Natura conclui venda da Avon na Rússia por 26,9 milhões de euros
Operação foi fechada com o Grupo Arnest e, segundo a companhia, encerra a simplificação corporativa ligada ao ativo e reforça o foco de crescimento na América Latina
19/02/2026 às 12:14por Redação Plox
19/02/2026 às 12:14
— por Redação Plox
Compartilhe a notícia:
A Natura concluiu a venda das operações da Avon na Rússia para o Grupo Arnest, encerrando mais um capítulo de sua reestruturação internacional. A transação foi feita por meio da subsidiária indireta integral Avon Netherlands Holdings II B.V..
O negócio foi fechado por cerca de 26,9 milhões de euros, o equivalente a aproximadamente R$ 166,2 milhões, e os recursos foram recebidos pela companhia em 17 de fevereiro de 2026.
Loja Natura
Foto: Divulgação
Natura foca expansão na América Latina
De acordo com a empresa, a venda das operações russas encerra a estratégia de simplificação corporativa relacionada a esse ativo e reforça o foco no crescimento dos negócios na América Latina.
Em setembro do ano anterior, a Natura já havia anunciado a venda das operações da marca Avon em seis países da América Central — Guatemala, Nicarágua, Panamá, Honduras, El Salvador e República Dominicana — por US$ 22 milhões. O acordo foi firmado com o Grupo PDC, que atua na região e no Peru.
Na época, a companhia informou que a iniciativa tinha como objetivo simplificar a estrutura do grupo e concentrar esforços na integração das marcas Natura e Avon na América Latina.
Mesmo após a venda na América Central, a empresa manteve o fornecimento de produtos à Avon Card e o licenciamento da marca nesses mercados, com conclusão prevista para outubro de 2025.
A Natura também comunicou que segue avaliando alternativas estratégicas para os ativos da chamada Avon Internacional, que reúne as operações da marca fora da América Latina.
De expansão global à revisão de rota
A trajetória recente da Natura é marcada por um movimento de forte expansão internacional seguido por um recuo estratégico. Em 2012, a companhia iniciou um ambicioso projeto global com a compra da marca australiana Aesop, ao qual se somaram a aquisição da britânica The Body Shop e, em 2019, a fusão com a americana Avon.
Esses movimentos transformaram o grupo em um dos maiores conglomerados de beleza do mundo, com a criação da holding Natura&Co. A estrutura passou a reunir quatro marcas presentes em mais de 100 países, com faturamento anual superior a US$ 10 bilhões.
A estratégia tinha como objetivo ampliar escala, diversificar mercados e consolidar a empresa entre as líderes globais do setor. Mas o ciclo de aquisições trouxe desafios relevantes. As compras ocorreram em um período de ativos valorizados, elevando o endividamento, enquanto a integração de culturas, modelos de negócio e operações em múltiplas regiões se mostrou complexa.
A pandemia de Covid-19 agravou esse cenário, afetando o consumo de cosméticos, pressionando receitas e dificultando a geração de sinergias entre as marcas.
Venda de ativos e mudança de estratégia
Diante desse contexto, a Natura iniciou um processo de simplificação e redução de riscos. Em 2023, vendeu a Aesop por US$ 2,5 bilhões e, no mesmo ano, se desfez da The Body Shop por um valor bem inferior ao pago na aquisição. Restava ainda a operação internacional da Avon, considerada deficitária e onerosa.
Em 2025, a companhia anunciou a venda da Avon International por valor simbólico, encerrando o projeto de se consolidar como uma gigante global da beleza. Essa decisão marcou uma inflexão na estratégia corporativa.
Segundo analistas, o grupo passou a concentrar esforços na América Latina, região em que suas marcas detêm maior participação de mercado e vantagem competitiva. A saída das operações internacionais permitiu reduzir custos, diminuir a queima de caixa e oferecer uma trajetória mais previsível aos investidores, sinalizando o fim do ciclo de expansão global e o início de uma fase orientada à rentabilidade e à simplificação operacional.