Na Índia, Lula cobra regras globais para IA e critica retração do multilateralismo

Em Nova Déli, presidente participa de cúpula ligada ao “processo de Bletchley” e defende governança digital, combate à desinformação e financiamento para democratizar o uso da tecnologia

19/02/2026 às 09:39 por Redação Plox

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva iniciou, em Nova Déli, na Índia, uma agenda oficial marcada pela discussão sobre os impactos da inteligência artificial (IA) e pela defesa de regras globais para a tecnologia. Em meio a debates internacionais sobre governança digital, riscos de desinformação e concentração de poder em grandes empresas e países, o governo brasileiro também volta a criticar o que considera um processo de retração do multilateralismo.

Lula participa da Cúpula sobre o Impacto da Inteligência Artificial, encontro que integra o chamado “processo de Bletchley”, série de reuniões intergovernamentais que discutem segurança, governança e cooperação internacional em IA. A presença do presidente insere o Brasil em uma negociação que busca responder a disputas geopolíticas e a assimetrias tecnológicas entre países desenvolvidos e em desenvolvimento.

Lula durante em evento no Centro de Convenções Bharat Mandapam, em Nova Délhi na Índia

Lula durante em evento no Centro de Convenções Bharat Mandapam, em Nova Délhi na Índia

Foto: Ricardo Stuckert / PR


Lula na cúpula de IA em Nova Déli

O presidente desembarcou na capital indiana na quarta-feira (18/02/2026) e tem como primeiro compromisso oficial, nesta quinta-feira (19/02/2026), a participação na plenária de alto nível da cúpula. O evento reúne chefes de Estado e representantes do setor de tecnologia e tem programação prevista para os dias 19 e 20 de fevereiro, segundo a cobertura internacional e relatos sobre a agenda em Nova Déli.

Inserida no “processo de Bletchley”, a cúpula busca articular respostas multilaterais a temas como segurança de sistemas de IA, cooperação para pesquisa e desenvolvimento e mecanismos de coordenação entre governos, empresas e organismos internacionais.

Foco em governança global e multilateralismo

De acordo com reportagem da Agência Brasil, assinada por Andreia Verdélio, a participação de Lula ocorre em um contexto de debates sobre governança e colaboração global em IA, além da discussão sobre financiamento para a democratização da tecnologia e seu uso voltado ao desenvolvimento social.

Já a cobertura do Brasil de Fato destaca que o discurso do presidente deve reforçar a defesa do multilateralismo em oposição à concentração de decisões em poucos países, além de enfatizar a inclusão digital de nações em desenvolvimento. A expectativa é que o governo brasileiro também promova discussões paralelas sobre aplicações da IA em áreas como saúde e educação.

Nesse cenário, a cobrança por regras globais para IA e as críticas à retração do multilateralismo aparecem como eixo central da atuação brasileira em Nova Déli, alinhando a agenda tecnológica a uma disputa mais ampla sobre a arquitetura da governança internacional.

Efeitos para o Brasil: regulação, economia e serviços públicos

A discussão sobre normas internacionais para IA tem desdobramentos concretos em pelo menos três frentes para o Brasil.

Na área de regulação e segurança, o país se insere em negociações que podem estabelecer padrões globais para mitigar riscos como vieses algorítmicos, uso indevido de dados e automação de campanhas de desinformação. A definição dessas regras tende a influenciar leis nacionais, fiscalização e o papel de órgãos reguladores.

No campo da economia e competitividade, o desenho de uma governança global afeta a forma como empresas brasileiras, inclusive startups, terão acesso a infraestrutura, dados e mercados. A posição defendida pelo governo busca reduzir a dependência em relação a grandes plataformas e países que concentram tecnologia e capital.

Já em serviços públicos, a agenda de “democratização” da IA e de uso social da tecnologia dialoga com aplicações em saúde, educação e gestão pública. Essa pauta é considerada sensível para estados populosos como MG, SP, RJ e PR, marcados por grandes redes de atendimento e desafios de digitalização, fiscalização, combate a fraudes e enfrentamento de boatos.

Próximos passos da visita à Índia

Nos próximos dias, a expectativa é que o governo brasileiro detalhe o conteúdo do discurso de Lula na plenária da cúpula, marcada para 19 de fevereiro, e apresente eventuais compromissos assumidos ao longo do encontro, que se estende até 20 de fevereiro.

A visita também deve avançar para uma agenda bilateral com o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi. Há possibilidade de anúncios de cooperação em transformação digital e tecnologias emergentes, além de outros acordos em áreas de interesse comum.

Até o momento, as informações disponíveis tratam principalmente da agenda e do contexto político do pronunciamento. A íntegra das falas de Lula na plenária, com os trechos exatos sobre “regras globais” para IA e “retração do multilateralismo”, ainda depende da divulgação oficial completa do discurso.

Compartilhar a notícia

V e j a A g o r a