muitas vezes, a pessoa minimiza o problema e nega que precisa de ajuda, atrasando o início do tratamento.
Quando o uso se torna doença
A dependência química é reconhecida como condição médica e se caracteriza pela perda de controle sobre o consumo, mesmo diante de prejuízos claros em diferentes áreas da vida. Nesses casos, o indivíduo mantém o uso de álcool ou outras drogas apesar dos danos à saúde, à família, ao trabalho e à vida social.
O uso abusivo pode provocar doenças hepáticas, problemas cardiovasculares, alterações neurológicas e prejuízos ao sistema digestivo, além de enfraquecer o sistema imunológico. Outro ponto preocupante é o aumento do risco de acidentes, especialmente no trânsito, e de episódios de violência, com consequências que podem atingir tanto quem faz uso quanto outras pessoas.
Com o passar do tempo, o organismo se desgasta e as complicações podem ser graves, chegando a ser fatais. Por isso, identificar o problema e intervir precocemente é decisivo para mudar o rumo da doença.
Tratamento precoce aumenta as chances de recuperação
Apesar dos desafios, a dependência tem tratamento, e quanto mais cedo ele começa, maiores são as chances de recuperação e de retomada da qualidade de vida. O acompanhamento profissional adequado ajuda a evitar complicações físicas, emocionais e sociais, além de reduzir o risco de recaídas.
A intervenção nos estágios iniciais também favorece a reinserção social e a reconstrução de projetos de vida, reforçando que a dependência não é sinal de fraqueza, mas uma doença que exige abordagem especializada e acompanhamento contínuo.
O Dia Nacional de Combate ao Alcoolismo e às Drogas se apresenta, assim, como um convite à reflexão sobre o tema e lembra que acolhimento, informação e acesso ao tratamento são passos essenciais para transformar histórias e salvar vidas.
Hospital Márcio Cunha: referência em alta complexidade
Com 60 anos de atuação, o Hospital Márcio Cunha é um hospital geral de alta complexidade, com 558 leitos distribuídos em três unidades, sendo uma delas dedicada exclusivamente ao tratamento oncológico. A instituição atende mais de 1,6 milhão de habitantes de 87 municípios de Minas Gerais e conta com cerca de 500 médicos em 58 especialidades.
A estrutura contempla serviços de ambulatório, pronto-socorro, medicina diagnóstica, ensino e pesquisa, terapia intensiva adulta, pediátrica e neonatal, urgência e emergência, terapia renal substitutiva, alta complexidade cardiovascular, oncologia adulto e infantil, entre outros.
No último ano, o HMC registrou aproximadamente 5.200 partos, cerca de 36 mil internações, mais de 18 mil cirurgias e mais de 60 mil sessões de hemodiálise. Na unidade de oncologia, foram realizadas mais de 18 mil sessões de radioterapia e cerca de 33 mil sessões de quimioterapia.
O Hospital Márcio Cunha foi o primeiro do país a conquistar acreditação em nível de excelência (ONA III) pela Organização Nacional de Acreditação. Além disso, figura em ranking da revista norte-americana Newsweek entre as melhores unidades hospitalares do Brasil, ocupando a 6ª posição em Minas Gerais e a 27ª no cenário nacional.