MPF em MG processa TV Globo por pronúncia de “recorde” e pede R$ 10 milhões
Ação civil pública solicita correções na programação, retificação em rede nacional e indenização por suposta lesão ao patrimônio cultural imaterial da língua portuguesa
19/02/2026 às 14:16por Redação Plox
19/02/2026 às 14:16
— por Redação Plox
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O Ministério Público Federal (MPF) em Minas Gerais ingressou com uma ação civil pública contra a TV Globo por causa de um motivo inusitado: a forma como a emissora pronuncia a palavra “recorde”. A iniciativa é do procurador Cléber Eustáquio Neves, que pede correções na programação e uma multa de R$ 10 milhões. A ação foi revelada pela coluna Outro Canal, da Folha.
De acordo com a publicação, o MPF acusa a emissora e seus jornalistas de adotarem uma pronúncia considerada incorreta do termo, o que, na avaliação do procurador, influenciaria o público a reproduzir o mesmo erro. À coluna, o órgão confirmou a existência do processo, mas não deu detalhes. O procurador não respondeu aos contatos, e a Globo informou que não comenta ações em andamento.
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Foto: Reprodução/TV Globo
Discussão sobre norma culta e impacto na audiência
Na petição encaminhada ao Judiciário, o procurador sustenta que “recorde” é uma palavra paroxítona, com tonicidade na sílaba “cor”, e não deveria ser tratada como proparoxítona, com ênfase na sílaba “re”. Para reforçar o argumento, foram anexados trechos de programas da emissora, como Jornal Nacional, Globo Esporte e Globo Rural, em que apresentadores usam a forma classificada na ação como incorreta.
O procurador argumenta ainda que a emissora atua como um “braço do Estado” na difusão de informações e que, por isso, o uso da norma culta da língua portuguesa deixaria de ser apenas uma escolha estética para se tornar um padrão de qualidade e eficiência administrativa.
Pedido de retratação e indenização milionária
Na ação, o MPF solicita que a Globo faça uma retificação em rede nacional sobre a pronúncia de “recorde” em seus telejornais e programas esportivos. Além disso, pede o pagamento de uma indenização de R$ 10 milhões por suposta “lesão ao patrimônio cultural imaterial da língua portuguesa”.
A emissora foi notificada antes do carnaval e, até o momento descrito no processo, ainda não havia apresentado defesa.