IBC-Br aponta alta de 2,5% da atividade econômica em 2025 e confirma desaceleração
Prévia do PIB do Banco Central mostra pior desempenho desde 2020; agropecuária puxou o resultado, enquanto juros elevados seguem no centro do cenário
19/02/2026 às 09:50por Redação Plox
19/02/2026 às 09:50
— por Redação Plox
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O Índice de Atividade Econômica (IBC-Br) do Banco Central, considerado uma prévia do Produto Interno Bruto (PIB), apontou expansão de 2,5% em 2025, na comparação com o ano anterior, informou a instituição nesta quinta-feira (19).
Agropecuária impulsionou a economia no ano passado, segundo o BC
Foto: Sebrae/divulgação
O resultado confirma a desaceleração do ritmo da economia em relação a 2024, quando o indicador havia avançado 3,7%. Foi o pior desempenho desde 2020, período em que a atividade ainda sentia os efeitos do isolamento social na fase mais aguda da pandemia de Covid-19.
Desempenho por setor em 2025
De acordo com os dados divulgados, o resultado do IBC-Br em 2025 foi puxado principalmente pela agropecuária:
Agropecuária: alta de 13,1% em 2025.
Indústria: crescimento de 1,5%.
Serviços: avanço de 2,1%.
O comportamento desses três grandes setores ajuda a explicar o movimento geral de perda de fôlego da economia em relação ao ano anterior, mesmo com desempenho robusto do campo.
O que é o PIB e como ele se relaciona com o IBC-Br
O PIB é a soma de todos os bens e serviços produzidos no país, independentemente da nacionalidade de quem os produz. É o principal termômetro do comportamento da economia brasileira.
O IBC-Br, calculado pelo Banco Central, também acompanha o nível de atividade, mas segue metodologia própria. Embora seja visto como uma “prévia” do PIB, o resultado do índice do BC não coincide necessariamente com o dado oficial do IBGE.
Quando o PIB cresce, significa que a economia está produindo mais. Em caso de queda, indica retração, com menor consumo e investimento. No entanto, o avanço do PIB não se traduz automaticamente em melhora do bem-estar social.
O resultado oficial do PIB de 2025 será divulgado em 3 de março pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em 2024, o PIB havia registrado expansão de 3,4%.
Projeções para 2025 e dados recentes
Para 2025, o Ministério da Fazenda projeta crescimento de 2,3% para o PIB, mesma estimativa do Banco Central para a economia no ano passado.
Os números mensais mais recentes do IBC-Br mostram perda de tração no fim de 2024. Em dezembro, houve retração de 0,2% em relação ao mês anterior, após ajuste sazonal.
Desaceleração em meio a juros altos
A desaceleração da atividade econômica já era esperada pelo mercado financeiro e pelo Banco Central, em um cenário de taxa de juros elevada.
A taxa Selic está fixada em 15% ao ano, o maior patamar em quase duas décadas, como parte da estratégia do BC para conter pressões inflacionárias.
A instituição sinalizou que pode iniciar o ciclo de queda dos juros em março, e o mercado projeta um corte de 0,5 ponto percentual, para 14,5% ao ano.
Segundo o Banco Central, o arrefecimento do ritmo de crescimento da economia é visto como parte da estratégia de combate à inflação, considerado um elemento necessário para a convergência dos preços à meta de 3% ao ano.
No comunicado da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), realizada em dezembro, o BC informou que o chamado “hiato do produto” permanece positivo — ou seja, a economia ainda opera acima de seu potencial de crescimento sem gerar pressões adicionais de inflação.
Diferenças entre PIB e IBC-Br
Criado em 2010, o IBC-Br reúne informações de diversos setores e funciona como um termômetro de curto prazo da atividade econômica, acompanhando a trajetória da economia ao longo do ano.
Embora seja usado como “prévia do PIB”, o índice do Banco Central tem diferenças em relação ao cálculo oficial feito pelo IBGE. O IBC-Br incorpora estimativas para agropecuária, indústria, serviços e impostos, mas não considera o lado da demanda, componente presente na metodologia do PIB.
O IBC-Br também é uma das ferramentas utilizadas pelo Banco Central na definição da taxa básica de juros. Em momentos de maior crescimento da economia, a atividade mais aquecida pode elevar a pressão inflacionária, o que tende a influenciar as decisões sobre o ritmo de redução dos juros.