Após polêmica envolvendo o cão Orelha, delegado se afasta para disputar eleição
Ulisses Gabriel se afastará do cargo após pouco mais de três anos para se dedicar à pré-candidatura a deputado estadual pelo PL, enquanto o MPSC apura sua conduta no caso do cão Orelha
19/02/2026 às 13:54por Redação Plox
19/02/2026 às 13:54
— por Redação Plox
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O delegado-geral da Polícia Civil de Santa Catarina (PCSC), Ulisses Gabriel, vai deixar o comando da instituição para se dedicar às campanhas eleitorais. Ele é pré-candidato a deputado estadual pelo Partido Liberal (PL) e encerra a gestão após pouco mais de três anos à frente da delegacia-geral, cargo que assumiu em 10 de janeiro de 2023.
Ulisses Gabriel é pré-candidato a deputado estadual. O nome dele ganhou projeção nacional, em janeiro deste ano, com o caso do cão Orelha
Foto: Reprodução/Redes sociais
Natural de Turvo, em Santa Catarina, Ulisses ingressou na Polícia Civil do estado em 2007 e, desde então, atuou em diversas unidades. Seu nome ganhou projeção nacional após o caso do cão Orelha, brutalmente espancado e morto por adolescentes em janeiro deste ano, episódio que gerou forte comoção e ampla repercussão pública.
Ministério Público apura conduta de delegado
No início deste mês, Ulisses Gabriel passou a ser alvo de um procedimento preparatório instaurado pelo Ministério Público de Santa Catarina (MPSC). A investigação é conduzida pela 40ª Promotoria de Justiça, responsável pelo controle externo da atividade policial.
O objetivo é avaliar se há elementos suficientes para a abertura de um inquérito civil, que pode resultar em medidas judiciais contra o delegado. Segundo o Ministério Público, a iniciativa foi motivada pelo recebimento de diversas representações que questionam a conduta do chefe da Polícia Civil no curso das investigações relacionadas ao caso.
De acordo com o MP, a apuração busca esclarecer se houve abuso de autoridade, violação de sigilo funcional e eventual ato de improbidade administrativa. O foco está na possibilidade de o delegado ter revelado informações que deveriam permanecer sob sigilo, o que, em tese, poderia ter gerado beneficiamento por informação privilegiada ou colocado em risco a segurança da sociedade e do Estado.
Entenda o caso do cão Orelha
O caso Orelha ganhou grande repercussão depois que o cão comunitário foi violentamente agredido por um grupo de adolescentes. O animal chegou a ser resgatado por moradores no dia seguinte às agressões, mas não resistiu aos ferimentos e morreu em uma clínica veterinária.
A Polícia Civil concluiu a investigação em 3 de fevereiro. No encerramento do inquérito, foi solicitada a internação de um dos adolescentes envolvidos, enquanto três adultos foram indiciados por coação no curso do processo, suspeitos de tentar interferir nos depoimentos. Ao todo, quatro adolescentes foram formalmente representados.
Durante a apuração, os investigadores ouviram 24 testemunhas e analisaram a conduta de oito adolescentes. Para reconstruir a dinâmica do crime e identificar todos os envolvidos, a polícia examinou mais de mil horas de imagens, obtidas a partir de 14 câmeras de segurança instaladas na região onde ocorreram as agressões.
Por envolver menores de idade, o procedimento tramita em segredo de Justiça, conforme informou o Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC). O caso segue sob sigilo, enquanto repercute na esfera política e institucional com a saída de Ulisses Gabriel do comando da Polícia Civil.