Na mira do STF, diretor da PF mantém prestígio com Lula em meio a crise em Brasília

Andrei Rodrigues segue com a confiança do Planalto após levar a Edson Fachin relatório com dados do celular de Daniel Vorcaro, que teria referências a Dias Toffoli e elevou a pressão por encaminhamentos no Supremo

19/02/2026 às 08:36 por Redação Plox

Na mira do Supremo Tribunal Federal (STF), o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, mantém prestígio inabalado com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em meio à mais recente crise institucional em Brasília. Mesmo após o acirramento de tensões com ministros do Supremo, em razão de desdobramentos da investigação sobre o Banco Master e de menções ao ministro Dias Toffoli em material apreendido pela PF, interlocutores do Planalto apontam que Rodrigues segue com a “total confiança” de Lula e não deve recuar diante de pressões.

Na mira do STF, diretor da PF mantém prestígio inabalado com Lula em meio a crise

Na mira do STF, diretor da PF mantém prestígio inabalado com Lula em meio a crise

Foto: (crédito: José Cruz / Agência Brasil)


Relatório da PF acirra tensão com o STF

A crise ganhou força quando Andrei Rodrigues levou pessoalmente ao presidente do STF, ministro Edson Fachin, um relatório com informações extraídas do celular do banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. Segundo relatos publicados, o material incluiria referências ao ministro Dias Toffoli, então relator do caso no Supremo.

Em paralelo, reportagens recentes indicam que a Polícia Federal concluiu a perícia no aparelho de Vorcaro e identificou menções a autoridades com foro privilegiado, entre elas Toffoli. A existência desses registros levou o tema ao centro do debate interno do STF e ampliou a pressão por respostas institucionais.

Conflito de bastidores e prestígio mantido no Planalto

O que se sabe, a partir de informações já tornadas públicas por veículos de imprensa, é que o conteúdo periciado pela PF foi encaminhado à presidência do STF para avaliação e eventuais providências. Com isso, o caso passou a influenciar diretamente a condução do processo no Supremo.

De acordo com relato divulgado pelo Correio Braziliense, a controvérsia envolve, entre outros pontos, conexões investigadas no inquérito e um resort no Paraná associado a pessoas do entorno do banqueiro e a familiares do ministro citado.

No Planalto, porém, o movimento é de blindagem. A informação reportada é que Lula mantém confiança no diretor-geral da PF e que a orientação é para que ele continue à frente do cargo “sem temer pressões”, conforme interlocutores ouvidos por veículos de imprensa. Nesse cenário, a permanência de Andrei Rodrigues no comando da PF funciona como sinal político de que o governo não pretende ceder a ruídos com o STF.

Efeitos na relação PF–STF e no ambiente político

O episódio tende a produzir impactos em ao menos três frentes. Na relação entre PF e STF, o envio de relatórios sensíveis diretamente à presidência da Corte reacende discussões sobre ritos internos, níveis de cautela e forma de tramitação de informações que mencionam ministros.

No ambiente político em Brasília, a decisão do Planalto de sustentar o diretor-geral da PF indica que, mesmo com atritos com uma ala do Supremo, o governo aposta na continuidade do atual comando da corporação. Isso reforça o lugar de Andrei Rodrigues como peça central na articulação entre investigação policial e gestão política da crise.

Já no caso Banco Master, a divulgação de menções a autoridades com foro privilegiado aumenta a cobrança por transparência e por definição de encaminhamentos dentro do STF. A depender das deliberações internas da Corte, o quadro pode abrir novas frentes de apuração e eventuais redistribuições processuais.

Próximos passos no STF, na PF e no Planalto

Nos próximos dias, a tendência é que o STF avance na análise do material encaminhado pela Polícia Federal e defina medidas processuais e administrativas relacionadas ao caso, em especial no que se refere a eventuais citações a autoridades com prerrogativa de foro.

Na esfera policial, a PF deve seguir com as investigações sobre o Banco Master e com o tratamento de trechos do conteúdo periciado que digam respeito a autoridades protegidas por foro privilegiado.

Enquanto isso, o Planalto monitora a escalada do desgaste institucional, atento a um enredo que combina investigação em curso, decisões de cúpula no Supremo e repercussão política. No centro desse tabuleiro, permanece a figura de Andrei Rodrigues, sob pressão do STF, mas com prestígio preservado junto a Lula, o que hoje é um dos elementos mais relevantes na condução da crise.

Parte das informações sobre bastidores, incluindo o grau de prestígio de Rodrigues no governo e o nível de atrito com ministros do STF, decorre de relatos de interlocutores e apuração jornalística. Novos posicionamentos oficiais e a divulgação mais detalhada do relatório e seus anexos podem alterar o quadro em andamento.

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