Dormir com a porta do quarto fechada pode elevar CO₂ e piorar a qualidade do sono, alerta matéria

Estudos indicam que ambientes pouco ventilados podem acumular dióxido de carbono durante a noite, aumentando despertares e deixando o descanso menos restaurador

19/02/2026 às 15:38 por Redação Plox

Manter a porta do quarto totalmente fechada durante a noite pode parecer uma escolha natural por privacidade ou silêncio, mas o hábito esconde um inimigo invisível: o acúmulo de dióxido de carbono (CO₂). Estudos científicos recentes, publicados entre 2018 e 2025, indicam que a falta de renovação do ar em ambientes confinados eleva a concentração do gás expirado, impactando diretamente a arquitetura do sono e o desempenho cognitivo no dia seguinte.


Dormir com níveis de CO₂ acima do recomendado em quartos sem ventilação causa despertares noturnos e cansaço excessivo ao amanhecer

Dormir com níveis de CO₂ acima do recomendado em quartos sem ventilação causa despertares noturnos e cansaço excessivo ao amanhecer

Foto: Reprodução/Pexels

CO₂ em quartos fechados e seus efeitos no corpo

Em quartos fechados com duas ou mais pessoas, os níveis de dióxido de carbono podem ultrapassar 1.300 ppm (partes por milhão), o que degrada a qualidade do ar. Esse cenário favorece o acúmulo de CO₂, que interfere no funcionamento normal do organismo durante o repouso.

O excesso de gás carbônico no sangue estimula o sistema nervoso, aumenta os despertares ao longo da noite e reduz o tempo de sono profundo. A má ventilação também está associada ao aumento de cortisol, hormônio ligado ao estresse, ao acordar e à sensação de cansaço crônico.

Mesmo quem dorme o número de horas considerado adequado pode levantar da cama com a sensação de não ter descansado de fato se o ar do quarto estiver “viciado”.

O que a ciência mostra sobre o “ar viciado”

Pesquisas têm analisado com mais detalhe o que acontece dentro de quatro paredes enquanto dormimos. Um estudo da Universidade de Tecnologia de Eindhoven monitorou voluntários e constatou que, em quartos totalmente fechados, a concentração de CO₂ saltou de 717 ppm para 1.150 ppm em média. Esse “ar viciado” dificulta a entrada do corpo nas fases mais restauradoras do sono.

Segundo a médica Gabriela Passos Arantes, especialista em Clínica Médica, o mecanismo é fisiológico. Quando a renovação do ar é limitada, o CO₂ eliminado na respiração se acumula, afetando o sistema nervoso autônomo e o sistema respiratório. Muitas vezes, a pessoa nem percebe conscientemente que o problema está na qualidade do ar do ambiente, mas sente os efeitos em forma de despertares frequentes e descanso pouco reparador.

Quem sofre mais com a má ventilação

Os efeitos da piora na qualidade do ar podem ser sentidos por todas as pessoas, mas alguns grupos são mais vulneráveis. Idosos e indivíduos com insônia, ansiedade ou problemas respiratórios tendem a sofrer mais com as alterações desencadeadas pelo aumento de CO₂ no ambiente.

Mesmo jovens saudáveis, que aparentemente dormem bem e por tempo suficiente, podem apresentar pior desempenho cognitivo e irritabilidade quando a ventilação do quarto é inadequada. Nesses casos, o que parece ser apenas “noite mal dormida” pode ter origem no ar pouco renovado.

O médico especialista em medicina do sono William Lu explica que níveis elevados de CO₂ na corrente sanguínea forçam o organismo a permanecer em estágios de sono mais leve. O resultado é uma noite “trabalhosa” para o corpo, em vez de verdadeiramente restauradora.

Ventilação e conforto podem conviver

Fechar a porta do quarto costuma ser uma estratégia para garantir segurança, reduzir ruídos ou manter a temperatura mais estável. No entanto, não é preciso abrir mão do conforto para melhorar a ventilação.

Na maioria dos casos, o simples gesto de deixar a porta ligeiramente entreaberta já promove uma circulação suficiente de ar para reduzir significativamente o acúmulo de CO₂.

Quando o isolamento acústico é indispensável, uma alternativa é recorrer a sistemas de ventilação mecânica ou manter ao menos uma pequena fresta na janela, o suficiente para permitir a troca de oxigênio sem comprometer tanto o conforto térmico ou sonoro.

Higiene do sono: muito além do ar que se respira

A ventilação faz parte de um conjunto mais amplo de cuidados, conhecido como higiene do sono. Para que o cérebro reduza o ritmo de forma eficiente, é preciso considerar também outros elementos do ambiente.

A médica Gabriela, integrante da equipe do INKI, plataforma de consultas particulares, destaca a influência da luz azul emitida por telas, que inibe a produção de melatonina. Assim, o cenário ideal para um sono profundo e restaurador combina:

  • Ventilação adequada, com baixa concentração de CO₂;
  • Escuridão total, favorecendo a produção natural de melatonina;
  • Silêncio, para reduzir despertares e microdespertares;
  • Temperatura agradável, que ajude o corpo a entrar e permanecer nos estágios profundos do sono.

Ao ajustar a circulação de ar do quarto, a pessoa adota uma intervenção simples, gratuita e acessível, que pode representar a diferença entre acordar exausta ou verdadeiramente renovada no dia seguinte.

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