Zuckerberg depõe em julgamento sobre acusação de vício em redes sociais entre jovens

Em Los Angeles, fundador da Meta negou que a empresa buscasse elevar o tempo de uso “a qualquer custo”, mas admitiu demora do Instagram em aprimorar a identificação de menores de 13 anos.

19/02/2026 às 10:44 por Redação Plox

O fundador da Meta, Mark Zuckerberg, prestou depoimento em um julgamento considerado histórico nos Estados Unidos, que discute se redes sociais podem causar dependência em crianças e adolescentes — um debate que também ganha força no Brasil.



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No tribunal de Los Angeles, o CEO da empresa dona do Facebook e do Instagram afirmou que o objetivo da companhia nunca foi aumentar o tempo de uso a qualquer custo, mas tornar as plataformas “úteis”. Segundo ele, a Meta teria se afastado de metas internas baseadas exclusivamente em engajamento. Ainda assim, durante o julgamento, Zuckerberg reconheceu que o Instagram demorou para aprimorar mecanismos de identificação de usuários menores de 13 anos.



O processo foi movido por uma jovem que afirma ter sido prejudicada pelo uso precoce e intenso das plataformas. Documentos internos apresentados por advogados apontariam estratégias para ampliar o tempo de permanência no aplicativo, enquanto a defesa argumenta que as políticas da empresa vêm passando por mudanças ao longo dos anos.


A Meta é dona de redes sociais como o Facebook, Instagram e WhatsApp.

A Meta é dona de redes sociais como o Facebook, Instagram e WhatsApp.

Foto: Reprodução / Agência Brasil.


Julgamento pode redefinir modelo das big techs

O caso é visto como um marco porque pode abrir precedente para centenas de outras ações e colocar em xeque o modelo de negócio das big techs, baseado em engajamento e publicidade. Ao questionar a lógica de manter usuários conectados pelo maior tempo possível, o processo pressiona diretamente a forma como essas plataformas são desenhadas e operadas.

Conexão quase total entre jovens brasileiros

No Brasil, a discussão ganha peso diante do alto índice de conexão entre crianças e adolescentes. Segundo a pesquisa TIC Kids Online Brasil, realizada pelo Cetic.br, cerca de 93% dos jovens brasileiros entre 9 e 17 anos usam a internet, o que significa que a imensa maioria está exposta diariamente a conteúdos e dinâmicas digitais.

Saúde mental em alerta entre crianças e adolescentes

Ao mesmo tempo, dados do Ministério da Saúde indicam aumento nos atendimentos em saúde mental de jovens de 10 a 19 anos, com mais casos de ansiedade, depressão e automutilação. Registros do Datasus também mostram alta nas internações por lesões autoprovocadas entre adolescentes.

Especialistas apontam que a relação entre redes sociais e saúde mental é complexa, mas defendem mais educação digital, supervisão familiar e regras mais claras para proteger o público infantil. No Congresso Nacional, projetos em discussão tratam de mecanismos de verificação de idade e da responsabilização das plataformas.

Debate nos EUA influencia cenário brasileiro

O que está em julgamento nos Estados Unidos pode ter impacto direto no debate brasileiro. Em um país onde quase todos os adolescentes estão conectados, discutir limites, responsabilidades e efeitos das redes sociais deixa de ser apenas uma questão jurídica para se tornar tema central de saúde pública e de proteção à infância.

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